O apocalíptico regresso de Miguel Relvas

2015-06-24-Miguel-Relvas

Saiu do país depois de vexado sistematicamente pelo povo. Primeiro ocasionalmente. Depois nas célebres grandoladas. Por fim em qualquer circunstância que metesse o pé na rua, mesmo depois da sua demissão. Foi-se embora. Voltou para os negócios entre África e a América do Sul. As poucas vezes que veio a Portugal, nos primeiros tempos, tiveram que ser praticamente em regime de clandestinidade, porque a justa cólera do povo continuava sem lhe dar um segundo de descanso. Ainda hoje, estou certo, poucas vezes poderá andar na rua sem ouvir bem alto a fúria dos lesados do seu governo e da sua ignomínia.

Ao que parece o seu regresso está marcado para hoje, pela porta grande, dia em que terá sido convidado a fazer parte do painel de comentadores que vai moldar a opinião da opinião pública, logo depois do debate entre Passos Coelho e António Costa. Miguel Relvas irá assim comentar a performance do primeiro-ministro do governo do qual foi ministro e do principal candidato da concorrência partidária. Que a ditadura mediática estava pela hora da morte já se sabia, que se prestava a este tipo vassalagem, qual jornalismo regimental das velhas ditaduras, é novo. Ou, não sendo novo, poucas vezes se pôde observar com tanta clareza. Sem grandes anúncios, não fossem os estúdios da TVI acabar cercados por uma turba a cantar de novo a Vila Morena, mas sem uma pinga de vergonha na cara.

One thought on “O apocalíptico regresso de Miguel Relvas

  1. No tempo da primavera marcelista, o dito inaugurou as famosas “conversas em família”, onde o PM vinha ensinar ao povo o que o povo deveria pensar. Era o tempo da célebre “evolução na continuidade, rumo ao estado social, não socialista”.
    Assim que terminava o monólogo, logo aparecia a figura sinistra do lambe-botas de serviço, o jornalista João Coito que vinha tecer os mais rastejantes encómios às extraordinárias qualidades do ex-salazarista Marcelo. Era vê-lo passar a mão pela fantástica inteligência, clareza, visão, prudência e toda a casta infinita das mais afamadas virtudes do homem e do regime. Por razões talvez pouco claras, após o 25/04, o referido Coito acoitou-se na prestigiosa publicação O Diabo.
    Possívelmente apreciadores deste tipo de sucesso, os servidores do regime e das suas cliques querem reeditar o esquema, chamando o Relvas para babar as loas ao regime e ao seu grande amigo Coelho. E ainda dizem que a história não se repete. Olhe que não! Olhe que não!!!

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