All posts by Maria Carolina

Aproveite-se para falar sobre o Curdistão

No âmbito do Ciclo de Cinema organizado pelo Azimute – Estudos em Contextos Árabes e Islâmicos do CRIA – Centro em Rede em Antropologia, queremos convidar-vos para a próxima sessão, na quarta-feira, dia 11 de Maio, às 18h no Auditório 2, Torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Avenida de Berna, Nº26, Lisboa) com o filme:

Future Lasts Forever Poster 5

Gelecek Uzun Sürer – Future Lasts Forever (2011), de Özcan Alper (Turquia).
Duração: 1h48m
As legendas do filme são em inglês

Sinopse
Sumru é  investigadora em música na Universidade de Istambul. Para a sua investigação escolhe recolher e gravar uma ampla colecção de elegias Anatolianas, que a levam ao sudeste do país durante alguns meses. Esta curta viagem tornou-se a maior experiência da sua vida. Durante a viagem, Sumru cruza-se com Ahmet, um jovem que vende DVD pirateados nas ruas da cidade de Diyarbakir, com Antranik, um velho senhor solitário que é guardião de uma igreja em ruínas e com outras personagens que são testemunhas de uma contínua “guerra sem nome”. Durante os três meses da sua estadia em Diyarbakir, enquanto analisa as elegias, confronta-se com o seu próprio passado.

O filme será comentado por Inês Espírito Santo, socióloga.

A Entrada é Livre!

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Zeka Santiago, um projeto de filme

Aqui fica o apelo de Ana Lisboa, realizadora  cabo-verdiana residente em Paris, para levar a termo o seu projecto de filme em Cabo Verde.

O filme conta a história de um polícia que se apaixona por um traficante. Os dois vão viver uma história de amor apaixonante. Embora um deles esteja doente…

http://www.touscoprod.com/fr/widget/3531

Ver mais informações sobre o projeto de filme Zeka Santiago, aqui.

Apelo urgente de uma deputada Curda da Turquia às organizações internacionais para a evacuação de civis bloqueados na cidade sitiada de Sur/Diyarbakir.

sur

Dia 24 de Fevereiro, 2016

Sibel YİĞİTALP, Deputada de Diyarbakir, Partido Democrático dos Povos (HDP)

“Sou membro da grande Assembleia Nacional da Turquia, eleita na província de Diyarbakir. Escrevo esta carta a partir do distrito de Sur, no centro histórico de Diyarbakir, que está a ser atualmente bombardeado pelas forças armadas turcas. Desde Agosto 2015, Sur foi submetido a 6 recolhimentos obrigatórios decretados por uma duração indeterminada, em aplicação da estratégia militar do Governo Turco do AKP que consiste em reprimir através das armas as reivindicações políticas do povo Curdo. O último recolhimento obrigatório está em curso desde dia 11 de Dezembro 2015, o que já custou a vida a mais de 100 civis. Disparos de artilharia em vários bairros do distrito levaram à destruição de uma grande parte das habitações e do património histórico, provocando a deslocação forçada de milhares de habitantes.

Lanço este apelo em virtude da iminência de um novo drama. Enquanto a ofensiva das forças armada turcas continua com a mesma intensidade, fomos informados do facto que mais de 200 pessoas estão bloqueadas nas caves onde se tinham refugiado para se proteger dos disparos. Confirmamos que estas pessoas são maioritariamente civis, entre as quais se encontram pelo menos 20 crianças. Durante os últimos 7 dias, eu e outros deputados de Diyarbakir contactámos todas as instâncias e representantes do Governo na cidade para pedir a abertura de um corredor de evacuação para que os civis saiam em segurança das zonas visadas pelas operações militares. Infelizmente, todos os nossos pedidos e apelos ficaram sem resposta.

Hoje, recebemos vários telefonemas de pessoas bloqueadas debaixo de bombas, indicando que a situação piorou com o aumento do número de pessoas feridas pelos disparos de artilharia e o agravamento do seu estado. Na última semana, 12 pessoas foram mortas pelas forças de segurança. Os corpos continuam na rua e os seus próximos não os podem recuperar. Estamos perante uma guerra contra a população de Sur.

Lançamos este apelo com o objetivo de vos pedir para tomar medidas urgentes, nomeadamente instar o Governo Turco a levantar o cerco de Sur, nem que seja provisoriamente no sentido de permitir a evacuação dos civis. Estamos convencidos que as vossas intervenções podem desencadear um diálogo construtivo e levar a cabo uma coordenação com as autoridades governamentais para a evacuação dos civis.

Aqui ficam os nomes e idades de várias crianças refugiadas nas caves em Sur : Elif Su Aslan (4 meses), Özgür Aslan (3 anos), Muazzez Aslan (4 anos), Rojda Aslan (7 anos), Gülistan Aslan (11 anos), Beritan Tosun (2 anos), Şerife Tosun (10 anos), Ruken (4 anos), Berfin (4 anos), Kadir Şahin (11 anos), Furkan Dağ (11 anos), Mehmet Karacadağ (14 anos)”

 

 

« Arriscamos morrer queimados a qualquer momento »

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Comunicado do Conseil Démocratique Kurde en France (CDKF), 11 fev. 2016.

