A classe operária já tem onde botar o voto

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A coligação entre o PTP, o PDA, o AGIR e o MAS, arrisca-se a entrar para o anedotário das próximas eleições, mas a vontade de rir não devia ser razão para não nos debruçarmos convenientemente sobre o assunto, nomeadamente recuperando algumas passagens dos clássicos da literatura marxista e, com a sua ajuda providencial, compreender que esta é a melhor alternativa para confiar o voto nas próximas eleições legislativas. É verdade que o POUS também apoia o Livre\Tempo de Avançar, mas nesse ramo do trotsquismo é mais difícil ser contagiado pelo entusiasmo, sobretudo depois do enterismo menos conseguido do lambertismo, não só em partidos mas também em governos burgueses, como foi exemplo o PS no pós 25 de Abril e a frente popular do Mitterrand.

“Nós conhecemos, dentro do movimento trotskista, grupos que poderíamos chamar a vertente sectária, que repudiam sistematicamente a intervenção em comum com outras organizações ou com as direções traidoras, que estão obcecados em manter seu mais absoluto isolamento e pureza. Nós sabemos também que existe outra vertente, também equivocada e muito mais grave, que é o oposto, o “acordismo”, ou diretamente o apoio a correntes stanilistas, pequeno-burguesas burocráticas ou diretamente burguesas nacionalistas.” Nahuel Moreno e Mercedes Petit, em Conceitos Políticos Básicos

Alguns memes publicados na rede já revelam o nervosismo da reacção, a inveja dos sectores pequeno-burgueses e o desdenho desonesto dos intelectuais ultra-esquerdistas

“Temos que ter essa mesma obsessão: ganhar para o partido. (…) Para isso é preciso sermos hábeis. Conseguir que as pessoas tenham confiança em nós, sintam-se confortáveis conosco. Não ser pesados. Não dar ordens. Porque é muito freqüente que de início sejamos tímidos para colocar a captação e, uma vez que a colocamos, começamos a perseguir. Não procuramos ver se quer ou não entrar, de verdade, para o partido, se quer ou não fazer algo pelo partido. Muitas vezes os companheiros não entram ou se afastam do partido porque os incomodamos mais do que evangelistas. Não perceber que nós trabalhamos segundo o que ele quer fazer e o que ele pensa, não segundo o que queremos e o que pensamos.” Nahuel Moreno, em Problemas de Organização

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Depois de avivada a memória fica mais fácil aos sectários perceberem em que bases se ancora uma coligação com posições antagónicas relativamente aos principais temas da actualidade: a dívida, a união europeia e o euro. Como não devemos deixar que os pormenores atrapalhem o movimento de massas e as suas legítimas aspirações, devemos entender que aquilo que foi inconciliável há seis meses, no processo do Juntos Podemos, agora já não tem qualquer importância, ainda que até a Amnistia Internacional se deva questionar sobre o destino que tiveram quer o movimento Juntos Podemos quer o João Labrincha, então putativo cabeça de lista. É inegavelmente genial ter um partido (MAS) a dizer que esta coligação é o primeiro passo para a unidade de esquerda com um partido de direita (PDA) e a sua figura pública e cabeça de lista por Lisboa (Joana Amaral Dias) dizer que não é de esquerda nem de direita. É um golpe de asa tratar a política como o capitalista trata o mercado, com os olhos apenas postos no lucro, sem pruridos puristas nem constrangimentos tácticos. Eu, situacionista-ridiculista dos sete costados, apoio! Não podia ser de outra maneira.

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