Que o livre-arbítrio das mulheres vença o fundamentalismo dos homens obrigacionistas e proibicionistas

“Desvendada, Despida, Humilhada”, assim são as novas causas da República de França, islamofóbica, racista, patriarcal, burguesa. Rendida ao medo, a República que outrora se batia pela Liberdade, a Igualdade e Fraternidade, morreu nas praias de Nice e na mais que provável vitória de Marine Le Pen. Apagam-se as luzes da República da Liberdade para dar lugar a uma longa madrugada da República do Medo. Os barretes vermelhos perderam a cor, empalideceram, e alguém devia acordar depressa a resistência! Será que sobra quem prefira a liberdade da mulher poder escolher o que veste ao fundamentalismo reaccionário dos proibiscionistas-obrigacionistas?

proibicionistas e obrigacionistas

Parece haver, mas fora da nomenclatura académica e militar. Não deixa de ser notável a capitulação ao proibicionismo da generalidade dos eurocêntricos, outrora pregadores da liberdade. André Freire e Carlos Matos Gomes, como aqui escreve o Menor, coleccionam uma sucessão de disparates sem paralelo no debate público. O cientista e o capitão de Abril, mesmo avisados por quem os lê, usam fotografias manipuladas, repetem à exaustão que se tratava de uma burka, assumem que a mulher é seguramente esposa e inevitavelmente maltratada pelo seu marido e que a proibição é o caminho para defender os valores da Europa. A cereja? Afirmar, aparentemente sem corar, que a melhor maneira das mulheres se libertarem é preferir que fiquem em casa, pois desse modo “talvez se revoltem”. Haverá outro nome a dar a isto que não o de talibanismo-ocidental?

André Freire e Carlos Matos Gomes podem enfiar as burkas que entenderem, falar pelas mulheres que quiserem – por falar nisso, já houve alguma a defender a actuação da polícia? – banir todas as pessoas que lhe mostraram as evidentes limitações do seu postulado, mas não escondem que estão dispostos a não se distinguir dos talibans, procurando salvar a mulher de si própria, procurando substituir-se à mulher numa escolha que só será livre quando for exclusivamente dela. O debate acalorado é de facto bom para se perceber outra evidência que tem andado esquecida: se a situação política continuar neste sentido, esta não será a última vez que a social-democracia dá o braço, com convicção e fulgor, ao fundamentalismo. Acabarão a votar Sarkozy contra Le Pen, Hillary contra Trump, para no final acabar a arrancar véus nas praias de braço dado com a polícia dos costumes. Triste fim. Esperemos que a resistência acorde a tempo de desmoralizar tanto desvario.

Primeiro as mulheres, depois ponto final.

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One thought on “Que o livre-arbítrio das mulheres vença o fundamentalismo dos homens obrigacionistas e proibicionistas

  1. Podia-se era pôr o link para o lugar onde Hespanha diz o que é atacado pelo tonto do Freire. Gosto muito do Hespanha e não dou com isso

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