“Como se recrutam arquitectos em Portugal – o caso da Polígono”, por André Pereira

bandeja de prata No passado dia 2 de Abril, a Polígono, um atelier de arquitectura­ de Lisboa, perguntava aos seus seguidores do Facebook se havia interessados num “summercamp em plena Primavera”. A quem pedisse mais informações, a Polígono agradecia o interesse e dirigia os esclarecimentos para a esfera privada, através do e-mail da empresa.

Porém, não foi no dia 2 de Abril que a Polígono tentou pela primeira vez angariar mãos amigas para este “summercamp”. Antes de colocar o anúncio na sua página de Facebook, a Polígono terá abordado um grupo selecto de cinco pessoas, que “desde há tempo tinha debaixo de olho”, para esta experiência. Escrevo “terá” porque só posso confirmar que eu, pelo menos, o fui; desconheço quem serão as outras quatro pessoas, ou se existem sequer para lá da retórica do atelier.

Contextualizemos: no início de Janeiro, abordei a Polígono com uma candidatura espontânea. O texto que enviei fugia um pouco ao protocolo estabelecido de uma carta de apresentação, comunicando num tom desprendido e honesto o meu genuíno desejo de trabalhar neste atelier. Mencionava ainda o meu trabalho como desenhador de banda desenhada, algo que mais à frente será relevante para a compreensão deste texto.

A Polígono respondeu a este e-mail no mesmo registo; agradecendo o contacto e lamentando que, no momento, o atelier não tivesse capacidade para mais funcionários, razão pela qual não me podiam aceitar. Não foi, contudo, uma resposta-tipo, gerada automaticamente, e ainda trocámos alguns e-mails onde me aconselharam outros ateliers com uma visão semelhante e me desejaram a melhor sorte. O tom, repito, foi honesto e afável.

Não voltei a contactar com a Polígono até ao passado dia 24 de Março, quando recebi deles um e-mail em que me perguntavam se ainda estava disponível, pedindo-me para responder com alguma urgência.

Respondi que sim, ainda estava disponível.

No dia seguinte, a Polígono, depois de mencionar que ainda não podia expandir os quadros da empresa, expôs a sua proposta:

“[…] temos neste momento, não uma situação de crescimento sustentado mas um momento em que se juntaram muitas coisas e durante o mês de Abril e Maio vamos ter de aumentar a equipa numa ou duas pessoas, quase exclusivamente para ‘trabalhos manuais’.*

A par de outras pequenas obras construidas por nós, temos uma loja ENORME para fazer na Rua […] que teria de estar terminada cerca de dia 1 de Maio se bem creio que vamos conseguir negociar um pouco a extensão at+e final do mês para finalmente inugurar a 1 de Junho.[sic]

O que temos para oferecer?

Uma excelente experiência tipo summercamp mas em springtime, para uma loja […] que seguramente terá imensa visibilidade e repercursão, num projecto que só está desenhado a 50% e que vai ter de ir sendo desenhando [sic] em grande parte à medida que se vai construindo. Não é pêra doce. É trabalho rijo e intenso fisicamente. Dará seguramente um grande sentimento de dever cumprido e orgulho mas o que caminho é espinhoso e árduo [sic]. Nós estamos motivados, comprometidos e com mãos na massa mas sabemos que só nós, não chegamos lá….

A retribuição por outro lado não pode ser nada de extraordinário… imaginámos 500€ pelo conjunto dos dois meses…

Sabemos que é uma ‘merda’… não tem outro nome… mas pensei em ligar a 5 pessoas que desde há tempo tinha aqui debaixo de olho – entre os quais tu (pelo teu texto, pelos teus desenhos) – e pensei:

não custa perguntar…”

*[é conveniente esclarecer que a Polígono aborda todas as fases do projecto de arquitectura, desde as peças desenhadas ao momento da construção e aplicação de materiais em obra, nos quais os arquitectos da empresa intervêm directamente.]

E terminando a sua proposta, a Polígono rematava:

“se achares que te enquadras nisto, e consegues ver uma oportunidade onde outros verão não mais do que outra coisa qualquer, avisa e vem conversar connosco”

Perguntar não custa, mas pagar as contas sim. Respondi-lhes seca e inequivocamente que, naquelas condições, não aceitaria a proposta. A Polígono respondeu de volta, demonstrando-me a oportunidade que eu tinha acabado de desperdiçar:

“Como deves calcular, se soubesse que não ias aceitar, não teria gasto tempo a falar de nenhumas condições.

Pensei em ti, não tanto como ‘dois braços’ mais mas como alguém a quem dar ‘campo de corrida’ para ser lançado à sua própria imaginação em interpretação de paredes e ilustração, sabendo que o hall de entrada será tudo indica trabalho do Mário Belém, as cadeiras da zona de pagamento são da Joana Vasconcelos, o nome [da loja] vai ser ‘escavado’ pelo Vhils e o acompanhamento fotografico da obra está a ser feito pelo Tiago Cunha Ferreira.

