Com uma primeira-dama assim, quem precisa de ministras?

Betty é a companheira de Tsipras e, conta a imprensa, foi ela que o iniciou na actividade política ao ganhar o jovem estudante de engenharia para o Partido Comunista, onde começou o seu trajecto. Quanto a esquerda fetichista está em litígio com o governo do Syriza por este não ter nenhuma mulher como ministra, parece-me útil sublinhar esta evidência: com uma primeira-dama assim, quem precisa de ministras?

20 thoughts on “Com uma primeira-dama assim, quem precisa de ministras?

  1. Há muitas mulheres que não querem perceber que a melhor maneira que os HOMENS (que governam patriarcalmente esta sociedade ultra-machista) encontraram para calar o feminismo foi atribuírem artificialmente meia dúzia de cargos de chefia a mulheres, no seio de partidos políticos, grupos de caridade ou governos. A maioria das feministas deixa-se comprar com isto, não percebendo que, na sombra silenciosa do folclore deste golpe barato e ruidoso, o patriarcado se continua a reproduzir alegremente e a salvo da crítica.

    O machismo reproduz-se apenas nas águas mais profundas da vida social, cultural e política, deixando as ondas à superfície livres para ecoarem o ruído mediático e espalhafatoso das esquerdistas feministas (como tão bem testemunhou a história do piropo). Definitivamente não há movimento ’emancipatório’ nesta sociedade tão tolo, superficial e acrítico como o feminismo (ou a maior parte dele, para ser mais rigoroso).

    1. Espantoso como depois de terem andando a ensinar aos outros o que é o racismo se predispõe agora a ensinar às “fetichistas” o que é ou não o feminismo, como se fosse redutível a dois ou três clichés e não sujeito às mesmas dicussões e contradições que qualquer outro projecto político. A questão é tão mais complexa do resumo que fazes, e este post é tão lamentável que nem sei por onde começar.

      1. A mim ninguém me cala. Ensino tudo a todos, como todos me ensinam tudo. Não estou de acordo que o feminismo diga respeito só às mulheres e o racismo, a homofobia e a luta de classes só a quem está debaixo da sua mira.

      2. Menor: ninguém disse isso. não lhe faria mal perceber que entre a sua postura e o “politicamente correcto” há mil outras que não conhece e que não são reduzíveis à débil caricatura que tece delas. A si ninguém cala, mas talvez já fosse altura de perceber que quanto mais se espingarda menos gente há a ouvir.

        PDuarte: Há sentidos de humor tão refinados que não são perceptíveis por todos. Eu aconselharia que doravante, a molhares o bico em polémicas em curso, te informasses um pouco melhor de onde surgem, procurando diversificar as tuas fontes. É que já não é a primeira vez que vejo a assumir um papel que, tendo em conta as referências políticas que tão abertamente citas, entra numa contradição directa com elas. Resumir o feminismo à caricatura do Menor é bastante desonesto intelectualmente, e para quem anda tão embrenhado e militante na leitura do Kurtz não seria mal de espreitar as criticas que outros téoricos e teóricas da crítica da forma-valor fizeram às identidades de género. O 2º número da endnotes poderá ser um bom ponto para começar.

  2. Che Ghevara morreu na luta… Será que os media main stream já estão a sugerir qualquer coisa…?
    Não consigo engolir essa aliança que esses meninos fizeram com os outros nazionalistas… Ainda por cima deram-lhes a pasta da defesa…
    Alguém me explica o que se passa nessas cabecinhas?
    Já não é mau o suficiente coligar com nazis e pra agravar entregam-lhes as armas?
    Wtf…!?
    Menor, tens toda a razão! Bonitona! :)

  3. Um coisa é realçar que não é com ministras burguesas no poder (ou mulheres noutras posições de liderança capitalista) que a emancipação da Mulher se alcança, como demonstram Merkel, Dilma ou Isabel dos Santos, e antes Thatcher, e que o feminismo que defende tal coisa é tão inimigo da emancipação feminina como outras formas de machismo mais declarado.

    Agora outra coisa é saltar desta posição para o disparate de dizer que o facto de não haver ministras no governo do Syriza é um passo em frente da luta das mulheres. Isso é ridículo! Quanto muito o que demonstra é a dificuldade que o Syriza teve de formar quadros femininos com capacidades de assumir posições chave na liderança desse partido. Se é que não as há, duvido muito que não.

    Depois como se não bastasse o disparate anterior “eleva-se o nível” com piadinhas machistas de baixo nível como esta. São infelizmente os homens de esquerda, muito prontos a auto-intitularem-se de feministas (ou defensores da emancipação da mulher) que vão empurrando tantas mulheres para as posições fetichistas que pretendem criticar.

      1. Para a militância de esquerda, parece que sim. Mas para o materialismo dialéctico? Já tenho algumas dúvidas. De qualquer forma essa fuga da questão é muito fraca, é que gostas tanto da Betty que acabaste de a objectificar.

      2. Tudo se objectifica. Até aqueles que não gostam de objectivar acabam a objectivar. Dizer que o mérito dela é político é uma objectificação, longe, muito longe de qualquer moldura machista. De resto, tal qual como as escolhas do Syriza.

Deixe o seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s