Requiem infantil e maluquinho pela Maria João Marques

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A minha homenagem gráfica ao desafio de Maria João Marques, recuperando o bom hábito de se dizer mal das costas, pelas costas.

Eu, que maluquinho e infantil me confesso, tenho a dizer que adorei o texto da Maria João Marques, onde esta discorre sobre a minha loucura e infantilidade quando ataquei a sua islamofobia. Aprecio, de sobremaneira, o facto do meu escrito ter sido tema de conversa com os seus petizes. É emocionante e deixa qualquer troll encartado a explodir de orgulho. Assim me sinto. Desde logo amei o título: “Com a internet perde-se o bom hábito de dizer mal pelas costas”, que é um épico ao moral da direita conservadora e tradicionalista que faz pelas costas o contrário do que prega pela frente. Sabemos que assim é em quase todos os campos da vida. Na vida amorosa, por exemplo, pregam o casamento católico, mas pelas costas são salvas pela penitência com que resolvem todos os pecados. Basta que a culpa e o arrependimento sejam sentidos e fica tudo resolvido. Na política o que defendem em vésperas de eleições violam a partir do primeiro dia em que metem a mão no pote sem qualquer vergonha. Para descodificar estas pessoas, está visto, basta interiorizar o contrário do que dizem, algo que se percebe logo pelo magnífico ensaio deste “rebento do ensino dos colégios católicos”. Diz-nos: “sou magnânima”, o que nos permite concluir que é truculenta. Afirma que “podem vilipendiar-me à vontade desde que, lá está, não me causem o incómodo de exigir a minha atenção” mas dedica um texto a quem não fez mais do que a vilipendiar. Garante que é “cada vez menos tradicionalista” mas apenas e só por lhe fazerem confusão as “tradições iranianas”. Jura que não abre mão das “maneiras e a educação” mas não perdoa o pai pelo ano que passou na pré-escola da Voz do Operário. Rejeita a prática de “incomodarmos as outras pessoas”, mas reconhece que “nos últimos anos na blogosfera pouco mais tenho feito que verter sarcasmo para cima de umas quatro dúzias e meia de personagens”. Diz que é dada a fazer “confidências pós-gins”, no mesmo texto onde, claramente sóbria, deixa-nos uma mão cheia de confidências, nomeadamente aquela em que, num tempo onde ainda usufruiu da formação política de esquerda, escreveu, com sapiência, nas paredes do quarto: “‘babies of the world unite’”. Coloca-se ao lado da ideia de que é importante não “importunar com a nossa exuberância opinativa” mas alimenta uma coluna de opinião que não tem uma única opinião fundamentada. Arrelia-a “o excitadinho das redes sociais” mas ela própria dá ares de se excitar com tudo aquilo que escreve e que aprecia que “as pessoas vociferem violentamente nas redes sociais”. Gostava que o comum dos mortais fosse capaz de “aprender essa coisa saudável que é respeitar as fronteiras das outras pessoas, e permanecerem, enquanto insultam, nas quatro paredes das suas casas digitais em vez de invadirem as dos insultados” mas ela própria não resistiu à tentação de trocar galhardetes com um “blog obscuro (daqueles que põem o PCP no centro-direita)” e de linkar um louco infantil como a minha pessoa. Lamenta ter que “explicar a existência dos maluquinhos da internet ao petiz” e que argumentar “que estavam apenas a mostrar que a mãe até de bigodinho ficava bem”, numa frase que nos revela alguns arranhões pilosos na sua auto-estima de mulher lusitana. Afiança que não tem “por hábito fazer pesquisas no Google para saber o que outros escrevem” mas uma pesquisa rápida no seu histórico (vá petiz, ide lá verificar) poderá demonstrar o contrário. Maria João Marques é única, também pela forma graciosa com que escreve que a Inês Teotónio Pereira não tem rigorosamente piada nenhuma. Se até hoje era apenas mais uma islamofóbica que esbraceja no Observador, hoje entra directamente para os anais da galeria de notáveis que este maluco infantil tanto aprecia. Tenho só pena que seja feia, quase tão feia como a Inês Teotónio Pereira, que de outra maneira não deixaria de a seduzir para que juntos recuperássemos o bom hábito de fazer malandrices pelas costas.

And now for something really crazy and childish: 

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