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Jardineiros à solta nas nossas cidades

fotos de A. Morgenstern, Lisboa (Março de 2017) e Arraiolos (Janeiro de 2017)

E se os palcos das nossas derivas e aventuras quotidianas estivessem repletos de jardins mas esvaziados de jardineiros (destes)?

Contra o medo e a submissão, coragem e desobediência

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Fotografia enviada por leitor, retirada num dos prédios devolutos da cidade de Lisboa. Legenda: Security Check. Materials: Fear and Submission. By: Forest Dump.

A vitória do imperialismo cultural

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Lembra a Jacobin, e muito poucos mais, que os EUA de Bush, seus aliados, cúmplices e percursores, declararam guerra ao Iraque há 14 anos. O conflito que está na origem da dramatização da situação política em todo o mundo, alargou-se a quase todos os blocos continentais e acelerou a divisão do planeta entre países pobres e ricos, países semi-soberanos sob intervenção da infraestrutura financeira, ou países ocupados sob tutela militar. Na macabra matemática da guerra somam-se quilómetros de muros, multiplicam-se trincheiras, subtraem-se vidas e divide-se a humanidade o mais que se pode para que os responsáveis do atoleiro continuem a mandar.

Se nos primeiros anos o avanço da guerra teve uma inesperada oposição popular, num movimento contra a guerra que não se imaginava possível no tempo do “fim da história”, a verdade é que hoje o movimento parece derrotado, por diferentes ordem de razão e com impacto muito além das questões relacionadas exclusivamente com as fronteiras do movimento contra a guerra. Por um lado, o campo pragmático, fez a sua experiência de governo, com exemplos tão diferentes como Lula ou Obama, Tsipras ou Chávez. Independentemente da generosidade com que se faça o balanço dessas experiências,  é inegável que os resultados do exercício do poder ficaram muito aquém das expectativas. Por outro, os campos mais radicalizados do movimento não conseguiram manter a pressão necessária para conseguir mais do que algumas vitórias pontuais em lutas concretas, quase sempre defensivas face a direitos conquistados anteriormente, e ancoradas em sectores sociais excessivamente delimitados.

Se a cruzada inicial para vingar o 11 de Setembro não ganhou o coração da opinião pública, a cartada do Estado Islâmico – ou derivados – faz hoje as delícias dos propagandistas. A esquerda que outrora ocupava as ruas para dizer que outro mundo era possível, vai paulatinamente ser apeada dos poucos sítios onde teve poder porque replicou ou agravou exactamente  o mesmo mundo que dizia combater. Entre a assimilação e a derrota, venceram os jihadistas da “guerra das civilizações”, seja na sua versão financeira, de colarinho branco e gravata aprumada, seja na sua versão militar, de farda e insígnias aos de falsa bandeira. Não sobrará esquerda à esquerda se ela não for capaz de se levantar ao menos contra a lógica da guerra infinita.

“No toco en ayuntamientos del PP. Me dan tanto asco que no me sale una nota”

Quando em 1983, o ministro da cultura de Mitterrand lhe concedeu a medalha da Ordem das Artes e das Letras, recusou: “Un artista tiene que ser libre en las ideas que pretende defender. A la primera concesión pierdes parte de tu libertad. La única autoridad que reconozco es la del público y el mejor premio son los aplausos que se lleva uno a casa.”

Longa vida ao IDC!

 

O International Dockworkers Council (IDC) produziu um vídeo para contar a sua história e todos o deviam ver. Trata-se de uma verdadeira aula de sindicalismo de combate, que nos mostra os pilares fundamentais do sindicalismo do século XXI: internacionalismo, democracia de base, interligação com outros sectores em luta e combatividade. É um orgulho sentir, sem nunca ter sido estivador, que faço parte desta comunidade e é um privilégio poder aprender com muitos dos que têm dado a sua força a esta construção. Do Estado Espanhol à Suécia, da Austrália aos EUA, a luta continua!

Pietro Caruso, um caso clássico sobre como debater com fascistas

Pietro Caruso foi colaborador da Gestapo e o chefe da polícia fascista. Entre outros, ficou conhecido por ter sido o responsável pelo bárbaro massacre de Ardeatine, num cadastro onde se contam milhares de vidas ceifadas em Itália. Depois de derrotado o fascismo e consumada a derrota da Alemanha nazi, Pietro Caruso foi julgado e condenado à morte por fuzilamento. Que a terra lhe seja pesada e que as suas vítimas não sejam esquecidas. O único debate aceitável com o fascismo é aquele que debate a escolha entre o gatilho e o garrote.

Invisible Republic. Music, Lettrism, Avant-Gardes. International Conference on Music, Avant-Gardes and Counterculture. 25-27 de Outubro, Lisboa

Promovida pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, terá lugar em Outubro uma conferência internacional sobre as obras e o legado do Letrismo e doutras vanguardas do pós-guerra. Mais informação aqui.