Pés Sobre Rodas

Lisboa, 19/10/2013 - A CGTP-IN, liderou esta tarde um comboio de autocarros que transportou os manifestantes sobre a Ponte 25 de Abril até Alcântara, para onde a Central Sindical convocou o ' Protesto Contra a Exploração e o Empobrecimento ' em reacção às novas medidas de austeridade apresentadas pelo Governo no Orçamento de Estado para 2014.( João Girão / Global Imagens )
Manifestação de Autocarros da CGTP

Simpatizo com alguns militantes comunistas em quem reconheço recta intenção e boa fé. E por isso sinto pena quando eles dizem parvoíces para tentar defender, ofendendo o bom senso, a linha do Partido. É o caso dos que tentam transformar a prostração perante o PS a troco da manutenção dos transportes terrestres na esfera pública (ie, a troco das quotas da CGTP) numa “vitória da luta de massas”.

A luta de massas foi derrotada em toda a linha nos anos da troika. Multiplicaram-se as manifestações, desencadearam-se quatro greves gerais, saíram às ruas milhares e milhares de pessoas, e nem uma só medida da troika foi evitada. Quando Portas apresentou a demissão após a greve geral de 2013, a esquerda rígida e sem estratégia não convocou outra greve geral que o derrubasse de vez. Quando o Macedo proibiu a manifestação da ponte, a esquerda meteu a viola ao saco e passou a ponte com os pés sobre rodas. Quando gente que ia do António Pedro Vasconcelos ao Garcia Pereira tentou impedir a venda da TAP, ela foi vendida por meio prato de lentilhas. E agora o Governo PS é uma conquista da luta? A luta não conquistou nada em quatro anos, e subitamente a luta impôs uma mudança de rumo ao PS?? Ainda me lembro de haver mais rigor no proibicionismo dos entorpecentes entre os camaradas!

A verdade é só uma: repetindo os erros do eurocomunismo por todo o lado, o PCP meteu-se no Governo do PS achando que vai mudar alguma coisa a partir dos gabinetes, desistindo – como se vê – de mudar alguma coisa nas ruas. Esse abandono da rua, e sobretudo a desistência de escalar a luta de massas para formas conflitivas que superem o actual paradigma da performance pseudo-combativa em que se desce a Av da Liberdade de cerveja na mão a conversar com os amigos, devia estar a ser denunciado e combatido pelos militantes comunistas que ainda se reclamam marxistas-leninistas. Quem acha mais importante defender uma direcção de burocratas caquéticos e impreparados do que a linha correcta para o trabalho político faz o pior serviço possível aos trabalhadores.

3 thoughts on “Pés Sobre Rodas

  1. “a troco da manutenção dos transportes terrestres na esfera pública (ie, a troco das quotas da CGTP)”

    Que dizer de um tipo que se diz de esquerda e afirma as mesmas coisas (idiotas e rebuscadas) que a direita cavernícula?

    Talvez só, que este tipo é igualmente um pateta reaccionário!

    1. Caríssimo, não perca tempo da sua batalha de produção a responder a um provocador. Olhe as orientações do CC. E lembre-se que grandes perigos coexistem com grandes potencialidades, nas sábias palavras do camarada Albano. Saravá

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