Que importa…

Le Kram, Tunísia, 2015
Le Kram, Tunísia, 2015

Sejam mulheres, homens ou crianças, jovens ou adultos, eritreus, palestinianos ou sírios, refugiados, migrantes ou errantes… que importa se são pessoas para quem o perigo a enfrentar nas travessias em barcos ou em arcas frigoríficas tem sem dúvida um sentido. Desta vaga de consciência colectiva sobre as consequências mortíferas das fronteiras, apenas desejo que ela nos conduza a questionar alguns dogmas, nomeadamente o dogma cada vez mais impregnado na nossa percepção do mundo, o do fecho das fronteiras. Que as migrações deixem de ser um problema para se tornarem uma característica do melhor que nos pode acontecer no nosso quotidianozinho endogâmico, não em termos de mercantilização de mão-de-obra, mas em termos da liberdade e direito à mobilidade, de poder ir e voltar. É sobre esse direito que nos temos desleixado, pois apenas um punhado de gente tem acesso a ele de maneira digna. O dogma do fecho das fronteiras é isso, é a selectividade elitista de um direito e, portanto, um problema de luta de classes. Uma coisa temos aprendido com a perseverança daqueles que querem ou precisam ir para além das fronteiras, sejam quais forem as leis, muros ou perigos, sejam eles o milhão de portugueses que foi para França nos anos 60/70 à procura de uma vida melhor ou os 4 milhões de sírios à procura de um tecto seguro: é impossível de proibir que as pessoas percorram terras e mares. E que importa se são refugiados, migrantes ou errantes…

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