“O euro-anarquismo em vias de facto”, por Carlos Marques

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Um colectivo de escribas na rede tem vivido os últimos tempos em enorme sobressalto. Perante o colapso do Syriza, da estrutura imperialista europeia, e a iminente crise revolucionária que atravessará os países mais periféricos, este colectivo vive assombrado pelo espectro do nacionalismo.

Quem não conhecer o blogue tem logo em grande destaque na coluna direita o melhor cartão de visitas: “Pela libertação do Nobel da Paz Liu Xiaobo”. Convém avisar que Liu Xiaobo não é euro-anarquista, mas está ali por razões não muito distintas. Liu Xiaobo defendeu a invasão do Iraque para garantir “a liberdade e a democracia” – o que o qualifica simultaneamente para estar ali e ser prémio-novel.

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Volto ao início. Um espectro assombra o euro-anarquismo.

Isto acontece no exacto momento histórico em que a UE rasga as vestes, faz estalar o verniz que cobre a opressão de umas nações por outras, e esmaga um país inteiro. Não estranhem, o perigo é real. Afinal vivemos tempos perigosos. Numa situação de decomposição, a prisão do opressor é o diabo que conhecemos, tudo o resto é um risco. A revolução é o maior dos riscos.

Não é difícil conviver com o diabo se ele não nos chatear muito e se não precisarmos de nos chatear com ele. Basta não deixar que o facto do opressor ter ignorado dois referendos e obrigado um país a votar duas vezes atormente as nossas consciências liberais. Basta que os sociais-democratas ignorem a crescente massa de desempregados. Basta que se finja que as oportunidades abertas por esta situação não existem. Basta, finalmente, fingir que estamos a escolher entre dois projectos: a) a submissão à estrutura imperialista da UE; b) um projecto capitalista no marco nacional, com uma moeda desvalorizada e uma burguesia exportadora à cabeça do regime.

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É nesta canalhice intelectual que os euro-anarquistas repousam a consciência. Escolher entre o Juncker e o João Ferreira do Amaral.

Ora este dilema só existe na cachimónia do euro-anarquismo, uma vez que estão a subtrair todas as oportunidades que a situação vai abrir. O euro-anarquismo é a justificação teórica de quem risca do leque a opção de ganhar.

“Em qual das duas opções perdemos nós por menos?” Eis a pergunta dos euro-anarquistas. “Qual das duas opções oferece melhores condições de vitória?” é o que devemos perguntar.

As justificações teóricas são muitas, nunca mais saíamos daqui. Os euro-anarquistas derrotar-nos-iam por cansaço se nos obrigassem a refutar cada uma delas. Ainda assim, refiram-se algumas parvoíces como a abstracção de um proletariado europeu ou a alucinação de uma greve geral europeia por tempo indeterminado.

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Tudo menos processos revolucionários nos marcos nacionais – isso é que não!!! -, porque isso é nacionalismo. Aguentem a bota e esperem. Na prática podem ir preparando uma tomada do poder executada cronometricamente em toda a Europa (provavelmente com a tomada do Banco Central Europeu em Frankfurt como zénite da revolução). Isso sim!

Evitem portanto os marcos nacionais ou estatais, assim como os movimentos de libertação nacional deviam ter esperado pela refundação dos projectos coloniais. E pior, talvez a Comuna de Paris possa ser acusada de algo ainda mais perverso do que o nacionalismo: o localismo!!

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Enfim, ignoremos estes radicais do abstracto, europeístas da eskerda, os Liu Xiaobos e outros bobos da refundação do imperialismo. Analisemos a situação concreta: a UE é uma tablete de chocolate, e só os parvos ou desonestos é que fingem não saber como é que ela parte.

Os GNR eram tipo fixolas até ao primeiro LP, quando estava o Vítor tás a ver? Depois começaram a ficar bueda nacionalistas.

One thought on ““O euro-anarquismo em vias de facto”, por Carlos Marques

  1. Mai nada, fodasse. É isto mesmo. Antes do que se passou nos últimos 7 meses ainda era capaz de perceber lucidez nos argumentos desse “setor de opinião”. Hoje não consigo.

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