Lumbersexual, histerismo pós-hipsteriano

Depois dos hypsters, os lumbersexuais. Não muda muito nas peneiras, mas o jeito entra ainda mais para o campo, outrora exclusivo, dos labregos. No instagram e no facebook há mais exemplos além dos que aqui se publicam, e em todos o mesmo padrão. Atrás da aparente normalidade há um sem fim de preocupações estético-gráficas. Não tenho nenhum problema com a valorização da estética, tendo a encaixar isso no universo dos direitos, liberdades e garantias que ainda vamos usufruindo, mas já me causa alguma confusão que a excentricidade estético-gráfica se esconda atrás a ideia de normalidade.

No outro dia vi um que passeava pelo Chiado. Era tão bonito como pomposo mas o pomposo quase lhe escondia o que tinha de bonito. A cada dez segundos retocava o cachecol, milimetricamente disposto sobre o xadrez da camisa engomada na perfeição. Nada ali era deixado ao acaso. Lembrou-me, claro, os punks que o punk pariu depois do punk morrer. Espero que isto seja só sintoma que os hipsters passaram à história, sem que nenhuma outra história venha sobrepor-se numa versão fetichizada.

One thought on “Lumbersexual, histerismo pós-hipsteriano

  1. Camisa de flanela aos quadradinhos, barba por desfazer… “Lumbersexual”… que raio de nome arranjaram para a reposição da farda maoísta dos anos 70!
    (note-se que originalmente o cabelo era mais comprido, isto até um artigo no “Luta Popular” contra “o porte abandalhado e pequeno-burguês”)

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