Achei que também a Poligono poderia ‘aparecer’ com ilustração em paredes e assinada por ti.

Sei que não me enganei quanto às tuas capacidades e sei que tu não te enganaste quanto à determinação em recusar condições de trabalho impróprias para um trabalho.

Acontece que isto não era um trabalho…para ti era um oportunidade em bandeja de prata. Pensei eu.

Enganei-me

Peço desculpa.”

Para a Polígono, aparentemente, as coisas não são o que são se lhes dermos outros nomes e, se se quer aparecer, há que estar disposto a pagar o preço (neste caso, não o do meu trabalho). Para além de tudo isto, claro, ainda tenho é de estar agradecido.

Depois de voltar a responder-lhes, salientando que certamente nenhum dos nomes citados pela Polígono estaria a gastar o seu tempo e trabalho a troco de nada, a Polígono concluiu a nossa troca de mensagens.

“Entendo as tuas razões.

Sao legitimas as suposições que fazes se bem que não correspondam, neste caso, à realidade dos factos

Entendo as tuas razões mas não entendo porém o teu enfado.

Em qualquer caso não creio que valha a pena extender esta conversa.

Desejo-te a maior sorte nos teus objectivos,”

Analisemos, então, a realidade dos factos:

A Polígono propôs uma “excelente experiência” de “trabalho rijo e intenso fisicamente” (e que não era “pêra doce”) a troco de 250€ por mês. Depois de ver rejeitada a sua proposta, este “trabalho” passou a ser “uma oportunidade em bandeja de prata”, oportunidade essa que permitiria à empresa “aparecer” ao lado de nomes sonantes da praça pública com trabalho assinado por alguém cuja remuneração, à falta de pagamento condigno, incluía “grande sentimento de dever cumprido e orgulho”. E quando esta proposta é recusada, porque tal como o atelier reconhece, as condições são uma “merda”, ainda temos de explicar de onde é que vem o enfado.

Propostas para trabalhar a custo zero ou com valores abaixo do ordenado mínimo são o pão nosso de cada dia para qualquer arquitecto português em início de carreira. Que essa miserável realidade tenha sido absorvida pelo meio de tal forma que os ateliers já nem reconhecem quando estão a explorar mão-de-obra qualificada a troco de nada, dando-se ainda ao luxo de pregar sermões sobre oportunidades desperdiçadas, é demais.

Não é um “summercamp”, Polígono: é mesmo exploração.

André Pereira

187 thoughts on ““Como se recrutam arquitectos em Portugal – o caso da Polígono”, por André Pereira

  1. QUANTO É QUE ELES PAGAM Á EMPREGADA DA LIMPEZA???? SE CALHAR NADA!!! DEVEM DIZER Á POBRE QUE LIMPAR AQUELE ATELIER É UM SERVIÇO DE TALHERES TALHADOS A OURO!!!! FAÇAM QUEIXA DELES…

  2. Sou professora do secundário há 15 anos. E tenho conseguido trabalho todos os anos (embora sem colocação no ensino público) em escolas profissionais de Lisboa, em Moçambique e em Angola.

    Em 2011 voltei de Angola e fui trabalhar para a escola onde estou ainda. Neste ano letivo a escola passou a contrato alguns professores (antes estávamos todos a recibos verdes). Apesar desta mudança os valores hora baixaram e atualmente recebo 560 euros de ordenado. Acrescento que tenho 6 turmas, uma direção de turma, sou orientadora de projetos finais de curso e coordeno o jornal escolar.

    Em Portugal há de facto famílias que se sustentam com valores assim, sendo consequentemente obrigadas a viver de forma precária. Temos casos de alunos que não têm dinheiro nem para comer condignamente, podia contar-vos vários episódios definitivamente alarmantes.

    Com isto tudo quero dizer que:

    O autor do post fez muito bem em revelar a troca de mails. Não devemos vestir a capa de indignados por ter recusado trabalhar pelos valores apresentados nem sequer por tornar a situação pública.

    Acho que devemos ser compreensivos. Cada um sabe de si, ou seja, cada indivíduo pode recusar a exploração evidente ou aceitá-la resignadamente.

    Na minha opinião, a recusa foi a resposta óbvia. Não me parece correto termos uma atitude condenatória ou paternalista para com o autor.

    Apresentei a introdução pois considero que, pela primeira vez, estou a cair no grupo dos resignados que aceitam trabalhar por valores baixos. E este não é um panorama que me orgulha ao fim de 15 anos a dar aulas.

    Todos, sejamos engenheiros, professores ou arquitetos, merecemos trabalhar em melhores condições, com melhores salários. Não é coerente discutir que profissão desempenha o papel mais essencial na sociedade, cada uma tem a sua relevância. Nem discutir anos de trabalho ou de experiência.
    Reforço, todos, independentemente de idade, profissão, escolaridade e afins merecem viver melhor.

