Círculo Vicioso

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Acho meritório o esforço, entre outros, do Menor, em peneirar razões para nos motivar a ir a votos, mesmo que seja incontestável que as alternativas de voto abrem poucas ou nenhumas possibilidades. Percebo o argumento de que a vitória da PàF nada permite, que nos derrotará por mais tempo do que o tempo que dispomos, mas tenho dúvidas que essa derrota, por si só, valha alguma coisa, posto que a esquerda não foi capaz de interpretar, até ver, nenhum projecto que mobilize o que precisa, com a radicalidade da qual não pode abrir mão, para mudar a vida das pessoas. Essa incapacidade, ou falta de vontade, deixou praticamente todos os interpretes reféns dos partidos institucionais, a fobia partidária deixou a reconstrução dos novos partidos nas mãos das velhas raposas, e tudo parece ter voltado à apatia provocada pela queda do muro, há quase trinta anos atrás. Até pode ser que vá votar, não sei. Mas sei que se houver sol não trocarei esse domingo pelo cisma “de que desta vez é que é”, quando sabemos bem o que nos espera, mesmo no melhor dos cenários políticos que resultem das próximas eleições.

O PS provavelmente ganhará. Provavelmente não terá maioria absoluta. Provavelmente haverá quem, no governo ou no parlamento, crie condições mínimas de governabilidade. Provavelmente o governo não durará até ao fim e poucas ou nenhumas diferenças significativas se irão notar. Provavelmente também nenhum dos novos partidos elegerá nenhuma das velhas raposas e provavelmente o parlamento continuará sem ser o chão de nenhuma organização que dê prioridade ao fortalecimento do músculo da resistência social dos de baixo. Porque provavelmente o meu voto não encontrará forma de ser útil, ou a ser útil a sua utilidade é manifestamente limitada e será uma vez mais desperdiçada pelos vendilhões de ilusões, resta-me ponderar a praia, o amor ou a construção de um novo partido. Provavelmente. Só provavelmente. Pode ser que a chuva salve o meu voto ou que o novo desastre que se aproxima crie definitivamente condições para que tudo não tenha que continuar a ser sempre o mesmo.

9 thoughts on “Círculo Vicioso

  1. Com esse estado de espírito, muitos… mas mesmo muitos velhinhos vão-se chegar à frente e votar na coligação. Eles já estão prontos para meter o voto no PSD-CDS. Portanto, não ires lá meter um voto contra eles, significa que eles ganham.

    Na verdade, esse estado de espírito também representa uma vitória para a direita deste país. São eles que estão interessados no défice democrático, para que um dia simplesmente acabem, de vez, com a democracia.

    Continua por esse caminho e, por mim, vai à praia ou faz amor contigo próprio. Os velhinhos do PSD e do CDS aplaudem!

  2. Amiga Leonor
    É compreensível o seu pensamento, embora não concorde com os elogios ao menor, pelo facto de ter uma atitude permanentemente destrutiva e o que precisamos desesperadamente é muito mais construir do que destruir. Quando se consegue criar a única coligação de esquerda a concorrer a estas eleições, aqui del-rei que há uns caramelos que se conseguiram coligar e isso é horrível, inconcebível, inaceitável. Claro que os destrutivistas militantes ficam preocupados quando alguém constroi alguma coisa, ainda que esteja evidentemente longe do ideal.
    A Leonor hesita entre a praia e as outras alternativas. Acredite que a praia estará sempre lá, mas outras hipóteses só acontecem agora e os tempos que vivemos caracterizam-se por alterações que se sucedem a uma velocidade vertiginosa. e tem de ser agora Quando as pessoas finalmente acordarem, pode ser que já vão tarde. Parece-me que temos mesmo de fazer alguma coisa rapidamente ou ficaremos com o remorso do imobilismo.
    Não esbanjámos….Não pagamos!!!!!!!!!!!

  3. Os velhos votam de manhã no PSD-CDS/PP ou coligação «À frente Portugal».
    Os indecisos votam durante a tarde. Alguns, chegam entre as 18h e as 19h.
    Os que vão à praia ou esquecem-se. Portanto, não contam.

    Por isso, se não forem votar, não venham depois dar ideias ou falar sobre democracia.
    O processo democrático é agora.
    É preciso decidir em que partido votar (contra o PSD-CDS/PP)
    Votos em branco e nulos não contam.
    Aliás, o voto em branco é uma ajuda na coligação «À frente Portugal»

  4. compreendo o seu estado de espírito, e lamentavelmente não estará só, Mas diz o provérbio que enquanto há vida há esperança; e se cruzarmos os braços e encolhermos os ombros certo é que a Democracia e o sonho de uma vida melhor morrerão na praia…

    1. Muita gente pensa que o acto de não votar é uma espécie de castigo aos governantes. Uma maneira de os punir pelas suas malfeitorias. Nada de mais errado. Os núcleos duros dos partidos do regime, esses estarão sempre lá. Nunca falham à chamada. E seja qual for o nível de abstenção, a legitimidade está sempre assegurada. Talvez fosse boa ideia reflectir sobre isto. As cliques instaladas agradecem reconhecidamente a todos os que não forem votar……

      1. Errado. Se pensar dessa maneira, então o BE é uma «clique», como também o «PAN» e o «Livre». Se não votar, quem agradece é a direita, porque todos os votos contam. Só aqueles que votam, é que são contados. Os eleitores do PSD, do PS e do CDS-PP agradecem a todos aqueles que pensem como o «Zé» e que decidirem não ir votar no próximo dia 4 de Outubro.

      2. O Arriaga não entendeu bem a minha posição. Eu sou pelo voto e desaprovo a abstenção supostamente crítica do regime. Vamos com calma, e não vejamos inimigos onde não estão.

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