J’accuse

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Quem mais blasfema contra o individualismo, mais altas são as muralhas do seu ego. Quem mais quer justificar os seus erros mais se dedica a apontar os erros dos outros. Não há volta a dar. Um vaidoso narciso levantará sempre o braço contra a vaidade e o narcisismo de quem está mais perto. O comprimento do dedo acusador na cara alheia mais não reflecte do que o medo que temos de enfrentar no espelho as nossas próprias falhas. O grau de violência com que nos atiramos aos demais é o melhor espelho da inabilidade com que lidamos com a crítica. Não há caminho para uma sociedade mais justa se não formos capazes de aprender a ser mais duros connosco do que com quem temos ao lado. Na política como na vida esta não é só uma marca de água que nos permite separar os imprescindíveis dos dispensáveis. É sobretudo uma marca de água que nos permite ficar mais próximo de ser imprescindível e mais longe de ser dispensável. 

“Yo canto a la chillaneja si tengo que decir algo,
y no tomo la guitarra, por conseguir un aplauso,
yo canto a la diferencia que hay de lo cierto a lo falso,
de lo contrario no canto.” Violeta Parra
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