AGIR: Os negócios da coligação que “não se vende”

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Tenho procurado escrever pouco sobre a coligação Agir, como de resto todos os outros projectos que se apresentam a votos contra a coligação de direita, mas há coisas que não podem deixar de ficar escritas. Tendo como lema que “quem não se vende tem que Agir”, não deixa de ser curioso que toda a coligação aplicou à política eleitoral o pior que a economia de mercado tem para ensinar, sendo que todos os envolvidos parecem ter feito negócios entre si e a coligação parece enfermar de um excesso de taticismo que é, em si, um autêntico programa político. Uma figura pública sem partido e dois projectos de partido sem figura pública, desde logo, ganham entre si a resolução de vários problemas, mas dificilmente resolverão quer os problemas do país, ou, noutra escala, os que se colocam ao campo anti-austeridade. Os primeiros, com mão no aparato, na propaganda e na eventual subvenção, contam com o espaço mediático da Joana Amaral Dias para resolver alguns dos seus problemas. Em sentido contrário a Joana Amaral Dias, que precisava de um partido qualquer para ser candidata, negociou o primeiro lugar na lista de Lisboa e a representação da coligação em troca de tudo o resto. Apresenta-se o PTP ao país, que poucos sabem quem é além da recente entrada de José Manuel Coelho (que não será Agir na Madeira) e recupera um inenarrável Amândio Madaleno para a vida política. E Gil Garcia, um vaidoso empedernido, vai a jogo nestas eleições depois de ter levado uma nega de outras figuras públicas com quem tentou negociar, prometendo, pasme-se, fazer apenas campanha nos círculos onde o seu partido encabeça a coligação. Podia também falar do disparate de uma coligação nada dizer sobre praticamente nenhum assunto a não ser as banalidades de que não é de esquerda nem de direita e que é contra a corrupção. Mas para que o debate substantivo tivesse lugar teria que haver pressupostos que estão longe, mas mesmo muito longe, de serem cumpridos. De resto, a novela já vinha desde os tempos do Juntos Podemos, onde MAS e Joana Amaral Dias, cada um à sua maneira, trataram de destruir qualquer possibilidade de construção, ainda que rapidamente tenham concluído como se construir mutuamente. Agora, a candidatura do Agir será maior que a soma das partes mas ficará a dever isso mais ao nu da Joana Amaral Dias do que a qualquer outro factor político objectivo. Até podemos acreditar que esta coligação não está à venda para a gestão dos negócios comuns do regime, mas esse prenúncio nada garante quando fica claro que eles estão dispostos a comprar o seu lugar ao sol na democracia burguesa a qualquer preço.

ss+(2015-09-05+at+11.31.30)

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2 thoughts on “AGIR: Os negócios da coligação que “não se vende”

  1. …o MAS é partido marxista, cujas responsabilidades de direcção são assumidos colectivamente – Gil Garcia é apenas um dentro de um colectivo, se está pessoalmente a derivar num processo de culto de personalidade isso só acontece porque o colectivo o permite, e só ele – o dito colectivo – é o responsável por isso. Donde se aufere ser necessário ouvir da sua parte uma declaração que defina e assuma posições e consequências. Voltando, é importante que se perceba na actual conjuntura, que tudo aquilo que não é efectivamente essencial, constitui-se imediatamente como um lastro perigoso, um obstáculo traiçoeiro. Pergunto ao colectivo do MAS, o que é que existe de realmente essencial no AGIR?… …interessante seria também esclarecer qual a ordem de prioridades do MAS, se é a eleição de deputados (tacticamente a real politik sublinha isso como fora de questão, pois se assim fosse a lógica mandaria ir em aliança com alguém da esquerda que se sabe que à priori consegue «meter» deputados.) Ou se é usar a campanha eleitoral para tentar divulgar e esclarecer a população à cerca daquilo que o «sistema» mascara e omite… …em nenhuma das duas se enquadra o AGIR, e o que aconteceu – dê-se «a volta que se der» ao “assunto”-comprova a inutilidade da aliança. Quanto a “estragos”, o capital de esperança e diferença que o MAS prometia, afundou-se, a promessa para a contribuição da convergência das esquerdas tornou-se ilegível e incompreensível… …alguém tem de arcar com essas consequências, e o MAS se pretende honrar o facto de estar ligado ao LIT-QI, deve renovar a direcção, distanciar-se da coligação AGIR, e rectificar criticamente os seus propósitos de modo realmente marxista e não eleitoralista… …caso contrário não é muito melhor que aquilo que há de mais criticável no BE… …e sendo isso verdade, a miséria «do voto útil» impõe-se desgraçadamente, por contributo indirecto do próprio MAS… …a não ser que «isso» seja o “modo” como encara a realização da«convergência das esquerdas», e assim sendo talvez seja melhor desvincular-se do LIT-QI e propor-se à «Fourth International» onde intervenções «criativas, “vistosas”» e ««anti-capitalistas»» deste “timbre” tem lugar costumeiro…

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