“Treze (tristes) teses sobre o turismo”

Por Pedro Levi Bismarck – arquitecto, editor da revista Punkto

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Já saiu mais um número do Jornal Mapa

Cada vez mais perto de todos, o Mapa aborda matérias de um raro e notável interesse, que raramente vemos serem aprofundadas noutras publicações de carácter informativo. Aí está mais um número a não perder, desta vez com um dossier dedicado às condições esclavagistas que se impõem aos imigrantes que trabalham nos campos da Península Ibérica e outro dedicado ao papel reservado ao mar e aos portos nos desenvolvimentos mais recentes da economia capitalista. Pelo meio, não faltam outros tantos motivos de interesse.

“Reabilitação ou comercialização de 30 monumentos nacionais?”

Por Maria Ramalho – arqueóloga, presidente da Comissão Portuguesa do ICOMOS

Artigo publicado hoje no Público (fotografia e sublinhados meus)

Jardim do Conventinho do Bom Jesus de Valverde, Évora

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Notas para uma crítica radical do turismo (VII)

O que faz mover

um turista?

Vimos já que, do universo de viajantes que se deslocam pelo planeta, o turista – que representa claramente a maior fracção desse universo – apresenta um conjunto de particularidades que tornam possível esboçar uma sua caracterização. Aquilo que ficou ainda por responder foi: o que motiva hoje alguém a mover-se até Lisboa, Banguecoque ou Moscovo para, em 3 ou 4 dias, gozar de uma ilusão de aventura e exotismo em cenários substituíveis e estandardizados que foram previamente formatados para poderem ser reconhecidos instantaneamente? O que estimula alguém a deslocar-se a um qualquer território longínquo para com ele não construir mais do que uma relação precária, passiva, previsível, superficial que o interdita de se apropriar de cada um dos seus lugares? A resposta que aqui gostaria de ensaiar é a seguinte: é simplesmente para sentir-se vivo que o turista corre um mundo cuja essência lhe escapa mas cuja aparência admira. O turismo (tal como – ainda que de um outro modo e para um público mais amplo – o futebol) é a terapia de choque com que a burguesia entediada tenta recuperar o prazer da surpresa e da aventura que a monorrítmica rotina capitalista sadicamente eliminou do seu quotidiano. Passo a explicar.

O dia-a-dia das classes médias está cada vez mais reduzido a um conjunto de experiências banalizadas e repetitivas. A divisão contemporânea da cidade em zonas de consumo (situadas maioritariamente na periferia) e em zonas residenciais (igualmente periféricas), apenas acessíveis ao automóvel, esvaziou o centro das cidades (mesmo nas pequenas capitais de província), privando as classes médias de um relacionamento diário com a cultura material que os caracterizava: velhas arquitecturas; jardins; praças, esplanadas e cafés com vida colectiva; lugares de memória; museus; teatros; etc. Por outro lado, o aumento da pressão laboral gera um estado de stress e exaustão quase permanentes, levando inúmeros assalariados ao burnout. O aperfeiçoamento dos métodos gestionários e totalitários de incremento do desempenho profissional, que procuram extrair cada vez maior rendimento dos trabalhadores, compreende um excesso de carga horária e uma disponibilidade permanente (que o telemóvel e o email fazem prolongar mesmo para fora do posto de trabalho) responsáveis pela banalização da infelicidade, da doença e da depressão.

Somando tudo isto, não custa entender a dessensibilização que no quotidiano assalta os indivíduos perante o que os rodeia. Estes tornam-se assim potenciais consumidores da terapia de choque que lhes poderá devolver a sensação de estarem vivos. Tornam-se portanto potenciais turistas. Quando, na sua rotina, alguém realiza sempre as mesmas tarefas robotizadas e, como um autómato, percorre sempre os mesmos espaços, observa cada vez menos os diferentes matizes que os caracterizam e diferenciam. Deixa assim de surpreender-se, tornando-se insensível a tudo o que, transcendendo a sua bolha individual, é percebido como um todo indiferenciado e vazio. Isso manifesta-se claramente na ausência de desejo que a maioria de transeuntes que diariamente atravessa Lisboa revela para explorar as múltiplas camadas de singularidades (de natureza antropológica, artística, paisagística ou arquitectónica) de que é composto o território em que vive. É comum que quem passe todas as suas noites nos dormitórios de Oeiras ou do Cacém e percorra diariamente os mesmos trajectos para trabalhar no Parque das Nações e consumir no Colombo não saiba o que é aventurar-se nas ruelas mais recolhidas da Ajuda ou nos misteriosos becos do Beato.

E é a preguiça para recuperar essa sensibilidade perdida, ante a poesia do território circundante, que faz de alguém um potencial turista, desejoso de viajar a um qualquer lugar distante para recuperar, de um modo fácil e cómodo, aquele prazer perdido da surpresa e da aventura. O turismo é assim, em boa medida, uma resposta a esta dessensibilização. Mais do que uma mera fuga do quotidiano, do vazio de emoções, de acontecimentos, de aventuras e excitações em que ele se converteu, o turismo exprime uma fuga que o indivíduo faz de si próprio e da sua vida. O turista foge do confronto com o vazio, não do quotidiano, mas de si próprio.


Notas para uma crítica radical do turismo (I): A falsificação do real  / Notas para uma crítica radical do turismo (II): O turista – esboço de definição / Notas para uma crítica radical do turismo (III): O turismo, uma invenção do capitalismo / Notas para uma crítica radical do turismo (IV): O turismo prolifera lá onde o território se separa dos seus habitantes / Notas para uma crítica radical do turismo (V): Tendências gastronómicas promovidas pelo turismo / Notas para uma crítica radical do turismo (VI): O turismo, uma revolução semiótica sem precedentes

Adrien Silva, o líder da revolta contra Bruno Carvalho e Jorge Jesus

 

Em causa as palavras de Jesus, aqui autopsiadas, e a raiva contra Bruno Carvalho, o patrão que não o deixou sair para ir jogar num clube à altura da qualidade do perfume do seu futebol. Isso ou então são saudades de jogar na Briosa. Tudo compreensível, em suma.

“A esquerda e a Síria”, entrevista de Yusef Khalil a Yasser Munif

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Behind the humanitarian disaster of the Syrian civil war is a political crisis the Left urgently needs to understand. The Syrian tragedy is a key moral and political question today. Yet it has not been easy for leftists around the world to decide where they stand on Syria.

To illuminate the history and nature of the Syrian conflict, Yusef Khalil for Jacobin conducted an extensive interview with Yasser Munif, a Syrian scholar who studies grassroots movements in the country. The wide-ranging discussion that follows focuses on such core issues as the character of the Assad regime; the roots and development of the Syrian revolution, and the various opposition groups active there; regional and global interests and interventions; and the tasks and responsibilities of US solidarity.

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