Cisões e Reunificações da ‘Self-hatred Left’

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Não tem sido fácil a vida da esquerda à esquerda do reformismo. Entre a fobia e o fascínio à marginalidade, uns cindem e outros reunificam-se. Em si mesmo não há nada de mal na recomposição da esquerda anti-capitalista, bem pelo contrário, mas receio que essa recomposição não tenhas ainda as fronteiras capazes de garantir, a prazo, uma relação higiénica entre o rio do oportunismo e as margens do sectarismo.

A ruptura do Em Luta, que rompeu com o MAS, e o regresso do CIT ao Bloco de Esquerda, são processos que só espantam por tardios. O CIT tem uma longa tradição de unidade com os partidos do keynesianismo, e era de esperar que parte da vida inteligente do MAS não se resignasse, eternamente, ao trotsko-populismo da sua direcção. No caminho, outros grupos também ficaram órfãos de caminho, como é disso evidência o desaparecimento do colectivo da Revista Rubra, a cristalização do POUS ou o fratricídio do MRPP. Nas margens, experiências como a SOLID dão os primeiros passos há demasiado tempo, e outras como a Unipop basta-lhes a auto-suficiência de admirarem ao espelho o seu próprio brilhantismo. Nos movimentos sociais poucos se mantém activos fora do apadrinhamento partidário. Academia Cidadã, Plataforma 15 de Outubro, MSE, Primavera Global, Indignados, QSLT, entre outras agremiações cuja memória me falhe, ou fecharam portas ou as mantêm abertas sem que isso signifique o reforço da luta política. Debaixo do guarda-chuvas partidário os Precários Inflexíveis parecem diluídos no papel de consciência crítica ou claque da geringonça e sobram a Habita e a Solidariedade Imigrante a dar um ar da sua graça. À chuva, algumas, poucas, associações de bairro nas grandes cidades ou fenómenos de luta regionais, levam a resistência para a sua última trincheira da sobrevivência.

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Se do ponto de vista orgânico o quadro é esdrúxulo, do ponto de vista político o cenário não é melhor. Cada tradição política se divide nos temas centrais da actualidade. Do euro à dívida. Da UE à caracterização do novo governo dos EUA. Do Turismo à Emigração. Da sacralização do trabalho à sua expiação como a origem da tragédia. A ideologia, outrora uma útil tábua de salvação para as dissonâncias organizativas, hoje ela é cada vez mais uma âncora do que uma ferramenta. Quem rasgou a ideologia, cai no erro diametralmente oposto, agarrando-se às organizações, mesmo defuntas, para se manter vivo.

A encruzilhada é grande e para se decantar o que quer que seja será importante, por certo, uma redobrada dose de paciência. No imediato a geringonça mais não vai fazer do que reverter a pasokização do PS, ao ponto de estar na iminência de lhe dar, de novo, maioria absoluta. Com a direita refém de Passos e sem alternativas, a esquerda à esquerda do PS tem que matar os seus fantasmas para que não desertifique.

Que mil cisões e reunificações floresçam e definhem, tantas vezes quantas forem preciso, até que se torne evidente o que nos une e nos separa, o que podemos fazer para que se criem as condições necessárias para que se comece de novo sem estar condenado a repetir cada uma das asneiras.

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