Partir Para Voltar

Queria ser o que faz o vento nascer inquieto até chegar ao mar. Queria ser a magia de cada momento e saber, mesmo sem ver, que seria capaz de tocar. Queria ser átomo, partícula, essa qualquer coisa que faz nascer o ar, dispersa sem nexo em todo o pensamento, que nasce indisposta até conseguir voar. Queria ser apenas as coisas capazes de não perderem o fôlego a sonhar. Os sonhos que não se vivem são pesadelos, apropriações de algo que não sendo nossas nos são impostas. São os medos a falar. Recantos que não nos pertencem e que ainda assim nos fazem chorar. Não quero tudo, mas quero que o que é, seja. Inteira para qualquer intento, a fazer do desassossego um destino, permanentemente a navegar, ao invés do ponto de passagem que nos faz parar. Um dia, quando voltarmos a partir, saberemos dar valor a todas as viagens e o sentido que faz ser incapaz de dizer: “chegámos!”. Não seria possível de outra maneira.

Anúncios

Deixe o seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s