“A TAP É DE TODOS”, Fernando Silva Gomes*

3

Nove dos doze sindicatos que têm pessoal na TAP, à rebelia do que tem vindo a ser dito um pouco por toda a gente, assinaram um memorando que, entre outras coisas, aceita a privatização da TAP tal qual tem vindo a ser defendida pelo governo (ver documento no final do post). À primeira vista poderia pensar-se que a luta acabou, que os trabalhadores, por via de um punhado de dirigentes sindicais temerosos, voltaram a perder. Mas está longe de ser assim. O que foi assinado é uma espécie de concordata sem concórdia, pelo que ainda há muita luta pela frente!

Os sindicatos que assinaram o acordo não representam mais de 50% dos trabalhadores da TAP. Além disso já houve pelo menos uma Comissão de Trabalhadores a demarcar-se do acordo e a afirmar o seu empenhamento na luta contra a privatização e há três sindicatos que não cederam e continuam o combate à privatização (ver, por exemplo, o comunicado do Sitava, mas também as declarações do SNPVAC e do SINTAC) denunciando também as manobras do governo para impedir o direito à greve.

A sociedade civil, porque a TAP não diz respeito apenas aos seus trabalhadores e sindicatos, dinamizou um movimento chamado “Não TAP os olhos” – no facebook já conta com mais de 7800 gostos –com um manifesto subscrito por mais de cem personalidades – do Agualusa ao Tony Carreira – e por mais de 3500 cidadãos, de todos os espectros políticos e diferentes sectores da sociedade.

O mesmo movimento está também a convocar uma concentração no Aeroporto da Portela para o próximo dia 31 de Janeiro, de modo a tornar visível o descontentamento e a dizer, alto e em bom som: “A TAP É DE TODOS!”

*Trabalhador da TAP

25

3 thoughts on ““A TAP É DE TODOS”, Fernando Silva Gomes*

  1. Quando tanto se fala em cadernos de encargos fica o aviso aos que defendem a privatização/desnacionalização da TAP:” Investidores internacionais lançam novos processos contra Governo, BdP e CMVM.Processos reclamam do direito de acesso à informação administrativa relacionada com a intervenção pública no BES”.Podem argumentar com as regras europeias no domínio da concorrência para justificar as novas formas de vassalagem não deixa de ser irónico se não fosse trágico que o país acabe perdendo (para) todos os centros de decisão num contexto de quasi- colonialismo que consagra a troca desigual ou como diz Chomsky a pilhagem não só económica mas dos mais elementares direitos civis e sociais …a greve da transportadora nacional há muito ultrapassou os limites de uma luta laboral/sindical para se transformar numa reivindicação democrática de afirmação de direitos civis-talvez por isso o governo se apresse a ameaçar com a requisição civil e a criar um clima de guerra sacrificial…

Deixe o seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s