Conferência com Miko Peled, fundador da Electronic Intifada

10435910_10152085734687452_8719974829831351862_n

“Miko Peled é uma dessas pessoas, um judeu nascido em Israel, profundamente comprometido com a causa de uma Palestina livre de apartheid. Apesar de uma sobrinha sua ter morrido num atentado suicida palestiniano em Jerusalém, Peled nunca deixou de defender o direito dos palestinianos à resistência e de culpar a ocupação israelita pelos atentados que vitimam vidas inocentes.”

Miko Peled, um dos criadores da Electronic Intifada, estará em Lisboa para uma conferência intitulada: “É possível acabar com o genocídio na Palestina?“, que terá lugar no dia 15 de Março, no auditório do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, pelas 18h30, na Rua Fialho de Almeida, 3 (metro São Sebastião).

Via Comité Paslestina

Fazer ao Continente o que o Continente faz aos seus trabalhadores

10653287_10204370446035333_516895998289859582_n

O capitalismo, que da sua fase selvagem parece já ter chegado à sua fase demente, trata os trabalhadores com menos dignidade do que trata a matéria-prima. Vale mais a segurança da obra do que da mão que lhe acrescenta valor. A torrente de denúncias que se abriu com esta denúncia (actualizações aqui e aqui) forçou o Continente a responder na rede mas os Órgãos de Comunicação Social não parecem interessados em investigar o assunto. Não o fazem porque o Continente é uma das grandes fontes de publicidade, não só da imprensa da Sonae, mas da esmagadora maioria dos meios com quem mantém boas avenças para o efeito. O interesse público que o Esquerda.net, o Ganhem Vergonha, o Guilhotina.info, o Indymedia  ou o Aventar não tiveram dúvidas em identificar, não tem como ganhar raízes nas redacções da imprensa servil.

Apesar do silêncio as denúncias ganharam força nas redes sociais. Milhares de partilhas e de visualizações tiraram do silêncio a voz de dezenas de trabalhadores, todos eles com relatos impressionantes das técnicas usadas pela Sonae para maximizar o seu lucro por cima de toda e qualquer noção de direito ou humanidade.

Face à gravidade das acusações, o Continente respondeu, não dizendo muito e deixando perceber, numa resposta que devia ser explicativa, que não sabe estar no mercado sem ser de forma intimidatória.  Alega que a natureza anónima das denúncias os inibe de comentar o seu conteúdo (quando muitas delas, naturalmente dos trabalhadores que já não trabalham no Continente, foram feitas sem qualquer jogo de sombras), e que enviou o caso para as “autoridades competentes”, não se percebendo se isso é uma investigação interna de natureza persecutória ou o tribunal do trabalho que devia, face ao exposto, sacudir cada uma das mercearias do Belmiro de fio a pavio.

Confrontados com a insistência na sua página de facebook o Continente acabou por ceder o contacto do responsável pelas relações públicas, que pode e deve ser entupido de queixas. Caso prefiram, podem também usar o mail da instituição, que devia levar com um tsunami de reclamações. Há que responder ao terrorismo laboral com terrorismo cibernético.

Que não vos doa os dedos que à Sonae não lhe dói a alma!

ajuda@continente.pt

Untitled

Entrevista com Rui Cruz, fundador do Tugaleaks, um dos detidos na Operação Caretos, onde sete pessoas são acusadas de cibercrime.

rui-cruzComo te sentes face aos acontecimentos e qual o teu ponto de vista sobre todo este processo?

Sinto-me injustiçado. Estou a ser vítima de um processo verdadeiramente desumano. Privaram-me do direito legítimo e constitucional ao trabalho. A minha detenção é um atentado à liberdade de imprensa. Estou inocente dos crimes que me acusam e, até que o processo acabe, estou proibido de exercer a minha actividade profissional. Não posso celebrar contratos que visem serviços de internet. Não posso sequer aceder à internet. O alegado perigo de reincidência não faz nenhum sentido pois eu estou inocente. É tão ridícula a medida de coação que, levada à letra, nem sei se posso usar o multibanco uma vez que ele está ligado à internet.