    Em suma, o autor do post fez uso da sua liberdade de expressão e deu um passo para despertar a indignação e destapar o aproveitamento de muitas entidades patronais. Já que este texto será lido e difundido por muita gente. Pode ser uma gota num oceano, mas se forem muitas gotas a cair como esta, as probabilidades vão aumentando.

    Termino sublinhando a minha infeliz resignação e o meu maior apreço pelo autor.

    Saudações a todos.

  3. Em primeiro lugar, que merece, mando-te um abraço André, pela coragem. Mais arquitectos houvesse como tu, com respeito pela própria profissão.
    Em segundo lugar… Custou-me ler alguns comentários… Como é possível haver gente tão ressabiada e miserabilista?! Estamos a falar de arquitectos, mas isto é uma constante… Enfermeiros por exemplo! E esses têm riscos diários, a trabalhar a 4€/hora a recibos verdes! Mas alto, espera lá, há que começar por baixo! Não te queixes infeliz! Escolhesses outro curso! Antigamente dizia-se: “Estudasses”! O que o nosso amigo electricista (profissão que respeito como outra qualquer) nos quer dizer é: “Não estudasses”!!! Hehehehe…

    Surreal, parece ficção esta merda.

    Reforço a ideia, mais gente houvesse como o André nas várias áreas profissionais, não resolvia o problema de desemprego, mas não andaríamos nesta selvajaria.

  4. Além de ser moralmente indecente tentar aproveitar-se das dificuldades alheias para melhor explorar, também é ilegal!
    O salário mínimo ainda existe em Portugal… embora seja irrisório, mas ainda é uma obrigação e ainda era o DOBRO do que ofereciam ao André por trabalho qualificado, ao que parece, abundante, ao contrário da remuneração vergonhosa oferecida.
    Faz uma denúncia à Inspecção Geral do Trabalho!

  5. Caros,
    Continuo sem perceber se estão a censurar comentários, e por que razão?
    Gostava mesmo de perceber se se trata de uma falha técnica no V blog ou efectivamente de censura?
    Que tenham activada moderação nos comentários é já em si triste (para além de desnecessário) numa plataforma que se propõe assim tão colectiva e que no cabeçalho elogia os que “provocarem a desordem”, citando Debord.

    Mais uma vez,
    – não vejo nenhum aviso de moderação antes, durante, ou após o envio de comentários;
    – não recebo nenhum aviso automático no email introduzido, nem uma cópia do comentário;
    – não encontro um contacto geral do blog em lado nenhum.
    – apesar de ter activado as opções de notificação no fim do formulário, não recebi nenhuma notificação
    x
    Assurbanípal

    ——
    7/4/2015

    Caros,
    Deixei duas vezes o mesmo comentário aqui ontem (segunda-feira) à noite, mas não o vejo publicado.

    Não vi nenhum aviso sobre moderação, aprovação, etc. Se os comentários são moderados, é útil haver uma mensagem de aviso sobre essa mesma moderação para o comentador perceber que não se trata de uma anomalia o comentário não aparecer logo.

    Também não recebi nenhuma mensagem automática relativa ao meu comentário estar pendente ou ter sido aprovado ou não. Mais uma vez, é útil e um procedimento comum o próprio comentário ser automaticamente enviado para o e-mail introduzido, com o tal aviso de aprovação pendente – até porque se não for aprovado, é a única forma de referência futura no caso de o comentador não ter copiado o que escreveu.

    Dei uma vista de olhos, e não encontrei nenhuma forma de contacto do V blog.

    Assim, podem confirmar porque é que o meu comentário não aparece publicado – falha técnica, censura?…
    Cumprimentos,
    Assurbanípal

    ——
    6/4/2015

    É preciso expor estas situações em letras capitais e dar a estas organizações o seu verdadeiro nome: MÁFIA. E a origem destas máfias está nesta mentalidade tão portuguesinha, patente tanto no assédio aqui denunciado como em vários comentários, que é a mentalidade do Salarzinho que ainda há em nós – que não se põe em causa o que o Patrão diz, que temos é que baixar a cabecinha ao Sr Patrão e estar muito agradecidos, enfim, que temos é que, humildemente, delicadamente, com fé, com dedicação, abrir a boca e xupar a pila de um velho sacerdote sentado num trono, por baixo do altar, e engolir.

    Passei pelo mesmo, de várias formas – desde o casal de arquitectos que acumulavam cargos na faculdade, na câmara, na ordem e no atelier, e a quem eu tinha era que estar muito agradecido por me deixarem trabalhar num projecto a sério; até ao restaurante chique em que tinha que fazer horas extra não remuneradas e desdobrar-me em actividades múltiplas, porque um dia ia poder fazer parte de um projecto a sério; até à oportunidade muito especial de fazer um estágio não remunerado num jornal português muito conhecido, muito premiado, que agora praticamente se resume a fazer copy paste do Guardian.

    Piças.

