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A neutralidade deste(a) artigo ou se(c)ção foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.

É assim, com estas advertências, que começa o artigo ‘Sonae’ na página portuguesa da wikipedia. Para quem sabe um poucochinho do historial ético da empresa, a sua leitura é um exercício hilariante. No artigo, são destacados o apoio da empresa à comunidade e a sua distinção como uma das empresas mais éticas do mundo, sublinhando-se igualmente que se trata da “segunda empresa preferida pelos universitários portugueses para trabalhar”. Ao longo do texto, que reduz sabiamente o contraditório a ZERO, o discurso elogioso e glorificador retrata a multinacional portuguesa como um bem sucedido grupo de benfeitores, revelando que quem faz a comunicação da empresa não anda a dormir e sabe que todos os canais são úteis para as tarefas promocionais.

Autárquicas no Facebook

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Os Tesourinhos deram o mote, seguiram-se o Master Tacho e o Autarqui’Daltons, e outros devem dar à rede durante o Verão para acompanhar as Autárquicas de Outubro de 2017. As próximas eleições autárquicas é para trocar a Judite de Sousa e o Rodrigues dos Santos pelas páginas da especialidade no facebook. Enquanto as televisões, as rádios e os jornais darão à estampa perfis higienizados, debates redondos e reportagens em comícios que não interessam a ninguém, as redes sociais prometem palco a outra forma de olhar para o espectáculo da democracia, denunciando os candidatos catavento, que já foram candidatos por vários partidos e movimentos, os candidatos contraditórios, que defendem algo sem qualquer sentido, ou candidatos que se candidatam a lugares de onde foram corridos pela justiça, por crimes que cometeram no exercício do cargo para o qual agora se recandidatam. Vai ser um fartote!

Otium postmodernum

Fotos (Muralla de la cárcel de la Santé (« Salud »), París. Junio 2017) e texto de Benito Barja

En el siglo XVI, Montaigne decía “Cuando juego con mi gata, ¿cómo sé que no es ella la que juega conmigo?”. En mi siglo espectacular, me pasa igual con los muros de las cárceles.

Tal fue lo que pensé al pasar por la cárcel de la Santé*. No tenía porque estar ahí, solo buscaba un velib (bicicleta en libre servicio) que funcionase: Pero hacía calor y todo París se los había llevado. En fin, que me había perdido.

El sol aplastaba, pero levanté la cabeza. Algo me llamaba la atención. Y veo esas grúas dentro de la cárcel: « Parece que hay tanto productivismo dentro que fuera; esto es una fiesta, como cuando la locura del ladrillo en España! ». Bajé la mirada y vi esa enigmática figura contra la pared. « Sonríe bien o sonríe mal? », difícil saberlo. La confusión y el calor me engendraron cierto vértigo, y también una reflexión: « Pero yo estoy dentro o fuera!? »

Entonces es cuando me vino a la mente aquella frase del filósofo Montaigne, la que tanto me había gustado (la duda cartesiana siempre se me atraganto). Y pienso en mi siglo, con sus torres de cristal que miran y no dejan ver, a un mundo en donde todos somos animales transparentes y dóciles. Aquella gata tenía una libertad y su espectador también, el espectáculo a aniquilado esas posibilidades, ese pensamiento que juega. Todos es rígido ahora, el discurso espectacular de adaptación permanente no es más que el estadio extático de la petrificación: no hay más espacios que los útiles a la circulación de la mercancía, fuera no existe. El problema no es que metan a algunos en la cárcel por rebeldes — además de ser demasiado romántico y anticuado —, el problema es que nos meten a todos en una única granja de pollos llamada Tierra, donde « productivamente » se trabaja a la ruina del planeta y  a la extinción de nuestra especie, tal como la conocemos.

Ocio, libertad o espacio ya solo se concentran en fiebre breve y consiguiente sentimiento. Pero nada nuevo bajo el sol, pues de esa situación primaria nacen las otras; la libertad siempre ha sido un vértigo dialéctico, que impulsa y que hay que conquistar.

* Salud

Elogio do ócio (IV)

 

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Mil vezes sentar-me à vontade em cima de uma abóbora do que comprimir-me entre outras pessoas numa almofada de veludo. 

Henry David Thoreau – ‘Walden ou a vida nos bosques’ (1854)

Fotos (Afurada, Porto, "Monumento ao Herói Pescador", popularmente conhecido por "Chapa", 2014-15) e escolha de citação de Antigoni Geronta

Elogio do ócio (III)

Ganhar o pão do seu dia

Com o suor do seu rosto…

– Mas não há maior desgosto

Nem há maior vilania!

Mário de Sá-Carneiro

Fotos (arredores de Évora, 2017) de PDuarte

 

Elogio do ócio (II)

Se o ensino é acolhido com reticências, ou até com repugnância, é porque o saber filtrado pelos programas escolares contém a marca de uma ferida antiga: ter sido castrado da sua original sensualidade.

Raoul Vaneigem – Aviso aos alunos do básico e do secundário.

Foto (Campus da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Brasil) e escolha de citação de Maria Ramalho