Não foi pecado Juncker, foi crime.

what-is-sin

Séculos de reaccionarite católica, apostólica e romana, dão nisto. Jean-Claude Juncker, eventualmente à procura da perdão, veio a público desculpar-se dos crimes da troika, mitigando a sua acção como se de um pecado se tratasse: “Pecámos contra a dignidade dos cidadãos da Grécia, de Portugal e também da Irlanda”, afirmou sem no entanto deixar de admitir que, ‘tendo sido ele presidente do Eurogrupo entre 2005 e 2013, uma tal afirmação pode até parecer um pouco “estúpida”.’ A epístola de Juncker não se fica pela tentativa de mascarar o crime de pecado, e no bom espírito dos espíritos santos afiança ainda que “é preciso aprendermos as lições do passado e não repetir os mesmos erros” pelo que “quando chegar o momento (!?!?) [a troika] deverá ser revista”. Sobre a chantagem que está a ser feita à Grécia, naturalmente, nem uma palavra. Ao contrário do arrependimento, próprio de quem peca sem nenhuma convicção, para Juncker a hora de parar com a austeridade ainda não chegou.

Se os pecados são movidos, quase sem excepção, por boas intenções e instintos de insubordinação, estes raramente têm mais do que consequências morais. Já os actos criminosos com que a Europa de Juncker tem castigado os países do Sul mede-se em número de mortos e na explosão de um exército de novos pobres. Pecar, mesmo dentro da lógica dos dez mandamentos, é que a Europa não teria outro Deus senão os que nela mandam e a lógica que lhe dá corpo. Como é bom de ver, a troika foi sempre mais papista que o Papa em matéria de cumprimento das ordens do Evangelho, mas tem mais sangue nas mãos que os padrinhos de Camorra. É sobre isso que Juncker deveria responder e ser julgado. No tribunal, não no confessionário. É que se os pecados têm redenção, aos crimes cabe algum castigo.

5 thoughts on “Não foi pecado Juncker, foi crime.

  1. Já publiquei no meu face. Gostei. Só é pena que queiram ser perdoados, mas depois da penitência, não emendam a mão.
    Quase todos aprenderam na escola do Goldman Sachs, não há nada a fazer, se não ficar envergonhado, quando alguém se senta ao pé de outrem a defender, publicamente, o mal que tem feito ao nosso país.

  2. Comentário de um amigo no facebook: “Cá para mim, trocava a forma do título, pela forma verbal do presente do indicativo, por “Não é pecado Juncker, é crime”. O que se passou, pode ser perdoado, o que se passa, tem de ser resolvido.”

Deixe o seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s