Mudam-se os tempos, fica a vontade de Francisco Assis

O Assis que não é santo nenhum parou no tempo. Talvez partilhe com o famoso frade católico a imutabilidade do espaço e do tempo sem perceber que a sua apologética de um ideal centrista é datada e própria de um período histórico determinado. Geralmente é isto que acontece com as construções intelectuais forjadas por uma certa intelligentsia que advoga um modo-de-produção em crise. Necessita de artifícios abstractos e subjectivos para fugir a uma análise objectiva e material baseada na realidade, visto que esta coloca em causa a classe que ele defende e a eternização do capitalismo. Só assim percebemos os rodopios e cambalhotas dos seus apoios políticos, que tinham mais a ver com a pequena política do que propriamente com uma visão holística dos acontecimentos.

O dito cujo esconde-se na forma e nas aparências para simular uma falsa discordância porque sabe da distância diminuta que o separa do actual governo. No entanto precisa de fingir que é uma alternativa quando é uma alternância. Um espelho dos partidos socialistas europeus. Por um lado, a decadência da social-democracia e a proletarização e desqualificação de largas franjas da população com alcance até à pequena-burguesia colocaram o PS sob uma encruzilhada histórica, o que obriga Costa a uma ginástica política pela sobrevivência do partido. Isto está a acontecer por toda a Europa. Traduziu-se no Labour com a eleição de Jeremy Corbyn e na disponibilidade de Pedro Sánchez para entendimentos entre o PSOE e a esquerda eleitoralista espanhola. Por outro lado, as suas máquinas partidárias altamente burocratizadas e aparelhistas têm cada vez menos margem de manobra num orçamento tendencialmente minguante que necessita da aprovação do grande capital. E dividir responsabilidades com uma esquerda em crescimento não só coloca em causa os interesses mais imediatos da burguesia como ainda afasta Francisco Assis da liderança do PS por mais algum tempo. É a luta de classes mais desvelada e exposta que agudiza a crise no PS. As bases atingidas pela crise pressionam por um acordo que amenize os efeitos da austeridade enquanto Costa adia a questão da liderança no exercício da governação. Já Assis prefere o governo de gestão com dias contados para que ele dispute a liderança e a governação de Portugal. Nenhum se opõe ao projecto capitalista e imperialista da União Europeia. Cada um com a sua agenda.

Entre a “extrema-esquerda dos cantos de sereia delirantes e a direita radical“, Francisco Assis sabe qual dos lados escolher. A mesma opção que tomou Blair e outros adeptos da Terceira Via; i.e. ideologia neoliberal com rosa na lapela. O seu problema é que a realidade é revolucionária e cada vez mais desperta a consciência daqueles que se encontravam iludidos por uma falsa prosperidade no âmbito da União Europeia. A polarização da sociedade tende a coagir os actores políticos a uma clarificação das suas posições. A direita perdeu 700 000 votos e mesmo assim não chegou para o Partido Socialista vencer eleições. O mundo transforma-se contra a vontade de Assis.

3 thoughts on “Mudam-se os tempos, fica a vontade de Francisco Assis

  1. Kamaradas, a vossa “revolução” morreu em 1989, hoje em dia não passam de revolucionários domesticados. É altura de seguir em frente kamaradas, já estamos no século 21, não sei deixem prender pelas correntes de um filósofo cadáver do milénio passado, já parece religião.

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