Não somos “A Cauda da Europa”

“Cauda” remete-nos para uma visão metafórica ou enfabulada da realidade: O cão que abana a cauda, obediente e subalterno face ao dono; o apêndice ou a periferia da Europa. Portugal e a sociedade portuguesa são representados deste modo em extensos domínios do saber, sem despertar qualquer contestação. Trata-se de uma ideia amplamente cultivada e arraigada nas nossas identidades. A nossa viagem na civilização e na modernidade teria assim naufragado e dado à costa. Ou à cauda. Ora, uma sociologia que se insurja contra a dominação deve estender a sua agenda, e combater uma subalternização discursiva que reifique um dado estado da auto-estima social e cultural do que significa nascer, viver ou passar por Portugal.

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3 thoughts on “Não somos “A Cauda da Europa”

  1. A nossa amiga “Vagem” fica muito ofendida pq se diz em muito lado que somos a cauda da Europa. Que somos mesmo, não me parece apenas uma opinião mas um facto. E a experiência ensina que devemos colaborar com o impossível. Talvez fosse mais construtivo se, em vez de ficarmos muito roídos com a realidade, procurássemos antes compreender as razões dessa constatação que os outros fazem. Eu sei que a veia poética da Vagem não a deixa ver as coisas como são, mas há que fazer um esforçozinho…né?
    Não esbanjámos….. Não pagamos!!!!

    1. Olá profjoseoliveira, boa noite. Obrigada pela leitura e pelo comentário. Lamento o seu tom irónico pelo que não o vou repetir. Não considero que o espírito poético seja incompatível com uma qualquer leitura política, cultural, económica e histórica da realidade social. Considero aliás que o pensamento clivado é obsoleto e nada tem de fértil. O pensamento filosófico clássico habituou-nos a pensar de forma binómica, maniqueista, dicotómica. Mas esse há muito foi abandonado e refutado pelos novos saberes disciplinares e periciais nos quais me revejo. Por isto não vejo como se possa desclassificar um texto de crítica da atualidade sob o argumento que foi redigido por alguém que gosta de escrever em poesia. Também não classificaria o meu texto como ressentido, mas com uma voz crítica que acredita no poder nominalista do discurso e na necessidade de contra-dizer para fazer existir. Considero pois, em heterodoxia consigo, este poste construtivo na sua ousadia de repensar o modo de ver as coisas do mundo. Por outro lado, a sua última frase recorda-me de imediato este artigo da página de economia do Expresso, página que nada tem de poético, mas de deprimente: http://expresso.sapo.pt/economia/2015-10-21-Portugal-teve-o-segundo-maior-defice-da-Europa-em-2014.-A-culpa-e-do-Novo-Banco

      Vagem

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