    Há sempre ao virar da esquina um XULANÇO disfarçado da promessa de uma oportunidade de chuparmos uma pila sagrada, porque no futuro vai haver uma recompensa e vamos ter o privilégio de sermos nós também uns XULOS.

    Para uma mentalidade com vários séculos de atraso, talvez um remédio também com vários séculos – enquanto não se começarem a espetar cabeças em paus como se fazia na Tower Bridge em Londres, isto não muda. E passo a citar,

    “Empalamento ou empalação (do latim palus, estaca ou mastro) é um método de tortura e execução que consistia na inserção de uma estaca pelo ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado. (…)”

    1. ps.
      pela primeira vez vejo um aviso de moderação e o comentário enviado aparece pré-visualizado. vou reenviar o comentário original, o único que pretendia publicar aqui.

      1. ps. reenviei o comentário original e recebi uma mensagem de “comentário duplicado”. no entanto, continuo a não ver o comentário original publicado.

  6. Exmo sr arq. Na minha qualidade de desenhador de especialidades terei todo o gosto em trabalhar em qualquer um dos seus trabalhos. Disponha sempre.

  7. Caga nisso André … pelo portfólio da Polígono aquilo parece uma coisa de upcycling- como está hype esta palavra que quer apenas dizer ‘restos’- com estética de hostel e não um atelier de arquitectura ‘a ”séria”… e ainda ‘ganem’ que os arquitectos de interior não são verdadeiros arquitectos… e eu nem sei nada disso… para além disso fazem projectos para espaços de co-working (outro dos meus ódios)… mais uma bela porcaria para a gentrificação ‘barbuda’ das cidades. Finalmente, se as cadeiras são feitas pela Joana Vasconcelos e o lay-out pelo Alexandre Furtado, caga mesmo nisso… (de arte percebo um pouco!). Chega de embustes e arte a meia-haste!

  8. Não percebo qual o espanto do Sr. Arquitecto, talvez por achar que faz parte de uma classe superior ao resto do mundo… Nada tenho a ver com a polígono, desconheço até por completo o gabinete em questão e não procuro de forma nenhuma defendê-lo, mas poderia dar-lhe milhares de exemplos de licenciados em direito que são obrigados a estagiar pelo menos dois anos SEM qualquer tipo de remuneração para poderem passar a ser membros efectivos da respectiva Ordem profissional e consequentemente poderem exercer a sua profissão.

    1. Caro Sr. Dr. Luís Pedro,

      O seu comentário é deveras frustrado consigo próprio. O autor não refere a necessidade de estagiar com o objectivo de ingressar na OA (Ordem dos Arquitectos), mas sim de uma tentativa de exploração directa apelando aos seus desejos profissionais. Cada Ordem terá os seus requisitos de ingresso. Além do mais, se acha que trabalhar 2 anos entre 10 a 12 horas como os estagiários de Direito é algo digno para qualquer jovem, lamento dizê-lo, mas o Caro já está institucionalizado ou pior, lucra com essa mesma exploração.

      Cumprimentos

    2. Portanto na tua opinião devemos todos continuar em situações miseráveis… e ninguém se devia queixar ou denunciar. E vamos todos deixar isto continuar. Melhorar, tentar mudar, melhorar condições, lutar? Nao isso nao e´ para si. E’ melhor continuar na merda para poder ir para o cafe queixar-se de quanto a vida e´ difícil. Impressionante a quantidade de pessoas que se sente intimidada e ate incomodada com o facto de que outros lutam pela sua qualidade de vida e por condições mais justas para todos.

    3. A analogia apresentada é completamente alheia ao tema apresentada. Aliás, atrevo-me a dizer que não percebeu nada do que foi dito. Responde com a descrição de um estágio para ingressar numa actividade (a de advogado inscrito na O.A:, condição que na realidade me parece aviltante,mas que realmente é utilizado por muitos advogados pouco ou nada sérios quando nada pagam aos seus estagiários, muito embora quero acreditar que a maioria dos patrocinadores até remuneram os seus estagiários, já que não estão naturalmente proibidos de o fazer).
      O caso descrito fala de contratação de um profissional já com estágio completado numa área de actividade específica..

      Caso o sr. seja advogado e queira utilizar uma analogia envolvendo a sua área de formação, deverá comparar com uma situação em que um advogado já inscrito na Ordem seja contratado a tempo inteiro, por um escritório ou cliente diverso, pela módica quantia de 250 euros/mês. Essa sim seria a analogia correcta. E saliento a expressão “a tempo inteiro” com “trabalho rijo e intenso”, que faz antever uma actividade que não deixará tempo livre para promover outra actividade remunerada durante esse tempo.

