Saara Ocidental: um silêncio ensurdecedor – O exemplo de Isabel Lourenço

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O presente texto não serve de análise minuciosa sobre o histórico da colonização do território saarauí por parte do estado marroquino. Uma ocupação que dura de 1975 até ao dia da redacção destas palavras. A violação do direito à autodeterminação, o saque dos recursos naturais e massacre de populações autóctones por potências invasoras constituem, ainda que infelizmente, os eixos de uma política imperialista que não cessaram em pleno século XXI. Que as potências europeias também sejam caladas através de negociatas, privilégios e protocolos com o reino de Marrocos que visem a apropriação de matérias-primas de povos subjugados também não é novidade alguma. As relações internacionais movem-se pelos interesses das várias burguesias famintas pela acumulação de capital que não vêem qualquer problema em pisar direitos humanos em nome do lucro. O que me traz aqui é o silêncio da mesma imprensa que denunciou os crimes indonésios em Timor-Leste. Cabe a qualquer sujeito político e engajado denunciar as atrocidades que por lá vão acontecendo.

A hipocrisia do silêncio é de fácil compreensão. Na divisão internacional do trabalho o Saara Ocidental funciona como qualquer nação subordinada. Não tem espaço na agenda mediática. Fornece as matérias-primas para os grandes grupos económicos e encontra-se subdesenvolvido do ponto de vista das suas forças produtivas. As suas reservas pesqueiras são alvo das frotas europeias com o acordo entre Marrocos e a UE – incluindo Portugal. Outros minérios, nomeadamente as suas ricas minas de fosfato em Boucraa, não escapam a outras potências ocidentais.  As receitas vão directamente para Rabat financiar, entre outras coisas, o forte aparelho repressivo que brutaliza o povo que deveria ter escolas e hospitais.

Mas as suas gentes encontram-se em grande parte refugiadas em Tinduf na Argélia e a Frente Polisário não controla a maior parte do território. Na parcela ocupada assiste-se de tudo. De agressões a prisões arbitrárias que incluem até activistas.  A observadora portuguesa Isabel Lourenço foi vítima desta arrogância que chega ao ponto de ignorar qualquer observador dos direitos humanos. Deslocou-se para assistir ao julgamento de Mahmud Haisan, jornalista que se encontra detido e sujeito a tortura há mais de seis meses. Foi impedida e deportada para Casablanca. Amanhã estará de regresso pelas 13 horas e seria bom que fosse recebida tanto por companheiros e companheiras como pela imprensa no Aeroporto de Lisboa. As poucas vozes com acesso ao terror marroquino devem ser escutadas para que os oprimidos não fiquem esquecidos com as palavras que não forem publicadas.

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