Afinidades Electivas

1Quem quer ter um pé em Cacilhas e outro no Cais das Colunas acaba por cair ao rio. Como ninguém é parvo de tentar uma acrobacia dessas, em geral escolhe-se uma das margens e fica-se lá quietinho. Quase sempre a margem de cá, a da capital (e até o Salazar inventar a “margem sul”, chamada de “margem direita”), que é mais bonita que um subúrbio de operários. A malta continua a dizer que gosta muito dos primos do Pragal, do Fogueteiro, ou da Cova da Piedade, mas vai ali beber café ao Rossio, que é mais “in”.

A esquerda do PCP – sim, ele há esquerda no PCP, ou pelo menos achavam alguns que havia – que tanto falava das FARC, e da ETA, e do IRA, a que tínhamos de agarrar se não ia ao focinho do Soares dos Santos e do Fernando Ulrich, parece que não ouviu falar da greve geral na Grécia. Um tipo folheia em vão o Avante, procura ingloriamente no Manifesto 74, onde quer que os comunistas (vá, OK, corrijo: onde quer que os militantes do PCP) escrevam, e há um apagão sobre o tema. Ninguém ouviu falar da coisa? Ninguém leu nos jornais gregos? Ninguém recebe os clippings das agências noticiosas lá para a Soeiro? Querem ver que o “apesar das diferenças de posição e de opinião” frisadas há tempos pelo camarada Albano, afinal era areia para os olhos?

A tentativa de ser um justo meio termo entre os tresloucados gregos da Iniciativa e os eurocomunistas assumidos, disparate impossível mesmo para os acrobatas mais competentes – e honra seja feita à elasticidade, moral e retórica, do CC do PCP -, tinha de se resolver para algum lado. Resolveu-se para a margem direita, como era de prever num partido com Democracia Avançada no título do Programa. Espantoso, aqui, só a prontidão com que as violas foram metidas no saco entre os grandes homens da esquerda do partido. Devem estar a reunir condições para reunir condições para reunir condições.

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8 thoughts on “Afinidades Electivas

  1. Lógica do menino rabino: se és marxista-leninista (isto é esquerdista, dogmático e sectário) relaxa que as belas lutas de massas como passar a ponte autocarro e outras maravilhas inviabilizam qualquer reformismo… Se és um burguês anti-comunista (isto é, potencial democrata e patriota) relaxa que isso dos “estalinismos” é relíquia do passado, a gente só quer uma moedinha, não há cá colectivizações, revoluções, nacionalizações e outras palavras que rimam com colhões que é o que a gentalha não tem.

  2. Não é por um “cego” não ver uma coisa que ela deixa de existir, mesmo que o “cego” o seja por preconceito ou vontade própria, como é o caso deste Menor.

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