Veneza, o melhor destino turístico do mundo

“When it comes to overseas, my favourite place is Venice. I’m an incurable romantic and love the grandeur and ambience of the place. There’s nothing better than sitting in a small restaurant by a canal, enjoying delicious pasta and some local Italian wine. It’s my idea of heaven.” – Alan Titchmarsh

“The nicest hotel I’ve stayed in? The Cipriani, especially if you have one of the suites on the top where you can look out and see the whole of Venice.” – AC Grayling

“I’ve had three wonderful holidays in Venice, which is so beautiful and romantic with the old gondolas and little restaurants on the water. We stayed at the Hotel Danieli and my wife remembers the magnificent four-poster bed in our room. It’s one of those places where you really spoil and pamper yourself.” – Sir Trevor Brooking

Fotos de Martin Parr

Elogio do ócio (I)

 

Nesta nova série, sugerida por uma amiga do blog, Maria Ramalho, iremos partilhar fotografias que documentem singelas mas significativas apropriações do território, improvisadas e poéticas, sintomas difusos de pequenas liberdades que os omnipresentes poderes obstinadamente nos negam enquanto organizam e gerem a nossa participação no trabalho, no consumo e no lazer

O primeiro princípio moral é o direito do homem ao seu trabalho (…). A meu ver não há nada mais detestável do que uma vida ociosa. Nenhum de nós tem esse direito. A civilização não tem lugar para ociosos.

Henry Ford

Foto (Mértola, 2017) e escolha de citação de Maria Ramalho

Sobre a violência sem nome a que o capitalismo diariamente me sujeita

“Vale a pena lembrar este episódio: em 27 de Abril de 2010, por iniciativa de estudantes da Faculdade de Ciências da Cidade do México, realizou-se um encontro, entre estudantes e representantes das comunidades de Jalisco, de San Luis Potosí, do Guerrero e do Distrito Federal que lutam contra a instalação de minas a céu aberto, contra projectos de barragens, de auto-estradas, de criação industrial de gado, de indústrias químicas. Todas estas empresas, norte-americanas ou europeias, exercem sobre as pessoas uma violência sem nome: êxodo de populações expulsas das suas terras, poluição dos rios e dos lençóis freáticos, poluição do ar… Uma interveniente disse a certa altura: É através de tais empresas que a violência é transformada numa forma de vida.”

In: Georges Lapierre, “A comunalidade como teoria e como prática”, Flauta de Luz, número 4, 2017.

Esta hostilidade que nos é dirigida pelos promotores da valorização do capital deve ser evidentemente vista como uma declaração de guerra que não pode continuar a ser ignorada.

“Eu acredito muito que Portugal tem de ser vendido como a Chanel e não como a Zara…Temos que nos saber vender bem… o português não se vende bem. Mas já tá melhor. Eu acho que Portugal já se está a tornar uma marca sexy, que não era”

Notas para uma crítica radical do turismo (VIII)

Eis porque fazer guerra ao turismo se tornou um imperativo: o turista não é um ser inofensivo, fazer turismo é tomar uma opção política pela hegemonia do capital

O turista reúne em si o vasto conjunto de propensões e atributos que o capitalismo gostaria de ver disseminados por cada um de nós. Ele é individualista, é consumidor, é espectador, é obediente, é acrítico, é analfabetoele não é consequentemente nem altruísta, nem activo nem insubmisso; nem muito menos instruído, caso contrário não se contentaria com o consumo passivo de cenários que, apesar de serem supostamente ‘verdadeiros’ e ‘autênticos’, foram meticulosamente formatados por especialistas em comunicação para poderem ser reconhecidos instantaneamente.

