Se for eu a morrer num atentado…

TOPSHOTS A cross and a crescent are painted on the palm of an Egyptian demonstrator holding the hand of a fellow protester during a rally in support of national unity in Cairo's Tahrir Square on October 14, 2011, days after 25 people, mostly Coptic Christians, were killed in weekend clashes with Egyptian security forces. AFP PHOTO/MOHAMMED HOSSAM
A cross and a crescent are painted on the palm of an Egyptian demonstrator holding the hand of a fellow protester during a rally in support of national unity in Cairo’s Tahrir Square on October 14, 2011, days after 25 people, mostly Coptic Christians, were killed in weekend clashes with Egyptian security forces. AFP PHOTO/MOHAMMED HOSSAM

Se for eu a morrer num atentado não culpem o meu amigo Ahmed, muçulmano, que vive na Síria com grandes dificuldades, rodeado por todos os exércitos do mundo, ou o meu amigo Ayman, que todos os dias luta para sobreviver na Palestina. Não hostilizem o Faisal, que foi para a Holanda depois de fugir do inferno em que o Iraque ficou com a intervenção militar do Bush e companhia, ele que já andava escondido do Saddam, ou o Mohammed, que se exilou na Europa vindo do atoleiro em que transformaram Kabul. Não apontem o dedo à Amina e ao Abdul, que vivem no Mali, em combate quer contra o fundamentalismo islâmico quer contra o colonialismo francês. Poupem o Youssouf, exilado líbio, a quem já perdi o trilho, ou o Souleymane, que vive em Paris e que é francês e ateu desde que se lembra de si. A vossa indignação que não se volte para o Ismail, que ainda novo fugiu do Líbano a tempo de ser trotsquista em Manchester, ou para o Arash, que vive no Irão a lutar pelo que ele entende que deve ser uma República. Não culpem nem os que vieram nem os que lá estão, seja a tentar vir seja a tentar derrubar os seus déspotas, regra geral bastante amigos dos nossos. Não deixes, peço-te, que a tua ignorância se confunda com saudades minhas e, sobretudo, não deixes que a justiça da tua ira seja direccionada contra amigos meus que, como tu, estão hoje a chorar o meu assassinato. Se tal me acontecer não saberei quem disparou ou se fez explodir mas sei bem que quem levou o mundo para esta loucura tem identidade bem definida e os seus nomes são bem mais parecidos com os “nossos” do que com os “deles”. Culpa-os sem medo. Continua ou começa a lutar para que percam o poder de nos continuar a levar para a guerra. Obrigada.

One thought on “Se for eu a morrer num atentado…

  1. “… para que percam o poder de nos continuar a levar para a guerra.”

    Só se deixa levar para a guerra quem quer. Só fazemos aquilo que escolhemos fazer.

    Porque razão achas que foi um atentado? Ainda para mais quando no final escreves “mas sei bem que quem levou o mundo para esta loucura tem identidade bem definida e os seus nomes são bem mais parecidos com os “nossos””…

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