Com’petit'[iv]idade, a frágil fórmula do ensino

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“Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu ‘attachi-case’ sai a solução!”

Excerto do FMI, de José Mário Branco

Esta é uma imagem simples, corriqueira, desenhada por uma professora de uma qualquer escola primária no chão de um passeio público de ocasião. Não diz muito mas o pouco que diz fala muito alto sobre o frenesim competitivo que domina o ensino desde os seus primeiros passos. “Ganha!” é uma palavra e uma exclamação que se repete à exaustão até que ela seja o amém dos teólogos do devir. Servirá para tudo e o resultado mais evidente é que transforma a forma como se olha a vida como se de um jogo se tratasse, uma insanidade que molda a maioria de um espírito tão individualista como maniqueísta com grandes implicações na sociedade. A ideia é produzir máquinas, não seres humanos. A ideia é produzir produtores, não seres dotados de existência emocional. A ideia não é uma ideia, é um disparate consequências difíceis de prever na sua imensidão. Um disparate que deve ser combatido violentamente, de preferência, com a mesma ferocidade com que andam a educar os vindouros a passar por cima de tudo e de todos para chegar à meta em primeiro lugar.

One thought on “Com’petit'[iv]idade, a frágil fórmula do ensino

  1. desespero, é mesmo isso. eu não sei q fazer. a minha vontade era deitar tudo abaixo e fazer de novo.
    vi uma reportagem na tv em q muitos miúdos já não pensam continuar a estudar. muitos pq não querem ser os melhores, não querem ganhar, querem participar com o seu talento (todos temos pelo menos um), querem fazer parte da equipa. eu pensava q era só o meu filho, e pensava q ele era preguiçoso. eu julguei erradamente o meu filho pq assisto desesperada à sua desgraça, pq quero salva-lo. mas o puto tem razão e eu é que estou errada tentando integra-lo num mundo q ele rejeita e do qual não quer fazer parte
    que pena q esta consciência de q o mundo é uma merda só aconteça aos menos “educados” pois os outros seguem as pisadas dos pais e enquanto manifestam a sua revolta que não passa de palavras vãs, tentam lixar o colega para serem eles os melhores, os eleitos, os q ficam com o lugar e serão eles o futuro
    a não ser q tenhas uma ideia
    tens?
    :)

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