“Sobre a Coreia”, por Carlos Marques

O Jason Unruhe resume bem a situação. Este showdown  militar demonstra que uma guerra convencional não é desejada por nenhum dos aliados do imperialismo, nem pela Coreia do Norte. Estamos numa situação de equilíbrio. A questão era mesmo saber quem saía menos queimado politicamente.

O imperialismo tem um problema grande relativamente à Coreia do Norte: não quer pagar o preço duma guerra convencional, e não tem a opção duma guerra não convencional à semelhança do que se passa na Síria. Tem as sanções e não tem mais nada para fazer, a não ser uns exercícios militares com a Coreia do Sul junto à zona desmilitarizada.

O Jason Unruhe deu à estampa uma crítica ao Songun, a política de prioridade militar que Kim Jong-Il começou a desenvolver quando o país ficou isolado internacionalmente nos anos 90. Nesse livro defende que Kim Jong-Un pretende superar esta política, uma vez que o objectivo da dissuasão militar já foi alcançado, e que portanto devem agora focar-se nas actividades produtivas.

Se a tese do livro estiver correcta, então este episódio reforçará a ideia. A Coreia do Norte exigiu que o inimigo parasse com os altifalantes, ameaçou e obteve aquilo que queria. E aparentemente, segundo Alejandro Cao de Benós, ainda conseguiu trazer para cima da mesa a questão das visitas entre famílias separadas. Em troca lamentou o sucedido com as minas, sem com isso ter de assumir a responsabilidade.

Voltarei ao tema do Songun mais tarde.

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7 thoughts on ““Sobre a Coreia”, por Carlos Marques

  1. Não me parece nada correcto afirmar que as potências imperialistas não querem uma guerra convencional (seja o que for que isso signifique). Está em curso uma corrida aberta ao armamento e ao cerco de regiões estratégicas. Na Alemanha já se fala abertamente em regressar ao velho militarismo para confrontar a Rússia e abrir novas frentes em África. No Japão tb já discute o abandono das teses anti-militaristas e pacifistas. A Índia acaba de reunir com diversos países asiáticos no sentido de encontrar pontos de apoio para os seus navios de guerra. Os EUA e a Inglaterra lançaram recentemente à água dois novos porta-aviões de última geração capazes de lançar ataques massivos em qq parte com uma rapidez nunca sonhada. As guerras dos drones têm-se intensificado e os EUA preparam uma nova invasão na Líbia, ajudados pela maioria das potências ocidentais. Se isto é não querer guerra, então não sei o que é a paz….
    Não esbanjámos….. Não pagamos!!!!!!!!!
    ZM

  2. Olá Zé,

    “Não me parece nada correcto afirmar que as potências imperialistas não querem uma guerra convencional (seja o que for que isso signifique)”

    E de facto não é correcto. Eles querem guerra, mas não querem pagar o preço por ela.

    Guerra convencional é exército contra exército. Eu estou convencido (e espero estar correcto!!) que hoje em dia não é possível haver guerra entre um conjunto de estados que já asseguraram meios de dissuasão suficientes para uma destruição em massa. Vão haver guerras, mas não vai haver uma guerra parecida com a segunda grande guerra. Por exemplo, não vai haver uma guerra entre os exércitos da China, Rússia e EUA – isso seria a destruição de todos eles.

    As potências vão-se morder umas às outras, vai haver sabotagem, guerra informática e coisas deste género. Aliás isso já está a acontecer. Creio que a explosão na base de Kanagawa é uma resposta ao que se passou em Tianjin.

    Ora, o que quis dizer é que a Coreia do Norte faz parte desse leque de países que já não pode ser atacado convencionalmente. Uma guerra para tentar derrubar a Coreia do Norte significa, pelo menos, a completa destruição da península e do Japão. Pelo menos… o imperialismo está disposto a pagar esse preço? Eu creio que não.

    Abraços

    1. Amigo Carlos
      Compreendo perfeitamente o teu raciocínio que faz todo o sentido de um ponto de vista normal, lógico, coerente…
      Mas o que me parece é que os falcões não pensam (nunca pensaram) desse modo. Nunca se preocuparam em equacionar as consequências das invasões: Iraque, Afganistão, Somália, Libia, etc. E esta cegueira da fuga para a frente é que é preocupante, como é preocupante o recente acordo militar Grécia-Israel. Quando os sionistas ameaçam atacar o Irão, estão-se nas tintas para as consequências….
      ZM

      1. Olá Zé,

        Os falcões não estão preocupados com a possibilidade duma destruição em massa, mas pela forma como essa destruição em massa afecta as relações de poder. Os falcões não são estúpidos, querem o poder e têm poder. Tem coisas a perder, e portanto opções a fazer. Têm a sua folha com a análise custo-benefício, atacam quando o lado dos benefícios é maior, não atacam quando o lado dos custos é maior. A nossa função é aumentar os custos de um ataque.

        Os falcões sabiam perfeitamente porque razão queriam replicar o cenário da Somália na Líbia. Atacar a Líbia era de borla e retirava da equação um estado não alinhado e potencialmente perigoso, antes de avançar para o próximo. Não tinha grandes consequências e os benefícios eram óbvios – limitaram-se a bombardear sem se deixar engolir por uma guerra no terreno.A Líbia estava isolada internacionalmente e desarmada. Nem a Rússia, nem o Irão se opuseram ao ataque, o exército continuava descentralizado, sem armas tácticas de dissuasão, o programa nuclear tinha sido desarticulado em 2003. Foi uma lição em forma de desastre.

        O que pode travar o avanço dos falcões para uma situação de equilíbrio, é a possibilidade de chegarem mísseis balísticos com ogivas nuclear, armas químicas ou biológicas a Washington, Nova Iorque, Londres, Paris, etc. Contra o imperialismo, são as armas que defendem a paz, como dizia Kim Jong-Il.

        Abraços

  3. AO xor Marialva:

    é verdade q Kim Jong il se reúne às 3ª feiras para apontar os gajos que irão ser assassinados.Tem fodido o Médio Oriente , donde veem as hordas de miseráveis a viverem no Paleolítico para a gloriosa europa .

    Enfim, és uma sumidade ao nível dum ban ki moon ,vassalo, estúpido e incapaz.

    P.S.:Abraços ao Duarte lima, esse pujante ser humano, ao DDT um brilhante filho da puta

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