Cinco notas soltas sobre a Assembleia Cidadã

Chupeta-Pode-ou-Não-Pode-Dicas-Odonto

Decorreu este fim de semana a Assembleia Cidadã. Ainda sem grandes conclusões – continuam a faltar dados para o poder fazer – avanço algumas notas soltas sobre estes dois dias de trabalhos.

1- Ao longo de Sábado e Domingo mais de 300 pessoas passaram pelo ISPA, protagonizando bons momentos nos debates programáticos que se realizaram, que podem significar o lançamento de pistas importantes sobre as questões que têm sido esquecidas pela generalidade dos sujeitos políticos em Portugal. A dívida, a habitação, a democracia, a corrupção, o TTIP foram alguns dos assuntos abordados, com o comprometimento geral de que em cada um deles irá ser desenvolvida actividade e pensamento crítico.

2- Do conjunto largo de intervenções, dos convidados e dos que ali marcaram presença, destaco a importância da intervenção da Raquel Varela e do Jorge Bateira sobre a dívida pública, bem como a do Nuno Ramos de Almeida e da Carolina Bescansa sobre os caminhos que se devem seguir para levar a cabo os objectivos propostos. (vídeos em actualização na página dos Juntos Podemos, e no País do Burro).

3- Na Assembleia final saíram algumas conclusões e um calendário que nos levará a nova Assembleia Cidadã no próximo dia 24 de Janeiro, onde se vão tirar conclusões sobre as possibilidades abertas agora, seja sobre os eixos programáticos, seja sobre a possibilidade de se avançar para a criação de um novo partido político.

4- Face ao frenesim instalado no plenário final por aqueles que olham para este processo apenas com os olhos postos no próximo processo eleitoral, dizer apenas que “a pressa é inimiga da perfeição” e que é difícil compreender que aqueles que mais experiência política acumulam sejam também os que mais impaciência demonstraram. Sem ainda saber onde este caminho nos leva estou certo que ele terá que ser feito com outro fôlego em matéria de capacidade de articulação das diferentes sensibilidades presentes, com especial responsabilidade para aqueles que sabem bem o resultado de se fazerem partidos em contra-relógio. Essa pressa, essa capitulação ao fast-food, pode resultar na construção de um sujeito político tísico, sem músculo, politicamente frágil e incapaz de atingir as metas que começaram a ser desenhadas.

5- A participação de partidos já constituídos tem que ser pensada de modo a que o futuro da Assembleia Cidadã seja decidida pelo mosaico de gente que lhe dá sentido e não um espaço onde esta ou aquela organização se vai reciclar olhando apenas e só para a sua agenda de interesses particulares. Se esse for o caminho não haverá caminho nenhum e continuaremos condenados à farsa e à comédia.

Notícias no Público, no JN e no Expresso.

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9 thoughts on “Cinco notas soltas sobre a Assembleia Cidadã

  1. “a pressa é inimiga da perfeição” e o engonhanço é suicida. Quanto mais tarde for tomada a decisão pior vai ser. Para adiar há sempre desculpas. Creio que é altura do medo não guiar as nossas decisões mas a lucidez e coragem. Afinal o que é que se tem a perder com lançar JÀ o PODEMOS? E o que é que se perde se ele não for para a frente? Não percebo esta atitude Deolinda… É que a oposição de quem está ou simpatiza com partidos existentes até compreendo, mas esta onda Deolinda é que nem tanto. http://youtu.be/us9dIcLjfKM

    “Essa pressa, essa capitulação ao fast-food, pode resultar na construção de um sujeito político tísico, sem músculo, politicamente frágil e incapaz de atingir as metas que começaram a ser desenhadas”

    A melhor garantia que essas metas não vão ser alcançadas é não ir a jogo!!! Nunca haverá certezas ou garantias que este novo movimento-partido será um sucesso, NUNCA sem antes o por em marcha. A questão é, qual o melhor timming? AGORA ou daqui a uns anos, não se sabe bem quando??? Daqui “a uns anos não se sabe bem como” o mais provável é não existir o mesmo espaço que há hoje para esta força crescer e frutificar. Daqui a uns anos quando o Governo costa tiver no Poder? Quando a oposição for dominada pela direita? Ou quando o Livre-BE-PCP ocuparem todo esse espaço? Aí é que vai haver condições????

    A questão não é para ser enrolada de forma um bocado abstrusa. è para ser encarada de frente. Queremos fazer um PODEMOS? Sim ou não? Se a resposta é sim, então é AGORA, adiar é o mesmo que dizer não. Nunca haverá as condições e convergências ideias, NUNCA. Se acham que o PODEMOS não é preciso, que os partidos existentes já dão resposta ou que pura e simplesmente os partidos não servem para nada então percebo a posição (e discordo). Mas tu não assumes nada disso o que torna a tua posição algo incompreensível.
    Queremos fazer um PODEMOS?
    Haverá melhores condições para o lançar agora, ou daqui a uns anos?
    PODEMOS faz falta agora ou daqui a uns anos?
    As forças partidárias existentes dão conta do recado ou não?
    As forças partidárias são irrelevantes?

    Até parece que temos todo o tempo do mundo e que a cada dia que corre a correlação de forças está a melhorar. Fala-se muito dos custos da acção, fala-se pouco dos custos da inacção…

    1. Furtado para ti quanto tempo levou a tirar conclusões sobre o BE? E construir algo de novo depois? Os ritmos do MAS não são o ritmo dos demais que davam sentido à coisa e, sabendo disso, acelera-se?

      Tu, sem (acho) teres participado numa única reunião estás certo de que todas as condições estão reunidas. O MAS também. Vejo que se tudo falhar haverá o que fazerem juntos. ;)

  2. Uma proposta de partido que junte Raquel Varela e Gil Garcia, Renato Teixeira e João Rodrigues, Carlos Antunes e Paula Gil só poder ser uma comédia. Ainda não sabem se vão ser um partido, mas já decidiram “recolher assinaturas”.

    eheheheh! Muito bom! Isto é a prova viva que o espírito monty phyton continua vivo, pois graças a Deus não é uma farsa: é só uma cisão: http://p3.publico.pt/actualidade/politica/14706/que-se-lixe-o-podemos-falar.

    1. O problema deste arremedo de Podemos à portuguesa não é o excesso de figuras mediáticas, é a carência de ideias. Tanta gente a preocupar-se com questões menores não deixa espaço para a preocupação com as questões fulcrais. Há demasiados historiadores, psicólogos, informáticos, etc., a falar de coisas de que nada sabem (nomeadamente no campo da economia), e o resultado só pode ser um disparate pegado por muito grande que seja a prosápia acaciana dos oradores. Cada vez que oiço falar da auditoria cidadã à dívida apetece-me emigrar para Marte!…

  3. Quando um grupo de gente inteligente acha que vale a pena insistir nas cantigas da discussão da dívida e da sua auditoria, do TTIP, da saída ou não saída do euro, do fim do segredo bancário, e outras questões de igual magnitude, deixando de lado toda e qualquer discussão sobre investimento, produtividade, equilíbrio da BTC, participação do factor trabalho nas decisões estratégicas empresariais, sustentabilidade do SNS e da Segurança Social, saída da NATO e encerramento de todas as bases americanas na Europa, então fica-se logo a saber que espécie de futuro teria um partido constituído por tal gente para promover a sua agenda de questões menores. Por mim dispenso.

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