A gafe está para os políticos do bloco central como o álcool está para os mitómanos. É a única forma de os ouvirmos a falar a verdade.

13-06-26_pedro-rocha-de-oliveira_a-classe-mc3a9dia-vai-ao-protesto

António Costa, Sérgio Sousa Pinto, Pires de Lima e Hélder Amaral, cada um à sua maneira, fizeram ontem furor em matéria de declarações políticas. O mais que provável futuro primeiro-ministro fez um balanço positivo dos últimos quatro anos de governo, naquele que foi, como se vê pela reacção da direita, o melhor elogio que o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas recebeu em todo o seu mandato. Sérgio Sousa Pinto, entre o delírio e algo que lhe terá caído mal ao almoço, encheu o hemiciclo de perdigotos na tentativa de colar o PCP à Albânia (?!?), de se demarcar do Syriza e do Pasok em simultâneo e ainda de tentar dizer qualquer coisa à direita sem saber bem o quê não vá isso virar-se contra si e o PS em pouco mais de seis meses. Pires de Lima, qual Mussolini a clamar pelo garrote, veio pedir que o povo faça justiça e Hélder Amaral, que porventura terá tido os mesmos problemas hepáticos que Sérgio Sousa Pinto, disse que “a maioria tem dado o corpo às bolas” e que tal afirmação foi baseada em “dados do inem”. Ao povo, esse para o qual e em nome do qual todos falam, importa que tome tanto a palavra como as ruas na primeira pessoa. Ninguém, imagino, está capaz de ouvir tanto desassombro sem deixar que a inquietação ganhe todas as formas necessárias, seja para acabar com a casta seja para fechar de vez as portas do circo democrático. Não há representação que nos salve deste descalabro. Ou se toma em mãos o futuro, fábrica a fábrica, campo a campo, escola a escola, instituição a instituição, ou continuaremos a ser nós os únicos palhaços.

2 thoughts on “A gafe está para os políticos do bloco central como o álcool está para os mitómanos. É a única forma de os ouvirmos a falar a verdade.

  1. Embora partilhe o comentário do Menor e o seu final aparentemente revolucionário pareça incutir alguma esperança, a verdade é que tudo isso me lembra uma situação parecida que ocorreu há algum tempo atrás.
    Num debate onde pontificaram representantes do PC, do BE, da ala esquerda do PS e dos movimentos de base, a maioria dos discursos orientou-se para a constatação dos bloqueios ao sistema político. Vários oradores apelaram com aparente veemência ao aparecimento de alternativas, convencidos que seria bom que os ouvíssemos quando diziam “vem por aqui”. Então, pedi a palavra para lhes perguntar directamente o seguinte:- Expliquem-me por favor por que razão vejo tantos apelos a alternativas e agora que acaba de nascer um novo partido político de esquerda, ninguém disse uma palavra que fosse sobre o caso. Não pretendo que esse partido seja bom ou mau. Apenas alerto para o facto de que surgiu uma alternativa e aqueles que exigem uma calam-se perante ela. Peço-vos pois que me esclareçam sobre o significado desse silêncio”.
    Sabem qual foi a resposta? ZERO ABSOLUTO!!! Ninguém se atreveu a responder. A moral da história é fácil de tirar. Deixo-a à consideração dos treinadores de bancada que costumam pulular por aqui.
    Não esbanjámos………..Não pagamos!!!!!!!!!
    ZM

  2. Só vai ser enganado(a) quem quiser, depois do discurso de António Costa nos últimos dias. Não me venham até ás eleições falar na esquerda do PS!!!! Mais uma (depois de todas as broncas) afirmação de que lado o PS está. Quem os apoiar, apoia o neoliberalismo sem a menor dúvida e conscientemente. Este povo não é burro enganado, é reacionário!! Depois, queixem-se. Só sabem alternar, como quem alterna…

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