      Na verdade depois de ler este “desabafo” passei a olhar a contratação do citado atelier com um olhar especial. Porque ganhei argumentos de peso se um dia precisar de contratar o mesmo atelier, já que poderei tentar forçar o fornecimento dos serviços do citado atelier a preços escandalosamente baixos, uma vez que passei a conhecer o que é o custo da mão de obra nessa casa. Certamente não terá “cara” para pedir um milhão de euros para projectar um pavilhão polivalente em área nobre de uma qualquer cidade portuguesa. Deverão começar por pedir talvez 500 euros para que possamos cair em valores próximos de 375 euros, que na realidade corresponde na perspectiva deles a 1,5 meses de salário de um arquitecto.

  9. Todas as histórias têm pelo menos 2 versões. Isto aqui mais parece um julgamento sumário e sem direito a defesa. Como sei da fidelidade das transcrições? Como sei que os cortes nas mensagens não omitem aspectos importantes? E por que razão o autor deste post expõe apenas o que supostamente terá sido escrito pela outra parte, mas não as suas próprias mensagens? E por que vai tanta gente atrás, falando de rebanhos e bovinos, dando-se a si mesmo ares de crítica iluminada quando nem sequer mostram entender o que é a crítica e, pelo contrário, a confundem com a maledicência, com o azedume e com o ataque ad hominem? É que entre os comentários há alguns que se assemelham ao tipo de pensamento faccioso das massas enfurecidas que partem em busca de um culpado para as suas misérias pessoais e que, em vez de perguntas e interesse nos factos, levam já nos bolsos as pedras que estão sedentos de atirar. O autor do post deve estar, neste momento, radiante com a sensação de poder proporcionada por este uso deplorável que fez das possibilidades comunicativas da internet. Oxalá não venha a ser ele próprio – nem a seita que aqui o segue e venera – alvo de um ataque assim tão vergonhoso.

    1. Foi dado mais do que direito de defesa. Foi perguntado directamente a eles se tinham algo a dizer. A resposta até agora foi o silêncio, algo que agrava o exposto na denúncia.

    2. Pois… porque os e-mails descritos nem são a realidade diária do mercado de trabalho, deve ser apenas uma vergonhosa excepção. Se concordo que os e-mails não deveriam ter sido expostos, a verdade sobre a empresa deve ser espalhada para que outros não caiam no mesmo erro.

    3. As transcrições dos e-mails são ipsis verbis (incluindo o seu chorrilho de erros frásicos e ortográficos). Os cortes foram feitos para proteger a identidade do funcionário da Polígono com o qual os e-mails foram trocados, bem como o nome e morada da loja. Quanto às sucintas respostas do André, não adiantariam nada ao texto, uma vez que lhes falta a “veia criativa” demonstrada pela Polígono – essa, sim, a única coisa que aqui é deplorável e vergonhosa.

  10. Este assunto não pode ser abordado com tanta ligeireza:
    – em 1º lugar a Polígono não é um a empresa instalada há 20 ou 30 anos, que ganhou rios de dinheiro com a construção civil
    – antes pelo contrario. trata-se dum projecto recente em que um conjunto de jovens arquitectos tenta sobreviver em Portugal, tentando evitar a saída p/ o estrangeiro,
    – cada um deles tem d e fazer todo o tipo de trabalho manual, e digo todos, sem excepção, nenhum deles é arquitecto de gravata, por vezes nem têm tempo de aparar a barba.
    – tiveram que comprar recentemente todo o material, ferramentas, carrinha, etc
    – o pagamento de 250€, pode ser chocante, mas não podemos encarar como um salário, mas sim como uma pequena bolsa dada numa altura de aprendizagem e com horários mais reduzidos.
    – em caso algum esta empresa poderia pagar um ordenado condizente, por exº 1000e + encargos sociais, fecharia logo a s portas, quem lá trabalhar, tem encarar a empresa como uma cooperativa e todos t~em de dar a sua contribuição para a sobrevivência da empresa;
    – s e o governo isentasse a empresa das contribuições p/ a segurança social durante por exº 3 anos, talvez fosse possível fazer alguns contratos trabalho
    Se este grupo tiver sucesso, então esperemos que dentro de 3 ou 4 nos possa pagar verdadeiros salários

    Herlânder – C.Rainha
    (conhecido dos donos, mas sem proximidade)

    1. Disse tudo este senhor. Se isto realmente for verdade, claro.

      Quanto aos ressabiados pseudo-anti-capitalistas, são contra o capitalismo mas querem ganhar bom dinheiro, que leram aquilo que escrevi e distorceram a seu bel-prazer, fiquem a escrever aqui, na internet, custa menos que ir trabalhar e fazer pela vida.

      Posso dizer que não vou olhar para os arquitectos de outra forma, porque conheço alguns e são excelentes pessoas. Mas também tiveram que fazer trabalho “pro bono” no inicio da sua carreira. Caso contrário, hoje tinham que estar a fazer outra coisa qualquer.

      1. “Quanto aos ressabiados pseudo-anti-capitalistas, ”

        Alguém declaradamente anti-capitalista aqui… hmmm, ninguém que tenha dito: morte ao capitalismo ou algum cliché do género…? Não, não me quer parecer!

