O Mimo da Graça

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Graça Canto Moniz, braço direito do braço direito do Hélder Amaral, acha que “a vontade de mudar o mundo sempre foi reflexo de uma juventude mimada”. Enquanto jovem as razões da revolta não iam além da necessidade de “ter de arrumar o quarto ou de cumprir os mínimos, ao nível da higiene, para uma vida em comunidade”. A angustia do “quarto desarrumado e um sovaco afirmativo” esbarrou em pensamentos “utópicos, nas profundezas do pensamento sobre ideias inatingíveis”. Para ela o grande problema é que “não sobra tempo para a vida individual”, essa que obriga a que “Caetana, faça a sua cama”.

Não vê “fascismo paterno” a não ser “no meio do quotidiano”, e preocupa-a o lugar “onde fica a justiça social e o combate ao neoliberalismo”. Face à hipótese dos comunistas “viverem nas nuvens” e de estarem condenados “à incapacidade de acertar no alvo”, olha com ternura e ortodoxia para “novas causas, mais ou menos fracturantes, mais ou menos nobres”, e coloca ao peito a justa medalha de fazer parte do campo político que tem dado razões e dinheiro ao “fundamentalismo religioso” que “ganhou terreno entre os filhos das sociedades ateístas”, da qual é filha bastarda.

E é essa a “a suprema ironia”. Os jovens democratas-cristãos, esses que rezam ao domingo sem direito nem a mimo nem a farra, são os grandes responsáveis pela conversão dos jovens à guerra santa. Naturalmente com direito a tudo, do iPod à teimosia em não fazer a cama ou lavar tachos”. Enquanto luta por Deus, financia grupos que “em nome de Alá” fazem a guerra “contra o Ocidente”. “Grita por Steve Jobs” sem saber que “a guerra está materialmente ganha quando estes meninos não abdicam da manifestação”. O estilo de vida dos infiéis não deu um cêntimo ao Estado Islâmico, mas a vida das beatas, ainda mais quando são betas, corre no sangue de todas as variações fundamentalistas.

Podemos e devemos brincar com a catatonia da Canto Moniz, sobretudo porque ela dá imenso jeito para que se perceba quem mais ri com com a sua Graça.

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