Coisas simples sobre Sabra e Chatila

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Acho sempre importante a vivacidade do debate sobre a língua portuguesa. Dá para quase tudo, o que é sempre uma boa maneira de deixar todos os pontos de vista convencidos que estão cobertos de razão. A política é sempre mais difícil que os jogos de espelhos e quase sempre se resume às boas perguntas: Haveria Falange e massacre sem a decisão de Israel? Armar, treinar, proteger, pensar o massacre não é condição determinante para ele acontecer? Os massacres de Sabra e Chatila não teriam lugar sem Israel, mas não seria difícil encontrar milicianos para tomar o lugar da Falange na hora de cumprir resoluções. Só a decisão de Israel determinou a história. Sem a decisão de Israel a Falange meteria bombas e distribuiria panfletos às escondidas, tais eram (e são) as suas condições operativas (e base social) no Líbano. Mercenários não faltam por aí dispostos a cumprir ordens como se um serviço de tratasse. Israel não decidiu colaborar, decidiu quem ia colaborar. A Falange foi o cão raivoso a responder à voz do dono. Não há carnaval sobre o carácter que mude o carácter de uma ocupação e a cadeia de comando de qualquer massacre. Ou será que quem ganhou a guerra civil de Espanha foram os mercenários marroquinos contratados por Franco? Nem Israel tem dúvidas sobre as duvidas que se têm colocado por aí.

Cartas do Vale #5

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O dia inteiro correu vindo de uma terra de onde também a música provém um regato. Bebo dessa frescura de tempos a tempos, quando dele brotam os favores da terra frutos comestíveis, mel e vinho. Assomo à memória coisas daqui e dali enquanto no céu o dia cai. Um naufrágio como um furo lento de uma roda de bicicleta, ou uma mulher nua a correr só para mim. Cai o dia assim. O estio estica o tempo até mais tarde. O dia cai aqui. As memoráveis noites de verão visitam-me uma vez por ano como uma novidade absoluta. Gafanhotos e bolinhas presas no céu que me ensinaram ser estrelas. Cai o dia em todo o lado, desde o sítio onde estou até onde a vista se afunda em nada. Cai o dia no infinito que há-de ser o quintal de alguém, que é a forma mais parecida com o nada que conheço.

Lá em baixo, no pátio, corre só para mim nua uma mulher que conheço desde os tempos da escola. Cheira a flores. Faz isto para chamar o tempo que me agrada. Acena e corre. Tem flores que lhe saem da passarinha enquanto corre em voltas no pátio. Tenho uma mulher nua a correr só para mim para que a noite amena não se apague. De entre todas as flores são as da cona as que mais gosto.

Pergunta de meia dúzia de cêntimos para analfabetos e para pessoas com dificuldade em compreender a diferença entre condições objectivas e subjectivas no avanço da história dos povos

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Numa determinada operação militar há alguém que desenha a estratégia de limpeza étnica, organiza o treino militar, fornece as armas e o equipamento de suporte, cria uma zona de tampão para que a matança decorra e passa décadas a encobrir os crimes. Esse alguém não teve, por dispor de uma milícia de fanáticos, que enviar soldados e quer passar aos olhos do mundo simplesmente como conivente ou cúmplice quando na verdade nada seria possível sem qualquer uma das suas acções. De quem falamos e a que episódio histórico nos referimos?

Provocações israelitas

target-israelNão foi preciso passar uma semana desde o cessar fogo assinado no Egipto para que Israel intensificasse as suas provocações e desse continuidade ao seu projecto colonial. O anúncio da anexação de mais 400 hectares na Cisjordânia (algo equivalente a 400 campos de futebol) e o incumprimento da sua palavra no acordo alcançado no Egipto, nomeadamente ao nível do alivio do bloqueio, somam-se à perseguição das forças progressistas e à tortura dos habitantes e são sinais evidentes que a luta contra Israel terá que continuar.

“Obrigado aos Palestinianos por resistirem corajosamente e nos permitirem abrir os olhos”, por Chris

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A ofensiva militar israelita deixou até hoje (14/08/14) cerca de 2000 mortos com 80% de vítimas civis, incluindo 437 crianças e 243 mulheres, 10 000 feridos, mais de 400 000 crianças em estado de choque, a necessitarem de apoio psicológico que não vai chegar, 17 hospitais totalmente destruídos, 141 escolas danificadas, 11 000 casas completamente destruídas e 32 000 danificadas. A única central eléctrica, as redes de electricidade e de água potável foram igualmente destruídas.

A resistência unitária excelente dos Palestinianos é de tal maneira forte que os israelitas não conseguem derrotá-la, apesar das suas forças armadas gigantescas, apesar dos milhares de milhões de dólares de munições fornecidas por Obama.

Nesta guerra de extermínio, os israelitas não passam dos executantes encarregados de esmagar este povo irredutível. Todos os governos do bloco ocidental, todos os seus vassalos das monarquias petrolíferas, bem como outras ditaduras árabes «ignoraram» ou aprovaram este genocídio.

Todos estes governos têm medo da resistência. Nesta guerra de morte entre o capitalismo e a humanidade, o império só pode contar com a divisão do adversário. Ora, os Palestinianos uniram-se e mostram-nos que podemos resistir, que devemos resistir, mesmo a custo de sacrifícios inimagináveis.

Perante a resistência palestiniana, o capitalismo desmascara-se e revela a sua natureza bárbara. Para este sistema imperialista, colonialista, racista, sionista, o ser humano não existe. Existem somente escravos e terroristas, que há que subjugar ou exterminar.

Está na hora de a população mundial se unir e se erguer contra o poder do dinheiro e seus lacaios, bancos, FMI, governos, polícias, forças armadas, meios de comunicação social, etc. Porque é a mesma lógica capitalista que reina em todo o lado. Por exemplo:

- Onde o povo resiste, como em Gaza, as escolas e os hospitais desmoronam-se sob as bombas.

- Onde o povo se submete, como em Portugal, escolas e hospitais desaparecem tranquilamente… por falta de financiamento, porque o dinheiro vai para os bancos (por exemplo, para o BES) e para os serviços de repressão (“segurança” !)

Unamo-nos rapidamente, sigamos o exemplo palestiniano para:

1. Protestar e solidarizarmo-nos, custe o que custar, para que não possamos dizer, mais tarde, que a população de Gaza “morreu pelos nossos pecados” (por egoísmo, individualismo, mas também por estupidez e cegueira, corrupção e cobardia);

2. Pôr termo a este fascismo, que se diz liberal e sionista, e que não é mais do que opoder mundial do dinheiro que visa a escravização total do ser humano.

Sejamos todos Palestinianos e resistamos! Acabemos com o império e construamos um mundo de justiça que conduza à paz e à liberdade.

VIVA PALESTINA!

Também em Inglês e Francês

PALESTINIAN-ISRAELI-CONFLICT-GAZA-STADIUM