‘Paraiso For Sale’: neo-colonialismo turístico e resistência

Paraiso for sale (2011) é o documentário que revela como uma pequena ilha no Panamá, Bocas del Toro, se está a tornar num destino turístico cada vez mais popular entre a classe média norte-americana. Terrenos baratos em paisagens quase virgens e idílicas são a chave do sucesso. No meio do novo éden gringo, a população residente, maioritariamente indígena e afro-caribenha, vê incrédula como de repente investidores internacionais constroem empreendimentos até aí desconhecidos, como resorts ou marinas de iates. As consequências deste desenvolvimento turístico da ilha são brutais. Em primeiro lugar, sobre as paisagens subitamente invadidas por construtores imobiliários. Depois, sobre o valor dos terrenos, que se torna incomportável para os habitantes locais que assim vão gradualmente perdendo a posse das terras. Estranhos em casa: eis o título que seria mais apropriado ao filme pelo que passam praticamente todas as populações residentes que habitam territórios subitamente invadidos pela indústria turística.

Mas o documentário mostra também como os habitantes locais tentam resistir ao neo-colonialismo turístico. Perante a turistificação acelerada do território – muitos norte-americanos escolhem este destino para instalarem a sua segunda ou terceira residências, numa moda que, depois de ter aparecido pela primeira vez na Costa Rica, se está a expandir rapidamente pelo resto do continente latino americano e Caribe -, o documentário revela como muitos residentes indígenas, que são deslocados das suas terras para darem lugar à construção de resorts, oferecem resistência, protestando nas ruas e bloqueando estradas. Apesar da sua vulnerabilidade aos impactos do turismo e da desprotecção por parte das instituições políticas – que defendem em primeiro lugar os interesses dos investidores internacionais -, organizam-se para lutar pela posse do que para eles é mais vital, a terra. Trata-se de uma luta pela sobrevivência económica e cultural perante os novos colonos, os turistas.

About PDuarte

Historiador, jardineiro, horticultor. Vive na província. No tempo vago, que procura multiplicar de dia para dia, perde-se em viagens, algumas pelos montes em redor, outras pelos livros que sempre o acompanham. Prefere o vinho à blogosfera, a blogosfera ao Parlamento.

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