De que vos acusam? O que procuraram saber? Podes descrever-nos o que se passou, como procedeu a polícia quando chegou a tua casa? O que apreenderam?

Acusam-nos de cibercrimes. Apareceram durante a manhã. Bateram à porta, entraram e só depois mostraram o mandato emitido por um juiz. Estava presente a juíza, um Procurador e a Presidente do Sindicato de Jornalistas, a Sofia Branco, por ser obrigatório por lei. Apreenderam todo o material informático que estava a usar naquele momento. Dos telefones aos computadores, tudo. Acusam-me de estar a apoiar as actividades de hackers apenas por divulgar a informação relativa à sua actividade. Confundem dar as notícias com o fazer parte da notícia.

E por quanto tempo te mantiveram detido?

Dois dias e uma noite.

E o que aconteceu nesse período?

Sobretudo o interrogatório onde perguntavam coisas relacionadas com as buscas, mas não posso sobre isso acrescentar mais por estar obrigado ao segredo de justiça. Chegaram a acusar-me de hackers, mas essa acusação caiu logo por terra. É evidente que sabem que eu sou apenas um jornalista, mas pelos vistos eles entendem que fazer notícias é uma actividade criminosa… Saí com termo de identidade e residência e proibido de aceder à rede. Estou igualmente proibido de contactar com os outros arguidos, pelo que assumo que os outros arguidos fazem parte do mesmo processo.

E o que fez o Sindicato, a Comissão de Carteira ou a ERC até agora sobre o assunto?

Nada. Que eu saiba nem uma palavra. O sindicato não emitiu nenhum comunicado. Tenho tido de resto mais apoios internacionais do que nacionais. Por exemplo dos Reporter without borders. Tomaram posição. Em Portugal ninguém disse nada. Estou também a tentar apoio financeiro, que com esta medida de coacção ficarei sem dinheiro para viver em muito pouco tempo sem fundo de maneio. Eu trabalhava para uma empresa para quem prestava serviços, por intermédio de outras empresas, há oito anos, e decidiram dispensar-me assim que viram as notícias sobre a detenção. Estava a contrato e terei subsídio de desemprego, mas o processo pode demorar mais do que isso.

Achas que há relação entre estas detenções e o recente pacote de leis alegadamente desenhadas para combater o terrorismo?

Não sei. Sei que no dia seguinte a ministra anunciou mais um pacote de medidas de combate ao cibercrime, para fazer jogo político em cima dos acontecimentos. Após uma detenção mediática, com acesso privilegiado a informação, para justificar politicamente da sua ala partidária e para convencer a opinião pública das novas medidas de combate ao cibercrime anunciadas. Para mim isso tem um nome: oportunismo político.

O que achas que pretendem com este processo, politicamente falando?

Julgam que prendendo uns quantos acabam com os anonymous, mas já perceberam que isso não é assim. Ao mesmo tempo que essas pessoas estavam detidas outras pessoas continuaram os ataques. Estão a tentar destruir os anonymous ligados a ataque informáticos mas isso não é possível. Prendem um logo outros continuam.

Tens advogado?

Sim, chama-se Jaime Roriz. Ao que sei os outros arguidos ficaram com os advogados dados pelo Estado, eu, pelas particularidades do meu processo, preferi encontrar alguém que tivesse noção da minha actividade e me conhecesse pessoalmente. Tenho agora a preocupação de pagar o advogado, além da sobrevivência, mas acredito na solidariedade. O fundo de maneio não dá para quase nada, não tenho alternativa senão confiar nisso e na celeridade do processo. Espero que com o recurso que vai ser apresentado a juíza analise novamente as coisas e recue com esta decisão desumana.

Vão continuar a escravizar milhares de pessoas até quando?

Perante os relatos revelando abusos aos funcionários da empresa, o Continente saiu do silêncio com um ‘comunicado’ (publicado numa caixa de comentários do Facebook) que é um verdadeiro tratado de hipocrisia:

Continente 2

Continente 1

Tanto artifício, tanta habilidade, tanta falta de vergonha.

