A Barca da Alcoviteira, um diagnóstico dramatúrgico breve

ALCOVITEIRA
ALCOVITEIRA: hímenes postiços, arcas de feitiços, armários de mentir, furtos alheios, jóias de seduzir, guarda-roupa de encobrir, casa movediça, estrado de cortiça, coxins e moças. Estes elementos representam a exploração interesseira dos outros, para seu próprio lucro e a sua actividade de alcoviteira ligada à prostituição. Fonte: Wikipédia

Ler a Lúcia Gomes escrever sobre a Raquel Varela é uma experiência antropológica interessante, mas é também um bom ensaio clínico. De uma assentada podemos perceber que o sectarismo, quando aliado à burocracia, tem consequências fisiológicas graves gerados pela obsessão fóbica. Ora vejamos.

A capacidade auditiva é desde logo a primeira faculdade afectada. Desagradada com a promessa de bolos e beijos, azedume que se compreende por razões meta-políticas, a paciente acusa a Raquel Varela de ter confundido a greve da Carris com a greve do Metro, quando fica evidente que a promessa gastronómico-beijoqueira era para uma greve que estava marcada para a semana seguinte, precisamente do Metro (entretanto desconvocada), não para uma que já tinha sido feita, a tal da Carris. Como é bom de ver, o paladar e o olfacto, pela alergia aos beijos, aos bolos e à inteligência dos sindicatos, nem diagnóstico merecem. Avancemos.

O quadro clínico assume proporções mais graves se prosseguirmos no texto e, a par da audição, a visão é desde logo o segundo sentido ferido. A paciente foi incapaz de ver que na única passagem em que acerta, aquela onde procurou responder à Manuela Moura Guedes e às suas numerosas calúnias aos trabalhadores, acabou a usar dos mesmos argumentos que a Raquel Varela, permitindo que por momentos, mesmo contra a sua vontade, acabasse a fazer unidade com quem tanto desdenha.

A juntar à audição e à visão, manifestamente a precisar de convalesça, o tacto também ficou algures no caminho. A apalpação, fundamental em política, teria sido importante para que a Alcoviteira percebesse que o movimento Não Ceda Um Metro, apoiado pela Fectrans, e a Comissão de trabalhadores do Metro, saudaram a intervenção da Raquel sem medir palavras: “A CT agradece a todos os que denunciam e esclarecem! Obrigada Raquel Varela, pela excelente intervenção.” Insuspeitos de o fazerem para provocar a paciente ou de o fazerem para a partir daí mexerem nas peças do tabuleiro partidário, a personagem não teve sensibilidade nos dedos para sentir a textura da pele que cobre a actividade sindical dos tempos que correm.

Sem entender muito bem a vigilância da personagem à barca que tanto abjura, a honestidade de se criticar um vídeo sem sequer o publicar diz muito sobre o estado da peça, também no que à moral diz respeito, mas ao contrário desta parábola o problema é sobretudo político, que me leva a concluir que até o PCP merece mais e melhor do que a Lúcia Gomes, tal como a Barca fica melhor sem nenhuma Alcoviteira.

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