“Em defesa dos Transportes Aéreos Portugueses”, por Não TAP os Olhos em resposta ao Sérgio Monteiro

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A criação dos Transportes Aéreos Portugueses, TAP, em 14 de Março de 1945, correspondeu a uma resposta do Estado Português às necessidades do sistema de transportes do País, que abarcavam um território vasto, repartido entre três continentes. As prioridades eram a ligação entre a metrópole, os arquipélagos dos Açores e da Madeira e as então províncias ultramarinas. A essas prioridades acrescia a da ligação à Europa. A primeira linha comercial Lisboa-Madrid abre a 19 de Setembro de 1946, a de Paris é inaugurada em 1948 e a ligação com Londres no ano seguinte.

Essas prioridades mantêm-se hoje. As antigas colónias ou províncias ultramarinas, como nessa altura lhes chamavam, continuam a ser rotas importantes, tal como a ligação ao Brasil e aos arquipélagos do Atlântico. São prioridades para Portugal, não para uma qualquer companhia comercial cuja prioridade única será a de explorar rotas lucrativas.

A quem, se não aos Portugueses, interessa manter ligações regulares, a preços acessíveis, entre o Portugal continental e as ilhas atlânticas? E a quem senão os Portugueses, e neste caso ao Estado Português, compete garanti-las? Esta é uma questão de soberania e de solidariedade nacional que é neste momento assegurada pela TAP. Se a TAP deixar de ser portuguesa, quem irá garanti-lo?

Portugal é um pequeno país de pouco mais que 10 milhões de habitantes. Mas está ligado for fortes laços a uma diáspora que representa mais 5 milhões. E a uma comunidade lusófona de mais de 200 milhões. Garantir a ligação aérea entre estas comunidades é uma questão de soberania.

Essa, porém, não parece ser uma preocupação do actual Governo de Portugal, que persiste na determinação de privatizar a TAP. Fazendo o balanço dos quatro dias de greve contra a privatização da TAP decretada por SINTAC, SNPVAC e SITAVA, o secretário de Estado das Infra-estruturas, dos Transportes e Telecomunicações, Sérgio Monteiro, felicitava-se por os seus efeitos “quase não se terem feito sentir” e prometia aos sindicatos que tinham decidido desconvocar a greve “aumentos salariais” se a TAP fosse privatizada. Quanto a despedimentos, afirmava que “a nossa aproximação geral é tentar que todas as outras vias sejam esgotadas até que se chegue ao despedimento coletivo e esse princípio deve ficar vertido no caderno de encargos” que o Governo pretende levar a Conselho de Ministros a 15 de janeiro (Dinheiro Vivo, 30-12-2014).

Se o Governo conseguisse levar a sua avante e a TAP fosse privatizada, os seus efeitos não deixariam de se fazer sentir. A nível imediato, através de despedimentos. A médio prazo, através da perda de um instrumento de soberania e solidariedade nacional que levou sete décadas a construir. Ainda estamos a tempo de impedi-lo.

Via Não TAP os Olhos, também no facebook. | Dia 31 de Janeiro participa na concentração marcada para o Aeroporto da Portela, em Lisboa, porque a TAP É DE TODOS!

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