Nem uma única palavra sobre a torrente de desabafos e escândalos reportados pelos seus trabalhadores. Sobre isto, e se tivessem um pingo de consideração por estes, poderiam ao menos ter dado a resposta típica: iremos averiguar. Mas nem sequer disso foram capazes. Dizem apenas que “não se podem pronunciar”, fingindo que o tema não existe, que tudo não passa de loucura, de capricho ficcional de quem lá trabalha.

Ou seja, sobre a humilhação e o terror físico e psicológico a que submetem boa parte dos seus funcionários, nada de nada. Porque para o Continente, conforme demonstraram com precisão todos aqueles desabafos, é precisamente isso que valem as pessoas – nada, zero. O resto são os malabarismos da propaganda oca habitual: projectos de apoio social, políticas de emprego, produção sustentável, responsabilidade social, blábláblá…

Vão continuar a escravizar milhares de pessoas até quando?


[Nota: o vergonhoso ‘comunicado’ que aqui divulgamos foi publicado hoje, pelas 8h, pelo Continente numa caixa de comentários da página do ‘Ganhem Vergonha’ no Facebook, e foi, pelas 10h, apagado da mesma página pela empresa do grupo SONAE]

Pedro Passos Coelho sobre Pedro Passos Coelho: “E depois há muitos, que deviam pagar os seus impostos e não pagam. E porquê? Porque não declaram as suas actividades. (…) Mesmo o pequeno privilégio, se há quem se ponha fora das suas obrigações para com a sociedade, tendo muito ou pouco, esse alguém está a ser um ónus importante para todos os outros, que têm um fardo maior.”

Não há muito a acrescentar ao que já se disse aqui, aqui e aqui, a não ser que Passos Coelho, com este caso, arruinou a já curta margem que tinha para governar.

Passos Coelho confunde as Finanças com a Segurança Social ou também deve ao fisco?

Passos-Coelho-primeiro-ministro-de-Portugal

“Não tenho nenhuma dívida ao Fisco e quem, por via do seu zelo, quiser invadir a minha esfera privada hoje para falar de declarações que possa ter apresentado fora de prazo e com multa, multas de trânsito que possa ter tido ou qualquer outro facto desta natureza, não encontrará nunca no cidadão Pedro Passos Coelho ninguém que como primeiro-ministro usou o lugar que tinha” (…) “Há jornalistas que querem expor episódios da minha vida fiscal apenas com o propósito de querer sugerir que somos todos iguais.

Em que é que ficamos Passos Coelho, deve às finanças, à segurança social ou a ambos? É que ao contrário do que diz as questões fiscais só são de natureza pessoal no dia em que abandonar o cargo que ocupa em nome de todos os cidadãos. Mesmo nesse caso, e por via da sua acção governativa, se a dívida for superior a 3500 euros pode mesmo dar prisão. Entendido? É favor de se voltar a explicar. Não tem sido completamente claro mas a cada vez que fala se compreende um bocadinho mais. É continuar.

Passos Coelho “esqueceu” de cumprir com uma lei que aprovou

224800_863537577039550_4192738891368658053_nApesar da dívida de Passos Coelho ser legítima, ao contrário da dívida “pública”, ele devia aplicar ao país a mesma regra que aplica a si próprio: esquecer-se de pagar e, quando ultimado, só pagar metade sem juros. A imoralidade que reclama para no seu caso seria a única moral capaz de abrir caminho para salvar as contas públicas. A falcatrua não deve ser suficiente para fazer companhia ao Sócrates em Évora – nem a Tecnoforma foi – mas é de sobremaneira pedagógica no que diz respeito ao Futuro. Já a dimensão ideológica do seu lapso, convenhamos, não há quem engula. É que além da dualidade de critérios sublinhada aqui pelo Menor, há ainda o facto de ter sido ele a aprovar a lei que agora alega não se lembrar.