A Razão dos Estivadores

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Sempre que há uma greve, seja em que sector, os patrões no privado e o governo no público, difunde-se uma quantidade avassaladora de mentiras para virar uns trabalhadores contra os outros e o resto da sociedade contra todos eles. As manobras para manipular a opinião pública são conhecidas: multiplicação de comentários adversos, ausência de contraditório, difusão de mentiras e, não raras vezes, de calúnias, uma interminável panóplia de estratagemas desenhados para gerar um sentimento contrário a quem quer que se levante para defender os seus direitos.

Há disso muitos exemplos mas poucos são tão claros como o dos estivadores. Agora que está em curso a primeira greve efectiva desde 2014, os patrões repetem à exaustão que os pré-avisos de greve são greves quando não foram, que os armadores estão a mudar de rota quando a verdade é que estão a ser desviados pelos próprios, que o que os estivadores querem é impedir o acesso de outros à profissão quando estes sempre foram os primeiros a dizer que abrem mão das horas extraordinárias para que sejam contratados mais estivadores com direitos. Vale tudo para concretizar um despedimento colectivo encapotado, como denunciam exemplarmente os sindicalistas António Mariano (aqui) e José Carlos Monteiro (aqui), demonstrando que mais não se pretende do que substituir trabalhadores especializados por outros com salários de miséria.

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Como se conclui com facilidade sempre que a palavra é dada, sem manobras, aos estivadores, o que está em causa é um despedimento colectivo ilegal e imoral. Ilegal, porque outros trabalhadores são contratados para os substituir em empresas paralelas, imoral porque toda a operação é fabricada pelos mesmíssimos patrões. Um e outro provam não só a falta de motivo para o despedimento colectivo encapotado, como revelam a má-fé de quem, para maximizar lucros e reduzir a factura portuária, apenas olha para a parte que pode roubar aos salários dos estivadores. Curiosamente, ou talvez não, tudo isto acontece num porto que não tem parado de crescer, seja em volume de cargas seja nos milhões arrecadados pelos patrões do porto de Lisboa, números que ainda assim não evitaram o congelamento do salário há vários anos e sistemáticos e punitivos atrasos de pagamentos dos salários, apenas e só dos trabalhadores que se levantam contra toda esta máfia.

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É assim fácil verificar que o caminho defendido pelos estivadores é o único que impede a generalização do trabalho precário e da desvalorização salarial, e por mais jogos de espelhos que os patrões usem para ocultar a realidade, a verdade não muda só porque se mascaram as intenções.

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