Regresso às cavernas do sectarismo

bang_head_hereA “Esquerda Anticapitalista” é a única corrente organizada com expressão no interior do Podemos. Esta secção da IV (equivalente ao PSR em Portugal) do Estado Espanhol teve a clareza de, desde a primeira hora, integrar o processo de construção do Podemos. A sua principal figura é a Teresa Rodrigues, eleita eurodeputada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, e foi a primeira pessoa que o BE convidou para vir falar a um comício. Depois de alinharem sem nenhuma crítica com o grupo “Claro que Podemos”, liderado pelo Pablo Iglesias, aparecem agora a denunciar aquilo que classificam de “mutação organizativa” da organização.

As críticas, mesmo quando aparentam ser justas, devem ter o cuidado de não escamotear a história e a posição de quem as faz. As intenções são tão importantes como a sua substância, nomeadamente para se perceber que se estes continuassem a ser eleitos na lista conjunta e a ter o protagonismo que lhes foi conferido no primeiro ano do Podemos, a “mutação organizativa” continuava a existir ainda que sem diagnóstico e sem a relevância dramática que agora adquire. O problema do bonapartismo, da democracia interna, da radicalidade das propostas políticas são seguramente algo a debater, seja no Podemos seja em qualquer outro partido político. A sua seriedade não pode dar lugar a tacticismos que só dão valor a estas questões quando elas afectam directamente quem as crítica. A análise política deve evitar os double standards que teimam em contaminar a opinião pública. A “Esquerda Anticapitalista”, no meu entender, faz mal em aderir ao sectarismo de grupos como a “Corriente Roja”, que durante as últimas eleições elegeram o Podemos em detrimento da casta (PSOE e PP) como o principal alvo da sua actuação política (123). O resultado ficou à vista.

Deixar que as certezas prévias ou os desejos se substituam à realidade na análise política faz com que para se fazer política não seja sequer preciso sair de casa. É pouco. Parece-me evidente que há muito para aprender e criticar no Podemos e que tal deve ser feito no decorrer de processos equivalentes, no exercício da experiência concreta. Sem messianismo nem idolatria, mas também sem sectarismo, sobretudo aquele que identifica os defeitos e as virtudes de algo ao sabor da circunstância das suas intenções.

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3 thoughts on “Regresso às cavernas do sectarismo

  1. É engraçado como é tão parecido o Renato com o seu suposto rival Louçã. Então os troskistas que batem no peito, batem com a porta e que dizem que não alinham em projectos sociais-democratas o que fazem é agora apoiar o Podemos e mandar a sua habitual lenga lenga de “direito de tendência” para o lixo. Eu percebo, eu percebo que o que conta é a diferença de valores entre as sondagens do Podemos e do Bloco de Esquerda (que o BE mesmo no seu auge não entusiasmava grande coisa). Afinal o que conta para um trotskista “a sério” como o Renato não é se o projecto do BE e o Podemos é social-democrata (que é em ambos os casos, e até é mais nitidamente no Podemos desde o início) mas sim o potencial de fatia do bolo que se vai comer ao parlamento burguês e se possível mais além ao próprio Estado burguês formando um governo para gerir o capitalismo. Eu bem tento ser benevolente com alguns trotskistas ditos “ortodoxos” (dando lhes o benefício da sua ingenuidade e vontade de estudar o marxismo), mas o que salta a vista da constelação de correntes e internacionais trotskistas é que os menos maus conseguem criar correntes, os piores dos piores em jeito de capitulação total dissolvem a sua corrente no projecto mais “ganhador” da social-democracia e em nenhum caso existe a menor capacidade de construir um partido revolucionário que realmente se possa dizer que represente os trabalhadores de um determinado país. A generalidade dos trotskistas como se vê pelo exemplo do Renato, estão condenados (por auto-condenação) a serem os primos rebeldes da social-democracia. Falam, falam, falam e um dia acabam como secretários de Estado de alguma coisa. Esta missa de mudar instituições burguesas por dentro já está mais que velha e decadente!

      1. Cretinismo parlamentar no seu melhor. Realmente é assim que Pablo Iglesias e seus apaniguados se propõem a inventar de novo a roda, em vez de prometer o socialismo, não propõem coisa nenhuma senão as migalhas do costume, as migalhas que qualquer PS/PSOE/xuxialista já prometeu milhentas vezes. O truque disto ser novo é dizer que são apolíticos, apartidários e não-ideoloógicos, como quem diz somos amigos do Capital. Agora quando é que o Renato vai voltar a abrir a boca a falar da social-democracia e do marxismo? quando tiver o seu gabinetezinho no parlamento da burguesia?

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