“Da Estupidez Humana”, por Diana Luís

12053130_10152990405580146_395532660_nOuvi dizer que uma caloira no Algarve foi para o hospital, porque a enterraram na areia com o propósito superior de a obrigarem a ingerir bebidas alcoólicas. No meu tempo, que, bem vistas as coisas, há-de ter sido por volta do século XIX, a isto se chamava tortura. Hoje em dia, é integração, da mais porreiraça possível, voluntária claro, não há cá violação de Direitos Humanos que sobreviva ao sangue na guelra típico do estudante universitário. Ouvi dizer que havia em Stanford uma experiência parecida, mas devem ser más línguas, coisas da psicologia experimental, que em nada relevam para o facto.

A praxe está viva e recomenda-se, o movimento anti-praxe morto e enterrado, porque a bem dizer das verdades, uma pessoa tem mais do que fazer do que preocupar-se com energúmenos, perdão, gente com princípios superiores.

Julgo que a comissão de praxe da caloira deverá ter alguma dificuldade em esgrimir os clássicos comentários de que na-minha-faculdade-é-que-a-praxe-é-linda, ou nós-aqui-não-fazemos-praxes-estúpidas. Haverá sempre praxe estúpida na mesma medida em que o ser humano é estúpido. E na mesma medida em que se permitir que gente que perde mais tempo a criar elaborações maquiavélicas sobre como exercer o seu poder sobre outro do que a fazer aquilo a que se propôs fazer quando entrou numa universidade, tenha qualquer tipo de poder sobre outro. Ah, mas isto é tudo voluntário não é verdade? A minha sugestão é que as comissões de praxe façam um estágio, com bolsa fornecida pela Super Bock, em Recuperação de Créditos e Taxas das Universidades. Eles o fato preto já têm, e se forem precisas umas medidas mais drásticas, eles aplicam toda a sua criatividade em encontrar formas de mandar as pessoas para o hospital, caso não cumpram. Penso que seria uma relocação de recursos essencial para as Universidades, e um factor de fomento para a economia no geral. Esta ideia é estúpida? Não creio que seja tão estúpida como enterrar uma colega na areia para lhe enfiar bebidas alcoólicas pela garganta abaixo. Usaram um funil? Talvez não tivessem criatividade para tanto.

P.S: Diana Luís fez parte do Movimento Anti Praxe em Portugal. Baixou os braços, quando percebeu que as massas são estúpidas, e pretendem continuar a sê-lo, e o Estado, esse, limita-se a entregar uns flyers para descarga de consciência.

3 thoughts on ““Da Estupidez Humana”, por Diana Luís

  1. Nos tempos em que cursei na faculdade, o movimento estudantil era a expressão mais viva de oposição ao regime. Não direi que eramos revolucionários, mas estávamos convencidos que sim. Pelo menos estávamos na linha da frente nos combates quase diários contra a guerra colonial, a polícia de choque, os gorilas, pides e outros quejandos. Hoje, a juventude universitária é profundamente situacionista. Não luta contra nada, a não ser contra si própria. limita-se a encarneirar no rebanho dos jotinhas e a dizer amen a tudo o que venha de cima. As praxes são o modelo acabado do mais servill carneirismo, da boçalidade mais baixa e mais abjecta, chegando até aos limites do assassínio calculado. Temperados neste caldeirão do fascismo retrógrado e humilhante, os estudantes não só não o combatem, mas ainda reivindicam o direito a mais do mesmo. O Zeca é que tinha razão: “e, quando os mais são feitos em fatias…não matam os tiranos, pedem mais…”
    Não esbanjámos……Não pagamos!!!!!!!!

    1. Não é bem assim José Oliveira. Há coisa de 2 anos e pico, eu e mais alguns alunos do meu curso estavamos profundamente descontentes com a direcção do curso.
      Tentamos fazer-nos ouvir, mas o director, sendo o típico pseudo intelectual académico que não sabe nada do mundo real recusou-se a ouvir-nos.
      Circulamos um abaixo assinado que reuniu 80 assinaturas(praticamente todos os alunos do curso), onde exigiamos a sua demissão do cargo. Enviamos o abaixo assinado para a direcção da faculdade, e um por um, os assinantes foram falar com o director da faculdade. Numa clara tentativa de nos romper, típica tática de fascista,não cedemos, mas depois disso a coisa acalmou. Então enviamos queixas para o ministério e ameaçamos fazer greve às aulas, para pressionar o director da faculdade a tomar uma decisão e aí já não deu para furgir…Tiveram que nos ouvir. Ainda que depois a decisão final foi a de manter essa personagem no cargo, acusaram-nos de falta de ética e tantas outras coisas. Não deu em nada…infelizmente.
      1 ano e meio depois, a direcção da faculdade mudou e correram imediatamente com ele, pois tornou-se evidente para toda a gente que ele não passava de um incompetente, egocêntrico, que diz que faz e acontece, mas na realidade nunca fazia nada pelo curso.
      Apesar de essa personagem ter infernezado a vida de todos os que o contestaram, incluindo a minha, ouviu sempre das boas…um colega e amigo meu na avaliação do projecto final de curso, chamou-o de estalinista(porque ele afirmava-se como sendo de esquerda) e incompetente. Ficou mais ofendido por ter sido chamado de estalinista do que incompetente!
      Também organizamos entretanto eventos à rebelia da escola, sem o aval de ninguém, para demosntrarmos que não precisavamos do director de curso para nada, apenas de vontade em realizar eventos culturais abertos à comunidade local.
      Não que o teu comentário não tenha imensa razão, porque tem, há de facto imenso conformismo entre os alunos do ensino superior actualmente, apenas queria partilhar a minha história, para talvez ganhares um pouco de fé na humanidade.

      1. Caro Slint, desconhecia esses factos e fico feliz por haver alguém que resiste…alguém que diz Não! Penso contudo, que são minoritários no seio da academia, mas ainda bem que o fizeram.
        Abraço solidário

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