Sobre o radical amor de Assunção Cristas ao radicalismo populista

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Assunção Cristas é a melhor aluna do radicalismo populista liberal-conservador, a melhor de todas na cátedra do seu mestre, Paulo Portas. Eleita contra um bando de gajos que parecem velhos aos trinta anos, Cristas emerge à direita cavalgando dois dos sectores mais reaccionários do país. No plano social, no combate à legalização do aborto, e no plano económico, na promoção da prostituição da economia portuguesa no bordel da alta finança europeia e mundial. O seu perfil tem que ser retratado com a crueza necessária para desmontar a sua versão eleitoral, no qual se procura a metamorfose necessária para se poder apresentar como a fiel da balança de uma geringonça de novo tipo, que um mais que provável colapso da aliança do PS à esquerda e do PSD vai obrigar.

Ela sabe, claro, que não consegue mudar o mundo sozinha. Depois de o ter mudado muito mais que a sua rua ao serviço da PAF, do BCE e do FMI, sabe que bem que tempo é outro, pelo que precisa “de encontrar um sentido, procurar ler nas entrelinhas, aproveitar para aprender.”

Diz-se assustada com o resultado das eleições americanas. Aponta aos “vários episódios de populismo” como se fosse um problema, quando a sua família política vai festejar a vitória de Le Pen com mais entusiasmo com que celebrou a vitória de Trump. Diz-se atenta à “tendência no mundo”, e aconselha a que “nós, em Portugal e na Europa”, aproveitemos o “pretexto para essa reflexão”, mas deixa perceber bem que no seu campo essa reflexão já foi feita, precisamente para a colocar o lugar do impulso caso algum fenómeno idêntico pontifique por cá.Resultado de imagem para assunção cristas

Escreve que está empenhada na “contenção dos populismos de direita e de esquerda”, mas oculta tudo o que tem feito no quadro do populismo de direita, nomeadamente, “o papel do CDS na construção dessa voz”.

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Por fim, no seu prelúdio filosófico, deixa cair a máscara com estrondo quando nos diz que “o problema é quando nós, políticos, não conseguimos explicar. Porque não temos tempo, porque não sabemos, porque não nos é conveniente. E esta opacidade abre espaço para discursos populistas radicais.” Face às dificuldades, eis que declara o seu amor ao amor, mas apenas e só pelo amor à táctica do radicalismo populista, que apesar do que diz ser o desacerto ao nível da mensagem, soube descobrir a solução ao nível da forma: “a ligação direta às pessoas e aos seus problemas quotidianos. Às suas aspirações, às suas inquietudes.”

Assunção Cristas está atenta às circunstâncias, mas há também quem esteja atento à circunstância de Assunção Cristas.

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