Morrer no Mar

As imagens que nos chegam não são só imagens, são cicatrizes no avesso dos olhos que ficarão gravadas para vergonha colectiva de um continente criminoso. Lamento. Não foi em meu nome mas lamento. Não consigo deixar de sentir que também eu devo desculpas a todos os que não conseguem cá chegar. Farei o que for possível para derrotar os governos que assinaram esta política, estes crimes, esta vergonha. Que seja a Europa a morrer no mar.

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Paulo Portas, um guião às sete vidas do camaleão

Depois de se provar que Passos Coelho é um aldrabão invertebrado, agora é a vez de demonstrar que Paulo Portas é um caso raro – há muitos, é verdade, mas poucos como este – de alguém mais não é do que um catavento, um egomaníaco para quem a palavra não vale nada, para quem todos os meios justificam os seus fins. É um charlatão irrevogável, um parasita da coisa pública, um terrorista do Estado. Este vídeo, estou certo, vai ajudar a que todos tenham consciência disso.

Os que venceram os muros da Europa

Os números oficiais apontam para 100 mil pessoas que só no último mês chegaram à Europa. Ninguém sabe quantos mais se preparam para partir, mas é certo que são largas centenas de milhares. A este número falta somar aqueles que desistem e aqueles que não aguentaram a jornada. O Mediterrâneo é cada vez mais uma vala comum e todos os dias chegam imagens que ilustram a luta dos que se fazem ao mar e à estrada para mudar de vida. O Ocidente, hipócrita, cerra fronteiras ou abre-as na directa medida que possa tratar todos os que chegam como escravos assalariados, onde não poucas vezes o salário tem a forma de uma taça de arroz. Ainda assim, e porque todos têm o direito a partir, as imagens que escolhi para este desabafo têm todos algo em comum: o sorriso ou os dentes cerrados de quem depois de lutar, venceu. Estes são os que chegaram. Fugiram de locais onde lhes foi retirado, muitas vezes em nosso nome, o direito de ficarem. Bem-vindos sejam!

L’OBÉISSANCE EST MORTE | Um milhão de visitas

Pavé4

Este espaço, que se aproxima do segundo aniversário, nasceu em Outubro de 2013, e chega hoje ao milhão de visitas. Os números valem o que valem, dirão alguns, mas são reveladores de que não falta quem procure alternativas para pensar o mundo fora das fronteiras da imoral legalidade que nos é imposta pelo regime. Em cerca de 1500 entradas este foi sempre um espaço de liberdade, sem qualquer constrangimento de nenhuma ordem. Uns chegaram. Outros partiram. A desobediência continua. Agora que confirmamos que estava alguém desse lado o desafio é levar a desordem da rede para a vida. Dos subterrâneos para a rua. Não é possível vergar o jugo com que nos têm domado sem impaciência. Sem pedras da calçada. As urnas de voto, as manifestações, o frenesim peticionário, as proliferações artísticas não bastam. É preciso mais. É preciso derrotar a obediência. No virar desta marca não nos ficamos por agradecer aos leitores e a todos os que ajudaram a divulgar este blogue e fizeram a sua parte a disseminar e a dar letra ao onanismo. Desta vez, a par do agradecimento, o momento é para exortar à acção, individual ou colectiva, por todos os meios necessários.

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“Queremos erros novos”, por Gervasélio Pimentão

il_340x270.480054389_4x0mDepois do 25 de Abril e do fim do fascismo o novo sistema político português assumiu o pressuposto fundamental das democracias liberais em que se inspirou: o poder deve estar em última instância nas mãos do povo que pode escolher a melhor proposta política apresentada pelos veículos privilegiados que são os partidos. Em democracia representativa a existência de uma multiplicidade de propostas é fundamental para que haja possibilidade de escolha e de mudança, se considerado necessário. Idealmente, os eleitores que não se revirem em nenhuma delas podem organizar-se livremente num novo partido e apresentá-lo a eleições.

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“Devemos participar nas eleições burguesas?”, por Carlos Marques

votarDepende. Em determinadas realidades e fases de luta sim, e noutras não.

Se por um lado não há uma resposta chapa 5 a esta pergunta; por outro lado para um partido que não tenha princípios nem estratégia, qualquer resposta serve. Chapa 5 dos esquerdistas é ‘não’, nunca participar. Chapa 6 dos revisionistas é ‘sim’, participar sempre. Os leninistas não usam as palavras ‘nunca’ e ‘sempre’ para responder a questões tácticas. Em primeiro lugar, para os leninistas a pergunta está incompleta.

Para responder a esta pergunta devemos colocá-la numa situação concreta, e analisar essa situação concreta. A situação concreta é a realidade portuguesa em 2015.

Então reformulemos a pergunta: na actual situação em Portugal, devemos participar nas eleições burguesas?

Na minha opinião sim.

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Ode à Resistência

Por uma família que se uniu e respondeu à agressão e detenção de um menor, na Palestina Ocupada. Bonita também a homenagem de Carlos Latuff, sobre o episódio.