Quando um medíocre jornalista do Público ou um reputado professor da Universidade do Porto afirmam que “todos somos turistas”, eles, conscientemente ou não, estão a naturalizar e legitimar cada uma daquelas qualidades em nós (individualismo, consumismo, passividade, obediência, etc.), precisamente aquelas que fazem de nós seres governáveis e agentes sociais unificados pelo capitalismo. Este omnipresente “todos somos turistas” – que também ouvi da boca de todos os intervenientes em debates sobre o turismo – é parte da ideologia neoliberal de que todos somos consumidores, de que não existe vida para lá da mercadoria, de que não existem alternativas a este mundo mediado pelo capital, enfim, de que o capitalismo é mesmo a derradeira etapa da história humana. Alain Badiou: “o que define o nosso tempo é a tentativa de impor à humanidade a convicção de que só há um caminho para a história dos homens (…) sem nunca se afirmar que esse é um caminho excelente, mas apenas dizendo que não há outra solução.” Eis, em síntese, o que nos está a dizer aquele que afirma que “todos somos turistas”.

O turista é o cidadão modelo com que sonha qualquer político que ambicione gerir, sem tensões nem resistências, as democracias liberais em que vivemos. Sobretudo, porque o turista se deixa docilmente coagir, manipular e conduzir, o que não é pouco, sentindo-se (como se isso não bastasse) cómodo e seguro sob a vigilância das câmaras de segurança e das patrulhas da polícia ou do exército.

Na guerra em curso desencadeada pelos promotores da valorização do capital,  o turista sabe muito bem qual o partido a tomar. Desengane-se quem vir nele um sujeito politicamente incoerente, inocente e imparcial, que renuncia a um posicionamento político. Fazer turismo é já em si mesmo tomar uma opção política, tomar partido por um regime político concreto; precisamente aquele que cria, vigia e policia o mundo desigual, estandardizado e vendável que foi recodificado para o turismo. E é precisamente isto que faz do turista o oposto de um ser inofensivo.

Logo, o turista é hoje muito mais do que um mero consumidor de experiência e territórios. Ele tornou-se uma figura exemplar, o personagem padrão das democracias liberais, o seu protótipo comportamental, modelo ideal a que todos deveríamos aspirar. O mundo que, dos picos mais elevados e inacessíveis até aos bairros mais populares, se adultera e mercantiliza para o turismo não é neutro nem apolítico. Trata-se sim do mundo que melhor consegue reproduzir os regimes da especulação, do espectáculo e da aparência que são as iníquas democracias neoliberais.

É neste sentido que os territórios que, durante as últimas décadas, o turista ocupou  devem ser hostilizados e reocupados por quem hoje, na guerra contra a hegemonia capitalista, se mobiliza com vista à constituição de formas de vida colectiva em que as relações sociais não sejam mediadas pelo capital e pela mercadoria, e em que o interesse comum se substitua à busca do lucro. A reapropriação colectiva dos territórios usurpados pelo capital tornou-se um imperativo desta luta que acaba de começar.

Fotos: Barcelona (1,2 e 3), Israel (4) e Rio de Janeiro (5)

Outras notas para uma crítica radical do turismo: (I): A falsificação do real  / (II): O turista – esboço de definição / (III): O turismo, uma invenção do capitalismo / (IV): O turismo prolifera lá onde o território se separa dos seus habitantes / (V): Tendências gastronómicas promovidas pelo turismo / (VI): O turismo, uma revolução semiótica sem precedentes / (VII): O que faz mover um turista?

 

Contra a cientologia do RBI, ciência!

Foto de Renato Teixeira.

“Fundamentally, it would not have been mad to think that Macron himself could have presented the citizen income as part of his programme. Didn’t Grillo and the 5 Star Movement do so in Italy? From the capitalist point of view, this is purely and simply a recognition of the new technical (cognitive, cooperative) composition of the productive proletariat.”

 Ainda não escreveu sobre o resultado das eleições – o que tornará, porventura, este post injusto – mas não resisto a colocar para reflexão esta passagem (ler texto completo aqui) de Antonio Negri. Haja quem, à esquerda e no campo do RBI, reconheça que a ferramenta é o que é, sem os habituais relativismos.

Small World XII: repetition is everywhere

Huaxi village, China:

Unidade de processamento de frangos, China:

Plantação de óleo de palma, Indónesia:

Desfile militar, Coreia do Norte:

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Como seria um mundo sem repetição?


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