        “são contra o capitalismo mas querem ganhar bom dinheiro,”

        Porque o salário mínimo é “bom dinheiro” e não nos devíamos ofender por nos oferecerem um salário abaixo desse?

        “que leram aquilo que escrevi e distorceram a seu bel-prazer,”

        Pelos vistos entendes bem da coisa – distorcer, isto é.

    2. Eu até acho melhor:
      Como o corpo tem necessidade de alimento essa cooperativa poderia pagar com um prato de sopa ao almoço e outro ao jantar e para os arquitectos dormirem poderiam adquirir eu 2ª mão uns colchões “usados” que poderiam colocar no local da obra…
      Quanto ao banho um bidon de 200 litros de água dá para pelo menos cinco, e já agora se quiser comentar o meu comentário o email é vimacrsimione@gmail.com

    3. Caro Herlander,

      A Ética e a Responsabilidade são valores que devem guiar-nos no exercício da profissão.

      O facto de ser uma empresa recente, ou dos seus donos trabalharem arduamente, ou de não terem condições de pagar decentemente, não justifica a exploração de terceiros.

      Se não têm condições para pagar condignamente aos seus colaboradores, que exijam melhores honorários aos clientes!!!

      Se desta forma, percebem que não conseguem arranjar clientes, então lutem por uma país melhor, uma melhor economia, uma maior consciência por parte da população do trabalho do Arquitecto, pelo fim do do 226 e 227…. tanta coisa que podem fazer…

      Mas não… Estes supostos esforçados, trabalhadores afincos, empreendedores, nova geração da Arquitectura, o que faz é ir pelo caminho mais fácil:
      Utilizar a crise como resposta à exploração de terceiros.

      Se os donos da empresa querem não ter tempo para fazer a barba é com eles, mas não venham propor condições destas aos colegas de profissão.

      Já viu que se em vez de 250 €, pagassem 50€, poderiam ter 5 colaboradores! UAU! e seria uma oportunidade servida numa bandeja de prata!

      O problema não se restringe à oferta feita, mas à reacção quando ouviram um “não”. Estavam à espera de quê? De serem levados a um altar por propor estas condições? Quando os próprios disseram que era uma “merda”?

      Volto a frisar: Se não têm condições para pagar condignamente aos seus colaboradores, que exijam melhores honorários aos clientes!!!

      Desta forma todos abriríamos ateliers à custa de mão-de-obra barata, com as costas aquecidas por uma crise.

      Vejam o que estão a fazer à Arquitectura, aos Arquitectos, aos Portugueses!

      É uma questão de Ética.

  11. Eu tenho de Experiência os mesmos anos que Poligono tem de abertura da empresa e sei que se trabalhasse lá iria receber menos do ordenado mínimo. Isto porque tenho dois colegas a trabalhar lá nestas condições.

    Três anos é mais de suficiente para não se estagiar mais. Basta.

    1. “Alquem que conhece o atelier” mas tem medo de dizer quem é? Tem dois colegas a trabalhar nessas condições???!!! só se forem os patrões que só conseguem tirar o ordenado minimo. Informa-te porque o que escreves é absolutra mentira! Tão fácil vir para aqui criticar e querer queimar em praça publica sem conhecimento dos factos..

  12. André, como cidadã deste país, tenho que lhe agradecer denunciar estes exploradores pseudointelectuais. Ter consciência das competências que temos e da mais-valia que constituímos para a sociedade e para o país, é uma obrigação de cada um de nós e abdicarmos dela é abdicarmos da nossa dignidade. Falo como mãe de uma arquitecta, talvez sua colega ou contemporânea de faculdade, que com dignidade saiu de Portugal e num país europeu valorizou-se e encontrou grande reconhecimento. Mais do que tristeza, sinto vergonha do meu país. Aqui se humilha impunemente. O país despreza e desaproveita a força dos jovens (e dos menos jovens também) que mais do que nunca têm elevada formação e criatividade. Vão-se os jovens por este mundo fora construir as suas vidas e ficam os velhos. Um abraço
    Maria João Simões Pedro

    1. “Aqui se humilha impunemente”. É o que vocês fazem com a Poligono neste momento. “Vão-se os jovens por este mundo fora..” Pois os jovens desta empresa estão a tentar sobreviver e olhe a facilidade com que os deitam abaixo tendo como garantida a veracidade de um texto de um tal Andre pereira?!… Ficam os velhos, pois ficam. E nós, os estupidos, pelos vistos. Este país não sabe fazer mais nada senão desvalorizar e derrubar quem tenta fazer alguma coisa, quem arrisca, quem cria. Se a proposta de 500euros era baixa não deve ter sido feita com prazer sádico mas sim porque não havia possibilidades para mais! Talvez se o Estado não sugasse uma pornográfica quantia em impostos, estas jovens empresas conseguissem pagar melhor. Eu sou artista. Já tive que trabalhar à bilheteira. Não me parece correcto, não. Mas tão pouco vir denegrir o teatro por falta de condições me parece que faça sentido. Estão a criticar a Poligono como se fosse uma multinacional a explorar os coitadinhos… É absuro.. INFORMEM-SE MELHOR!!!

