“O nojo de tudo”, por Diana Luís

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Goran Tomasevic

Caramba. Estamos mesmo num Universo paralelo. Talvez sejamos extraterrestres, nascidos num outro Universo desconhecido. O mundo segue, injusto em todos os sentidos, e ninguém se sente.  Queria conhecer essas pessoas que se importam. Que não se importam de levar com cassetetes ou granadas de hipocrisia. Que se revoltam, firmes, contra os que conduzem seguros numa estrada de indiferença. O mundo não é belo, como nos prometeram na infância, cerceados de histórias com um final feliz. Excepto aqueles contos contra os qual nos revoltámos, em que a cigarra morria de frio porque a sua música nada valia contra o trabalho metódico de uma formiga avisada contra os perigos da fantasia, que armazenou a sua comida face a um Inverno previsto, prescindindo de viver. Nas celas de Angola há gente que enfrenta a morte, enquanto nós, cúmplices, olhamos pasmados para o que não compreendemos, nascidos num outro Universo, em que os presos injustamente são parte de um passado que queremos esquecer a todo o custo. Provavelmente muitos de nós nem sequer o vivemos, e aprendemos essa História que nos ensinam diligentemente, aqueles que formatados, ensinam aquilo que aprenderam. A impotência grassa serena nos nossos corações, habituados a não saber lidar com o longe e a distância. Seres humanos, iguais a nós, a mesma água nos olhos e o mesmo sangue nas veias, irão morrer pela nossa própria impotência. Deixamos, serenos, que eles morram na travessia de um mar cada vez mais revolto com o fim do Verão. Deixamos que eles morram numa terra prometida, à mercê de mercenários pagos pelo sangue do capital. Deixamos que morram de fome crianças que nasceram no lado errado do Universo, o mesmo lado que nós invadimos há séculos atrás, sedentos de riqueza. A nossa culpa é enorme e infinita. Nós, felizardos por termos nascido do lado certo. Enquanto os nosso dias passam serenos, entre impotência e medo.  Se o mundo fosse certo não haveríamos de conseguir dormir, tal é o peso da nossa culpa, nós, cujos dias passam serenos, enquanto outros desesperam pela sobrevivência.

One thought on ““O nojo de tudo”, por Diana Luís

  1. Diana Luís…

    Desde há uns séculos a fonte para a absoluta miséria terrestre tem sido o SISTEMA MONETÁRIO.

    Desde há milénios que a fonte para a absoluta miséria terrestre tem sido a noção de PÁTRIAS, e tudo o que de divisivo isto acarreta.

    E desde há muitos trimilenários que a prevalência do “pensamento racional” sobre a “compaixão” foi, é e será, a fonte disto que neste presente pode contemplar!

    Todo este passado está condensado no nosso presente e somos incapazes de MUDAR agora por forma a que o futuro seja total e absolutamente diferente do presente.

    Fica :cool:

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