“A potência destituinte e o cuidado de si” por Luhuna Carvalho

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por uma teoria da potência destituinte \ giorgio agamben

No início de 2014 foram publicados os textos de duas conferências de Giorgio Agamben dedicadas à problematização do que chamou “potência destituinte”, tema que viria a desenvolver no epílogo do seu livro mais recente, “L’Uso Dei Corpi”. A primeira conferência, intitulada “O que é uma potência constituinte?,” teve lugar em Tarnac (uma localidade no planalto de Millevaches em França que hospeda um projecto comunal) e estava integrada num encontro que se interrogava sobre as possibilidades de “Desfazer o Ocidente”. Em 2009, a aldeia recebeu alguma atenção quando alguns dos envolvidos no projecto comunal foram detidos e acusados de sabotagem no contexto de uma polémica operação judicial que veio a galvanizar o debate público sobre as práticas securitárias dos Estados modernos. O facto de alguns dos acusados estarem alegadamente ligados à autoria colectiva de alguns textos, primeiro na revista Tiqqun e depois enquanto “Comité Invisível”, fez com que as publicações ganhassem uma inesperada exposição, tendo vindo a alcançar o topo de vendas tanto em França como nos Estados Unidos. A segunda conferência foi dada no Instituto Politécnico de Atenas e terá sido dedicada ao quadragésimo aniversário da revolta dos estudantes contra a junta militar em 1973. Giorgio Agamben participou como convidado da juventude do SYRIZA, uma coligação de pequenos partidos de esquerda cuja ascensão eleitoral veio um ano depois a ganhar eleições.

Estes contextos “militantes” merecem aqui destaque pelo modo como se prestam a um diálogo directo com os temas de Agamben e como servem a situar esta sua problematização do que é uma potência destituinte num sentido imediato e aplicado. Se, por um lado, é hoje comum uma consciência do espelhamento soberano das sucessões de poder, por outro lado, essa consciência corresponde a um esvaziamento da própria política e da sua potência perante o cinismo que afirma a mera autonomia do político – ou seja, que coloca determinada inevitabilidade enquanto pedra basilar da política. Os locais aqui descriminados tornam-se pertinentes por esboçarem um delineamento de hipóteses gregárias de subjectivação que procuram exercer essa potência, porventura, destituinte. O tema deste texto será a identificação das questões interpeladas na problematização de uma teoria do poder destituinte, contextualizando os seus argumentos, procurando delinear de que modo são os próprios contornos políticos da subjectivação que nela são interpelados e desafiados.

Ler o resto na Revista Punkto, onde o texto foi publicado originalmente 

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