      1. A Polígono não é a única. Posso mencionar outras empresas (que embora desligadas da arquitectura, também trabalham com criativos) e que lucram essencialmente a partir da discrepância grotesca entre os produtos que vendem e as pessoas a quem não pagam.

        Ainda que se pusesse em causa o autor do artigo ser desconhecido, se por ventura aquilo que ele tivesse publicado fosse mentira a própria Polígono teria sido rápida a desmentir o seu conteúdo e a facultar provas para esse efeito.

        Ao invés disso remeteu-se ao silêncio (uma estratégia adequada quando de facto não há nada que possam dizer que lhes limpe a imagem).

        A esta acresce toda a cultura de miserabilismo que justifica que os criativos devem ser explorados a título de criar carácter, “portfolio”, “exposição” e de que se por ventura não quiserem há sempre um próximo na fila disposto a baixar as calcinhas e espetar o cú. Um bocado como a pré-disposição da Diana aponta ser.

      2. alvez se o Estado não sugasse uma pornográfica quantia em impostos, estas jovens empresas conseguissem pagar melhor.

        Se por ventura as empresas não conseguem pagar melhor é preferível não contratarem de todo. É um conceito bastante simples e acessível a alguém com um mínimo de bom senso ou ética profissional.

        É que no fim do mês 250€ não é tão melhor que 0€ que justifique uma pessoa ser conivente com uma forma de exploração que resulta, inequivocamente e independentemente dos valores envolvidos, em alguém não receber o suficiente para fazer face às despesas mais básicas.

        E convenhamos… têm dinheiro para pagar a presença de um artista que cobra 330€ a 440€ por litografia, mas para pagar a uma pessoa que vai ter de contribuir com conceptualização e trabalho duro o salário mínimo já não podem?

        Espero que a ti 250€/mês te sirvam para cobrir as despesas que deves ter com lubrificante.

      3. ”Os jovens desta empresa estão a tentar sobreviver?” E o que está o a tentar fazer o André?
        O portfolio da Poligono é bastante extenso, com alguns nomes conhecidos, será que também foi tudo borlas? Será que os jovens desta empresa não ganham nada com isto? Se com um portfolio tão extenso e não ganham nada claramente fazem uma má gestão de tudo e por 2 messes de ”trabalho duro” etc etc só podem pagar 250€ por mês? Não deviam ter vergonha disso? Valerá a pena manter as portas do atlier abertas pelo menos nestes modos? Acho que enquanto houver dianas neste mundo para eles valerá sempre..

      4. Pessoalmente, acho o valor carnavalesco. Exemplo básico: este fim-de-semana, e a trabalhar no meu computador, desde casa, cobrei 300 euros por um trabalho. Honestamente? Dias houve em que ultrapassei este valor, não é nada de especial para quem cobra 60 € por hora de trabalho. Não sou arquitecto, mas acho que a profissão não é o que está em causa, mas sim os clientes para quem decido trabalhar, que ou aceitam o valor que pratico ou, claro, podem sempre procurar outra pessoa para o fazer.

        Mas o melhor, mesmo, é que o próprio estúdio de arquitectura concorda que o valor praticado é uma merda, mas é que é, e tal. Sejam ricos à vontade. Não tentem é escravizar os outros para ficar um pouco mais ricos.

  13. Talvez a decisão acertada para estes mercadores de escravos fosse:
    Aceitar a proposta e dois ou três dias depois de andar a trabalhar como servente de pedreiro fazer uma denuncia ao ACT para mandarem dois fiscais ao local e elaborarem um processo de encerramento da obra até á conclusão do inquérito…

    1. Vitor:
      Continuas a bater numa tecla que não pertence e este piano:
      Escravatura aplica-se a uns senhores abastados que usam escravos para ficaram ainda mais ricos; o que isso tem a ver com Polígono? Na Polígono estão todos a tentar sobreviver, se conseguirem, esperemos que dentro de 2 ou 3 anos consigam passar para outro patamar de retribuições. E toda esta situação acontece porque a construção civil parou, antigamente fazia-se um projectito duma simples casa e faturava-se 2500€, e muitos nem impostos pagavam; agora, ainda existe este mercado? O resort de luxo Campo Real faliu – era considerado um grande exemplo de sucesso, mas deixou de ter compradores para os lotes, acabou, não foi preciso ir lá qualquer fiscal; o resort de luxo Qta Bom sucesso, onde cada arquiteto de renome fazia o seu projeto, foi pelo mesmo caminho. O Vítor quer mandar fechar a empresa- o que se ganhava? Aqui sim, eram 6 ou 7 que tinham de pedir um prato de sopa, ou viver 100% à custa dos pais. É possível que existam ateliers, com mercado no estrangeiro, que se aproveitam da situação mto difícil dos arquitetos, para efetivamente aumentar os seus lucros, à custa da pobreza dos jovens arquitetos. Aqui todos devemos denunciar, mas a Polígono nada tem a ver com isso. O Vítor podia também ajudar, dizendo onde trabalha e se conhece quem possa pagar 1000€ a arquitetos em início de vida. Se não indicar alternativa válida, então devia reconhecer que a Polígono tem o seu mérito – conseguiu arranjar ocupação para 4 ou 5 recém-licenciados, que assim ainda conseguem ter em Portugal um objetivo na vida e uma actividade próxima da área científica que escolheram. Conheço alguns jovens arquitetos que tiveram de meter o canudo no fundo da gaveta e são caixas de supermercado, ou rececionistas de unidades hoteleiras.

