Ideologia, imagem, propaganda – o desafio de incluir os excluídos na iconografia do poder

Exercer o poder é também diluir os seus atritos, retirar argumentos aos seus descontentes, distorcer-lhes a consciência da realidade. Eis a origem da ideologia e também da propaganda. E eis a sua missão: fazer o poder aparecer como necessário aos olhos daqueles que diariamente subjuga, ignora, humilha. Todo o poder quer mostrar que está onde nunca esteve: não do lado dos poderosos, mas daqueles que vivem à margem da abundância e do privilégio que o poder concentra nesses poderosos. Na imagem propagandística como o poder quer ser visto, encena-se uma mentira que é vital para a sua conservação: a de que a figura do ‘chefe’ emana directamente do seio da comunidade de súbditos, não existindo senão para servi-los. Essa iconografia de louvor ao poder manipula corpos anónimos ao representá-los como estando agradecidos às boas acções do ‘chefe’. O poder não tem ética. Porque é incapaz de uma acção que não sirva para a sua própria reprodução.

About PDuarte

Historiador, jardineiro, horticultor. Vive na província. No tempo vago, que procura multiplicar de dia para dia, perde-se em viagens, algumas pelos montes em redor, outras pelos livros que sempre o acompanham. Prefere o vinho à blogosfera, a blogosfera ao Parlamento.

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