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About PDuarte

Historiador, jardineiro, horticultor. Vive na província. No tempo vago, que procura multiplicar de dia para dia, perde-se em viagens, algumas pelos montes em redor, outras pelos livros que sempre o acompanham. Prefere o vinho à blogosfera, a blogosfera ao Parlamento.

Incrível não, maravilhoso! Enquanto a civilização capitalista constrói o paraíso na Terra, a temperatura do planeta não pára de aumentar, mais de 95% da população mundial está exposta à poluição atmosférica e 82% da riqueza mundial está nas mãos de 1% da população. Melhor só num conto de fadas.

“Os ecologistas são incapazes de demonstrar que os chamados agrotóxicos envenenam a população.” João Bernardo

Serão mesmo?

Meio ambiente e mentalidade empresarial, uma relação impossível

A ilha brasileira Fernando de Noronha é um paraíso ecológico que atrai um número cada vez maior de visitantes, sendo estes já metade dos habitantes totais da ilha. Aqui, a protecção da natureza, apesar de constituir o grande atractivo da ilha, confronta-se diariamente com a avalanche turística que impõe nos quatro cantos do mundo os resultados do triunfo histórico da mentalidade empresarial, segundo a qual qualquer território se deve tornar uma mercadoria, mesmo que isso implique a sua gradual destruição ou a extinção das suas formas de vida. O principal empresário da ilha e seu grande promotor turístico, José Maria Sultanum, mostra como o turismo se alimenta precisamente daquilo que vai degradando, quando afirmava recentemente, nas páginas de um jornal brasileiro, “Eu dependo da sustentabilidade, da preservação, mas desde que não seja em detrimento do homem. O meio ambiente tem que ser protegido para servir o homem”. Ora, se é o homem, o turista, quem deve estar hoje no centro da política de conservação ambiental, torna-se desde logo evidente a insignificância, a miséria e a desfaçatez desta política, que não serve senão para camuflar a (no curto prazo) lucrativa destruição ambiental em curso.

Já todos percebemos que, à medida que a mentalidade empresarial se dissemina pelo globo, a água limpa e o ar respirável se vão tornando cada vez mais escassos. Mas há uma pergunta muito simples que os média e a classe política jamais colocam: quem beneficia com a destruição da vida?

Jornalismo e propaganda

O jornal Público informa hoje, pela mão versada na arte do copy paste de Maria Lopes, que “Balsemão cria um grupo de Bilderberg à portuguesa em Cascais”. No artigo a jornalista observa, sem o mais pequeno vestígio de crítica, que o grupo “pretende ser um fórum de pensamento estratégico em que personalidades essencialmente da sociedade civil procuram discutir soluções para os problemas que o país e a Europa enfrentam”. Imagino que esta informação foi precisamente o grupo quem amavelmente forneceu à jornalista, a qual se limitou a verter para o jornal, sem qualquer exame e tal qual como a recebera. Entre outras informações que parecem ter sido obtidas na mesma fonte sem terem sido submetidas a qualquer tipo de triagem, a jornalista acrescenta que “o objectivo deste novo fórum é (…) ajudar a definir os caminhos e estratégias para que o país tenha uma economia mais forte, mais justa” (sublinhado meu).

Depreendemos que, se a preocupação do grupo é a justiça na economia, o Francisco Louçã deverá ser um dos cabeças de cartaz. No entanto, lemos a lista de membros divulgada pelo jornal e não encontramos o seu nome junto da “empresária Paula Amorim, presidente do Grupo Amorim; Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian; Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud; Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais; Francisco Pedro Balsemão, presidente da Impresa; António Lagartixo, partner na Deloitte Portugal & Angola; Vasco de Mello, presidente do grupo José de Mello; Pedro Penalva, presidente da AON, um grupo de serviços de gestão de riscos, corretagem de seguros e recursos humanos; António Ramalho, presidente do Novo Banco; e Carlos Gomes da Silva, presidente da comissão executiva da Galp Energia.”

O jornal que em 1999 despediu um jornalista estagiário porque, na cobertura à reunião do clube Bilderberg em Sintra, usara adjectivos na altura considerados “impróprios para jornalismo” (do género de ‘faustoso’) para descrever o cenário do encontro, sabe que não é necessário adjectivar quando se trata de cuidar da reputação e dos negócios de quem se serve dos seus serviços. Percebe-se porque é que Maria Lopes continua no Público há tantos anos, ela que já lá estava à data daquela peripécia tão reveladora de que, em vez de jornalismo, o ofício que mantém as redacções a funcionar é o de cuidar da imagem e da reputação de uma série de clientes e interesses; o de legitimar os seus projectos sociais e económicos. Houve um tempo em que fazer jornalismo implicava investigar e escrutinar. Dava trabalho e exigia tempo e recursos. Hoje, quando até as ciências sociais são inibidas de empreender uma análise crítica do real, tornou-se sinónimo de promoção, propaganda e merchandising.

Apresentação do enigmático projecto em curso para um ‘porto espacial’ numa ilha açoreana

Informação crítica sobre o projecto aqui.