José Manuel Fernandes, o vencedor maligno

151kpqSempre que José Manuel Fernandes ganha quase todos perdem. Depois de uma breve incursão pelo esquerdismo, desculpada, naturalmente, pelos excessos da juventude, onde José Manuel Fernandes ganha está sempre uma derrota para a esmagadora maioria das pessoas e, por conseguinte, uma perda para o país. As vitórias de José Manuel Fernandes são de tal modo malignas que não raras vezes quando ganha, além de perder o país, perde também o mundo inteiro. Assim foi em vários temas. Aliás, com José Manuel Fernandes, cada cavadela é uma minhoca. Mesmo quando José Manuel Fernandes não ganha ele não desiste que os outros venham a perder. Este, que é tido como um dos jornalistas de referência do país, deu cobro às mentiras sobre a guerra do Iraque, clamou pela destruição do Afeganistão, aplaude com euforia o fanatismo israelita e cada matança de palestinianos, rejubila com a austeridade que varreu a Europa e até os olhos se lhe humedecem quando vê os muros das fronteiras a crescer, do Mediterrâneo à que excita Trump na separação entre os EUA e o México. Para ele a Segurança Social, a Saúde, as Escolas deviam todas ser privatizada e para ele mergulhávamos ainda mais na guerra mundial para onde as suas vitórias nos empurraram.

Este cruzado da guerra das civilizações, este jihadista do liberalismo selvagem, está irado com os estivadores porque estes conseguiram bloquear a empresa de trabalho temporário, porque conseguiram fixar o salário mínimo dos trabalhadores portuários nos 850 euros, porque derrotaram o despedimento colectivo e porque, na letra do acordo, se desmonta um por um os mitos sobre os estivadores. Quem, como José Manuel Fernandes, os acusava de só estarem em greve pelos seus privilégios, os estivadores responderam abrindo mão do aumento dos salários para que o maior número de precários passe a efectivo, quem, como José Manuel Fernandes acusava os estivadores de serem corporativos, os estivadores responderam mantendo a manifestação e exigindo que as suas condições sejam também as dos estivadores espalhados pelos portos onde reina a escravatura.

José Manuel Fernandes nunca defenderá as condições que sempre teve para si para os outros, precisamente porque a sua agenda é precisamente o contrário de tornar comum as suas vitórias. As suas vitórias são, invariavelmente, a destruição das vitórias que são de todos e a transformação dos bens comum em privilégios privados. Sempre que José Manuel Fernandes canta assim uma derrota, estamos certos que podemos celebrar.

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