Músicas inobedientes (IX): O ‘free jazz’ segundo Edgard Varèse

Edgar VarèseHá poucos anos atrás, alguém, que vasculhava uma qualquer arca dos tesouros, foi dar com uma gravação de 1957 absolutamente improvável e inédita: o maior génio da composição contemporânea, Edgard Varèse, (des)orientando um workshop com jazzmen do calibre de Teo Macero (sax tenor e futuro produtor de Miles) ou Charlie Mingus (baixo). Três anos antes do famoso álbum ‘Free Jazz’, de Ornette Coleman, já Varèse (sound sculptor admirado por Charlie Parker e também um admirador das prestações de Coltrane no Village) explorava o potencial do jazz nesse interminável projecto (de manter a humanidade viva) que é a contínua libertação de estereótipos e padrões estéticos.

VareseJazzScore

Um ano depois, Varèse iria usar extractos deste workshop no seu célebre ‘Poème électronique’ (uma curta sequência de sons assombrosos que, mais de meio século depois, continuam a causar-nos um forte impacto e um estranho fascínio), levando assim o referido workshop ao Olimpo da Música Contemporânea.


Outras músicas inobedientes: (I) Lou Reed (Metal Machine Music) (II) Diamanda Galás (Malediction and Prayer)  (III) Throbbing Gristle (IV) Kurt Cobain  (V) M.A.S.O.N.N.A.  (VI) Charlotte Moorman (Topless Cellist)  (VII) Gangsta Rap (sobre os motins de L.A.)  (VIII) Sunn O)))

About PDuarte

Historiador, jardineiro, horticultor. Vive na província. No tempo vago, que procura multiplicar de dia para dia, perde-se em viagens, algumas pelos montes em redor, outras pelos livros que sempre o acompanham. Prefere o vinho à blogosfera, a blogosfera ao Parlamento.

5 thoughts on “Músicas inobedientes (IX): O ‘free jazz’ segundo Edgard Varèse

  1. Parece que um jovem chamado Ismaaiyl Brinsley eliminou dois bófias em Nova Iorque. Depois suicidou-se, ou foi “suicidado” (isso agora não sabemos..). O que sabemos é que o jovem era muçulmano e que no Islão o suicídio é absolutamente proibido.

    Em relação à questão do suicídio, o jovem acertará contas com Deus no dia do julgamento; quanto à operação em si – do ponto de vista da jurisprudência islâmica -, nada a dizer. Caso tenha sido eliminado, o jovem morre shahid – porque a verdade é que há uma guerra contra a população negra, que tem de se defender. E para isso por vezes é necessário equilibrar a balança do terror, e eliminar os membros do aparelho repressor.

    يا شهيد الله يرحمك

  2. O poema electrónico foi feito para a exposição universal de Bruxelas, como base sonora do pavilhão Philips, desenhado por xenakis e assinado por Le Corbusier. Com esse pavilhão, queria mostrar-se, não só a excelência e as capacidades da arquitectura de betão, como as potencialidades das fontes sonoras da época. Por esse motivo, e porque a plasticidade de Xenakis também o queria, o pavilhão tinha a forma de paraboloides hiperbólicas, que continham as fontes sonoras e difundiam o som de forma única e com grande potencialidade acústica. (De tal maneira que mesmo todo revestido a amianto, só era possível habitá-lo e ouvir a música com muitas pessoas, pois o público funcionava como massa de absorção sonora).
    O poema electrónico é uma das peças mais intensas que já ouvi.
    Para quem gosta de música electroacústica, recomendo a peça “Metastaseis” de Iannis Xinakis, arquitecto compositor, o autor do Pavilhão Philips. É aliás, a partitura de “Metastaseis” a fonte de inspiração para a interessante forma desse pavilhão.

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