Paulo Reis ou a islamofobia sionista à moda do integralismo lusitano

3_faces_of_islamophobiaA reportagem “A resistência improvável, a ocupação impossível” irritou o jornalista Paulo Reis, que a considerou ser uma “lamentável propaganda a um grupo de neo-nazis”. Este antigo jornalista do semanário Tempo e da Rádio Renascença, nascido em Angola e retornado em 1975, afirma que não se lembra de “ver algo tão distorcido e panfletário, nos 35 anos que levo de jornalista” acusando a reportagem de ser “uma peça de propaganda palestiniana, auto-confessada”, onde não se respeita as boas práticas, “nomeadamente a isenção e imparcialidade que qualquer estagiário tenta respeitar.” Para ele eu não passo de um “amante dos palestinianos”, algo que ele devia ter imaginado ser uma caracterização que me deixa a transbordar de vaidade, ainda mais vinda de alguém que se anima a partilhar e defender nas redes sociais os vídeos dos fascistas do Britain First ou dos nazis da Dutch Defense League, do Geert Wilders supporters ou da Norwegian Defence League. Tudo tralha, imparcial pois claro, contra a imigração e, evidentemente, a cavalgar a onda contra os refugiados que considera serem uma estratégia do Daesh para colonizar a Europa depois de já terem destruído as Maldivas

Para Paulo Reis o “genocídio dos palestinianos é uma anedota histórica” pelo que “só aqueles que defendem o extermínio dos judeus é que usam este argumento”. Ao mesmo tempo, pasme-se, argumenta que “nenhum jornalismo assume pontos de vista – isso acontece apenas aos jornalistas tendenciosos ou comprados”. Acha que quem escreve o que eu escrevi, “assume o papel de um fanático propagandista palestiniano”. Esta sumidade defende que “os chamados ‘palestinianos’ são cidadãos de um país que nunca existiu” e quem o contestar por manifestar uma postura islamofóbica, responde de imediato alegando que a “islamofobia é um dos argumentos utilizados pelos neo-nazis para atacar todos aqueles que não me acompanham no coro a pedir a morte dos judeus”. Uma argumentação que faz lembrar a surrealista intervenção da deputada da extrema-direita israelita, que argumentou desta maneira a falta de razão de ser da Palestina.

Reveladora, caricata mesmo, foi a mudança de foto de perfil ao longo do debate no grupo de Jornalistas, alegadamente para ninguém achar que se esconde atrás de uma foto que não era a sua, mas que na verdade só serviu para deixar cristalina a sua proximidade com as minorias radicalizadas do Islão, que acham, como ele, que todos os muçulmanos são iguais.

Paulo Reis 3

Paulo Reis, este veterano que acha que todos os muçulmanos são terroristas contra a democracia, e que por isso “em cada muçulmano, há um inimigo” – fez parte da direcção do Sindicato dos Jornalistas presidida pelo José Pedro Castanheira, em 1985, e depois do Semanário Tempo e da Renascença chegou mesmo ao “liberal” Expresso. Quando nos questionamos sobre a qualidade do jornalismo devemos lembrar a mão cheia de Paulo Reis que dominam a classe há demasiados anos. Sempre a gritar por imparcialidade para que, sem contraditório, continuem a fazer jornalismo de facção, racista, islamofóbico, reaccionário.

Na ficção e em entrevista  é ainda mais fácil perceber o veneno das serpentes, mesmo que já sem pele,  a propósito de um romance que escreveu para defender que “é impossível ganhar determinadas guerras respeitando a Convenção de Genebra” e que o grande problema dos serviços secretos em Portugal está relacionado com o “medo de criar uma segunda PIDE”. Um autêntico jihadista do integralismo lusitano, cujo legado defende por oposição aos ingleses “que em Hong Kong foram pontes e caminhos de ferro”, enquanto “os portugueses fizeram igrejas e filhos”, num remate que é todo um programa político: “Qual é o legado que vai perdurar? Eu julgo que as marcas portuguesas serão bem mais duradouras.” Não obstante o fascínio com os portugueses de outrora está descontente com o povo português dos dias que correm e lamenta que não haja mais coragem para “cortar a direito”, pois isto não vai lá com meias tintas: “É preciso cortar gargantas”.

Outras leituras da reportagem, feitas por quem de facto a leu e por quem tem mais do que raiva a acrescentar ao debate. 

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5 thoughts on “Paulo Reis ou a islamofobia sionista à moda do integralismo lusitano

  1. Sim, tenho ouvido isso por terras lusitanas de que um jornalista deve ser imparcial ou melhor asséptico! Isto sempre me meteu confusão e nojo. Faz falta jornalistas que não penduram a sua percepção e sensibilidade de seres humanos, que vivem neste mundo, no gavetão poeirento do inconsequente, do inócuo! Fazem falta jornais de opinião…de resto sempre podemos aplicar as palavras de Eric Satie (in Les Raisonnements d’un têtu – #226 )”Je ne lis jamais un journal de mon opinion: celle-ci serait faussée”

    1. Diz o imbecil que sobre o assunto mais não consegue do que dizer que os muçulmanos são todos iguais, que resolvia o problema a cortar goelas e que vem a Lisboa duas vezes por ano armar-se em João Soares. Já marcou a passagem? E o psiquiatra?

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