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Historiador, jardineiro, horticultor. Vive na província. No tempo vago, que procura multiplicar de dia para dia, perde-se em viagens, algumas pelos montes em redor, outras pelos livros que sempre o acompanham. Prefere o vinho à blogosfera, a blogosfera ao Parlamento.

Jardineiros à solta nas nossas cidades

fotos de A. Morgenstern, Lisboa (Março de 2017) e Arraiolos (Janeiro de 2017)

E se os palcos das nossas derivas e aventuras quotidianas estivessem repletos de jardins mas esvaziados de jardineiros (destes)?

“No toco en ayuntamientos del PP. Me dan tanto asco que no me sale una nota”

Quando em 1983, o ministro da cultura de Mitterrand lhe concedeu a medalha da Ordem das Artes e das Letras, recusou: “Un artista tiene que ser libre en las ideas que pretende defender. A la primera concesión pierdes parte de tu libertad. La única autoridad que reconozco es la del público y el mejor premio son los aplausos que se lleva uno a casa.”

Invisible Republic. Music, Lettrism, Avant-Gardes. International Conference on Music, Avant-Gardes and Counterculture. 25-27 de Outubro, Lisboa

Promovida pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, terá lugar em Outubro uma conferência internacional sobre as obras e o legado do Letrismo e doutras vanguardas do pós-guerra. Mais informação aqui.

Resumo das vantagens da agricultura bio sobre a agricultura convencional

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“E Lisboa transformou-se no retro-vintage-gourmet, toda uma representação nostálgica de algo que nunca existiu. As padarias clássicas inventadas há dois ou três anos, e sem multibanco para não pagarem impostos, as barbearias de luxo, cafés com um chão não sei quantos, tudo à antiga, mas um antigamente em que nada daquilo existia.”

Mas eis que nem só da especulação turístico-comercial de uma identidade perdida (subitamente reencontrada) se faz a história presente desta charmosa cidade. Continua a haver vida nas margens do território dominado pelos empreendedores da nostalgia, que nos impõem as suas representações caricaturais e vendáveis da portugalidade – na Padaria Portuguesa, no ‘novo fado’, no bairro típico do Avillez, n’A Vida Portuguesa, na ‘requalificação’ do espaço público. Contra este projecto político de produzir um património coerente e sistematizado de formas “que exprimem a alma da nação”, enquanto mitificam o passado e expulsam o novo, o desconhecido e o inédito, continua a haver qualquer coisa de vivo a mexer em Lisboa. E o seu eco, ainda que ténue, ousa mesmo por vezes chegar aos jornais.

Resistência em Barcelona ao aumento da especulação, do turismo e da exclusão

Amanhã, Sábado, irá ocorrer no bairro de Poble Sec uma manifestação contra o aumento das rendas que está a transformar mais um antigo bairro popular num negócio imobiliário, ao serviço da especulação e do turismo. Deixo-vos um excerto do apelo dos organizadores da manifestação [tradução minha]:

“No bairro de Poble-sec, as rendas não param de aumentar (mais de um 10% nos últimos anos). Os contratos renovam-se com preços abusivos que nos levam, a ter de deixar o bairro. No que respeita à compra de apartamentos, perto de um 60% estão sendo adquiridos por fundos de investimento, bancos e imobiliárias, ou seja, não são novos vizinhos que virão partilhar as ruas connosco mas especuladores que jogam com o nosso direito a viver no bairro. Para nós é a vida, para eles é um negócio. (…) Desde 2012, uma pessoa por dia teve de deixar o bairro. Aproximadamente 1.110 moradores deixaram-nos desde 2012. Cada vez existem mais apartamentos turísticos e mais oferta de lazer para turistas. Como consequência, os moradores saem do bairro e encerram-se comércios de bens quotidianos e de proximidade.”

Para mais informação, consultar, na página do grupo l’altaveu del Poble Sec, o texto Defendamos o bairro.

É urgente criticar a turistificação das cidades que amamos

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