“Custe o que custar”

OBEDIENCE

Passos Coelho não vai ficar na memória por muitas razões. Assim é com quem, mesmo ocupando um pequeníssimo lugar na história e tendo aí uma oportunidade, preferiu ser sempre a voz do dono. O único PM que se orgulha de ter ido além das já absurdas exigências da troika, cujo único elemento de diferenciação é ser mais amigo do dono do que do povo que o elegeu, merece no entanto que se lhe impute a declinação do dito “custe o que custar”, reconhecendo o mérito de, com apenas dois usos concretos, lhe ter dado todo um novo significado.

“Nós, simplesmente, como gente adulta e madura, vamos cumprir o que lá está, custe o que custar. E custa, custa muito, não haja dúvida quanto a isso, mas vamos cumprir”.

“Deve-se fazer tudo para salvar vidas, mas não custe o que custar”

Alguém que dá mais pelo seu programa de governo do que pela vida das pessoas que governa não ganha só direito a ser julgado em Haia, ganha um lugar no Olimpo da imbecilidade mesmo sendo um zé-ninguém da humanidade.

3 thoughts on ““Custe o que custar”

  1. Amigo Renato
    Ainda que compreenda e subscreva o desabafo, creio ser importante contextualizar o episódio. A questão do preço dos medicamentos de referência inscreve-se directamente no quadro mais vasto da ofensiva das grandes farmoquímicas no sentido de reforçar as suas patentes, facto exponenciado pelos tratados internacionais actualmente em negociação. Claro que essas empresas alegam que o disparo dos preços e a concomitante restrição aos genéricos, é indispensável para pagar a investigação. Tal deixaria de fazer sentido se essa investigação ficasse a cargo de organismos sob o controlo do estado. Mas claro que há limites para tudo. Obrigar o SNS a pagar 40 a 50.000 por um tratamento contra a hepatite não pode ser admissível sob nenhum ponto de vista. É uma chantagem intolerável.Talvez por isso, a empresa já propôs uma redução para 25.000, além de alguns tratamentos gratuitos, como forma de mostrar o seu bom coração e a sua sensibilidade face ao drama dos doentes a morrer sem tratamento. Afinal é mais uma forma de terrorismo onde os grandes interesses económicos jogam à roleta russa com os governos, sobretudo os dos estados em grave constrangimento económico, como é o caso. Ter de escolher entre os 40.000 de um tratamento e aproveitar esse dinheiro para alimentar alguns milhares de crianças com fome, seria uma escolha impossível. É esse tipo de circulo caucasiano que os cidadãos não podem permitir.

    Não esbanjámos…..Não pagamos!!!!!
    ZM

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