      Herlander – C.Rainha

      1. “Na Polígono estão todos a tentar sobreviver…”

        …à conta dos outros.

        Ou cobram honorários que permitam pagar decentemente as pessoas que colaboram com eles ou reconhecem que dentro do que os clientes lhes pagam ou podem pagar não podem contratar mais ninguém e que o projecto irá demorar mais tempo a ser concluído.

        Oferecer uma oferta de trabalho que eles próprios admitem ser uma merda e depois fazer parecer que lhe estenderam uma oportunidade de ouro demonstra que além de tentar sobreviver a Polígono também se deve dedicar à comédia ou fazer do pedantismo um estilo de vida.

        Isto não é sobreviver, é explorar. Já deu para entender que em termos de ética profissional ou moral que andas pelo mesmo nível dos chicos-espertos da Polígono. Seria de esperar que não fizesses um monumento ao trauliteirismo com comentários que procuram justificar o que não tem qualquer justificação plausível.

  14. Parabéns por nao ter aceite a oferta ridícula e ter exposto a situacao. Infelizmente existem estas ofertas porque há quem as aceite. Fossem todos como o André, e isto deixaria de existir.

    Quando estive numa situacao semelhante também nao aceitei a oferta que me foi feita e nao consigo perceber como há quem esteja disposto a fazer isto ou mesmo trabalho nao remunerado. Nao faz sentido…

  15. Pingback: “Vamos fazer estágios até sermos velhinhos? Não é solução” – Notícias Online

    nao seguir o link pois esse site tem um trojan.

  16. É por estas e por outras que somos obrigados a saír do país em busca de novas oportunidades nas quais possamos ser remunerados convenientemente pelo nosso trabalho e qualificação. É por isso que hoje em dia ninguém me explora, eu exploro: a mim mesmo, e é por isso que um dia farei desta profissão um hobbie…para brincar às casinhas como fazia quando brincava na areia quando era pequeno… como se diria em Espanha: “Olé André por tus cojones!!!” Não podem pagar a gente, não recrutem!!! Porque eu também tenho trabalhadores a meu cargo e se tenho muito trabalho tenho que arregaçar as mangas e meter mãos à obra para que as contas saiam no final. O pior é que a Ordem admite este tipo de circunstâncias quando deveriam ser denunciadas por todos e abrir expedientes disciplinares para averiguar as circunstâncias destes factos…é que nem para nós mesmos somos bons…

  17. André, muitos parabéns pela atitude. Desde a troca de emails, até à publicação da mesma!
    São precisos mais portugueses (e não só arquitectos) como tu.

    É preciso entender que temos muito mais a perder quando somos coniventes com situações destas (ao aceitar ou silenciar), do que ao recusá-las.

    É preciso mostrar que o trabalho não é uma bênção, nem o salário um bónus!

    Espero que a onda de denúncias se propague aos demais ateliers que têm esta prática, inclusive àqueles dos detentores de cargos nos órgãos da nossa Ordem.

    É preciso que a OA deixe de ser conivente com este modo de exercer Arquitectura.
    A crise não é desculpa para explorar pessoas!

    A responsabilidade social no exercício da Arquitectura não se restringe à obra, mas também abrange a relação laboral com todos os intervenientes.

    Vejam este documentário ” F*ck You, Pay Me”

      1. não sei se isso foi dito em tom de ameaça ou escárnio mas foi de muito mau tom.
        Ninguém tem que ser conivente com o que não concorda, não é justo, nem legal.
        A questão já nem é a poligono ter os meios para pagar, mas sim o tom de ofensa com que recebeu o não. o André estava mais que no seu direito. E lamento, mas 250eur/mês para fazer projeto e concretizar, num trabalho que foi admitido como dificil é ridiculo.
        Se a poligono são essas tais 5 pessoas que estão a tentar trabalhar na sua área cá, louvo a atitude e as dificuldades que deverão estar a passar, mas honestamente os principios que utilizam são péssimos. não é uma oportunidade, era mais um favor. e para isso que o façam eles que se dispuseram a tal, não os que desejam trabalhar e receber o mínimo exigido por lei.

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