“As forças turcas livraram-se ontem a uma execução em massa em Cizre, cidade sitiada há dois meses. Disparos de obus sobre um edifício  dentro do qual encontravam-se cerca de 40 civis refugiados na cave fizeram pelo menos 20 mortos.

Derya Koç, ex-copresidente da secção local do HDP, no distrito de Milas, encontrava-se entre as pessoas refugiadas no edifício visado. Durante o ataque a militante conseguiu estabelecer contacto telefónico com o exterior: “a situação é extremamente crítica. Perto de 20 pessoas refugiadas na cave foram queimadas vivas, apenas restam cerca de 20 pessoas vivas no edifício. Eles [forças estatais] continuam a disparar sobre nós. Arriscamos morrer queimados a qualquer momento. Precisamos de ajuda. O edifício foi bombardeado há uma hora, o que causou a morte de outras pessoas na cave. Somos 20 sobreviventes, mas estamos todos feridos. O edifício dentro do qual nos refugiámos está cercado de tanques. Tenho de desligar, há pouca rede. Eles estão a cercar-nos. »

[…]

Há três dias, as forças de segurança turca bombardearam dois edifícios nos quais se refugiaram feridos, matando cerca de 60 pessoas. Segundo as fontes locais, estas pessoas foram mortas com armas químicas.

  • Pedimos que a Turquia seja julgada por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
  • Apelamos à mobilização contra o Estado fascista turco e à solidariedade com o povo curdo.”

Pedro Arrotos

pedro arroja

Pedro Arroja, este indivíduo que se tornou alguém em virtude das baboseiras que graceja publicamente, por mais insignificante que seja, teve acesso a um espaço mediático que lhe permitiu veicular mensagens, punidas por lei, racistas e sexistas, a um público relativamente vasto.

A “Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género” recebeu várias denúncias/queixas contra este indivíduo. Parece que a bola foi lançada para o Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto e, por outro, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Aguardamos as devidas consequências penais para Pedro Arroja, caso contrário recorre-se a outros meios.

 

“Exmo./a. Senhor/a,

No seguimento da v/ denúncia, relativa a comentários discriminatórios em razão do sexo, proferidos por Pedro Arroja, em 09/11/2015, no Jornal Diário do Porto Canal, relativamente às deputadas do Bloco de Esquerda, e porquanto esta Comissão não tem competência para a investigação do crime de discriminação sexual, previsto e punido, nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo 240.º do Código Penal, nem para a instrução de processos de contraordenação por violação do artigo 27.º da Lei n.º 27/2007, de 30 de julho, dita Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido (LTSAP), informa-se que a mesma foi remetida, por um lado, ao Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto e, por outro, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, pedindo a estas entidades que, dentro das respetivas atribuições e competências, lhe deem o seguimento adequado.”

A falta de controlo moral de um grupo de mulheres deu frutos

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Histéricas e reservatórios de esperma foram alguns termos utilizados para definir as mulheres que participaram numa ação contra a misoginia explícita dos barbeiros do Figaro´s barber shop. Muitos debates e muita tinta correu desde então, falou-se de género, desigualdades entre sexos, pertinência desta ação, prioridades de luta, futuro destas meninas “prontas para ir para a Síria”, entre muitos outros temas, alguns mais ignóbeis, outros de grande qualidade. Falou-se no estrangeiro e na Assembleia Municipal de Lisboa sobre a ilegalidade dos princípios do estabelecimento em causa. Todos estes debates foram importantes para se compreender o estado da questão da misoginia e discriminação de género neste país. Ontem ao passar em frente da barbearia, não vi a placa abjeta que mais não era que o espelho da atitude dos barbeiros. Estamos diante uma pequena mas muito grande vitória?

PAF! Desapareceu! 

Isis, o “monstro”.

Na sequência do post de PDuarte em baixo e para quem compreende francês, um dos únicos vídeos em que se diz verdades, num programa de grande audiência na Tv2 francesa. Alguém que se exprime claramente sobre aquilo que sabe do terreno. Não concordo integralmente com o que diz, mas ataca dois pontos essenciais : – primeiro, o problema não é a segurança interna em França mas sim a política externa do ocidente que adora os fundamentalistas religiosos quando estes são liberais economicamente ; – segundo, deixou-se crescer um monstro e é ele agora que escolhe o timming dos atentados. Atua da seguinte maneira : primeiro ataca a população, incluindo os muçulmanos residentes no ocidente, depois é paciente, observando as consequências do pós-atentado, nomeadamente as medidas que fazem cerco às populações supostas ou reais muçulmanas, cujo proveito máximo é tirado pela direita. Deve-se saber que atualmente o ISIS tem meios suficientes para fazer atentados quotidianamente no ocidente, mão-de-obra disponível para isso não escasseia na organização. Ao contrário, espera a revolta e radicalização da população vulnerável contra o sistema opressor, para engrossar fileiras e fazer crescer a massa. Não nos enganemos, o « monstro » tem sido bem mais inteligente do que nós. Se os governantes não fossem tão estúpidos e ambiciosos (os nomes dos culpados são conhecidos, basta lembrar Iraque 2003) e se os filhos dos responsáveis dos serviços secretos, das agências de inteligência ou de todos aqueles que desenham estratégias geopoliticoeconomicas começassem a ser vitimas neste tipo de atentados, o “monstro” talvez não tivesse tanta liberdade para expandir as suas atrocidades. #VosGuerresNosMorts.