“A lira por ser ingrata, tiranicamente morreu, a morte a mim não me mata, firme e constante sou eu”, excerto do poema “Morte que Mataste Lira”, de Adriano Correia de Oliveira, a propósito da ostracização da liberdade e da sacralização da morte

chegada cunhal final

Não conheci o José Casanova. O que sei dele, politicamente, não me gera nenhuma simpatia, mas não creio que seja esta a hora de escrever obituários. De resto, sobre essa postura, repito o que escrevi no 5dias à data da morte de Saldanha Sanches.

“Quem morre a falar é porque tem algo importante para dizer. Aqui, na primeira pessoa, os seus últimos artigos e alguns dos seus trabalhos. Deixo a nota póstuma para quem com mais afinidades. Espero nunca cair no mau gosto do José Manuel Fernandes a quando do Francisco Martins Rodrigues. O debate político deve ser dado em vida ou depois do luto. Poucos o merecem na hora da morte.”

Entendo que é legítimo outra postura e por isso acho que o Zé Manuel Clemente tem todo o direito de escrever o que bem entende, sobre quem bem entende, quando bem entende. É esse o espírito de liberdade que torna este espaço único e que nenhuma turba cibernética, mesmo recorrendo à calúnia, será capaz de castrar. A sua hipocrisia, escudando-se no argumento do tempo, é gritante, sobretudo se estivermos a falar dos mesmos que, muitos anos depois da comoção do luto, são incapazes de lidar com a crítica a quem tomam por Deus ao invés de camarada.

CommunistJesus1

5 thoughts on ““A lira por ser ingrata, tiranicamente morreu, a morte a mim não me mata, firme e constante sou eu”, excerto do poema “Morte que Mataste Lira”, de Adriano Correia de Oliveira, a propósito da ostracização da liberdade e da sacralização da morte

  1. Renato,

    Não devias utilizar como exemplo, um texto que está ferido de morte. Nos comentários a esse texto, o camarada Proletkult apontou o erro e tu ainda não o corrigiste. E tu sabes que o erro está lá. Não revelaste ter a autocrítica que agora exiges aos militantes do PCP.

    Deste o flanco. E a tese do reformismo e do revisionismo em Cunhal e no PCP, tão fácil de demonstrar (afinal é a teoria e a prática do PCP), transforma-se numa cacofonia.

    Cumprimentos

    1. A referência não serve para recuperar a discussão. Serve para demonstrar que mesmo depois do luto há quem nunca consiga debater os seus dirigentes sem os sacralizar. Paradoxalmente, na hora de louvar o filho da puta que assassinou o Trotsky, a turba já não olha a meios para levar a cabo as suas celebrações. Ironias esclarecedoras, em suma.

  2. Renato,

    A turba é isso mesmo, turbamulta tresloucada e pateta. Não devias ter descido o nível e saíste a perder. A tese era muito complicada de refutar, mas quem for mergulhar naquela confusão não sai com nada. Minto. Aprende qualquer coisa: que, ao contrário do que escreveste, foram Manuel Claro e João Pulido Valente os denunciados, que FMR já constava dos registos, que Cunhal nem estava cá e deixou nota em relatório a reprovar o que se passou e o perigo em que os colocaram. Portanto aquele texto devia ser para corrigir, e ver se a malta se esquece. E acho sim, que devias fazer autocrítica e corrigir o erro factual que ainda está no texto.

    Quanto ao Trotsky, Estaline e as picaretas. Aqui mais uma vez o rei vai nu e tu só tens que o demonstrar. Eles sabem lá de que lado do pão é está a manteiga.. não lhes passes atestados de maioridade. Muitas vezes pensas estar a ver “estalinismo” onde ele não existe. Estaline tem obras de referência: as bases do leninismo; o marxismo e a questão nacional. Ora não existe uma única obra de Estaline traduzida nas Edições Avante. Parvoíces como A Paz, Património Inestimável dos Povos (aaarrrrggghhtt..cospe), colosso teórico do grande Brejnev, isso ainda se arranja. Agora Estaline é que não!

    O reformismo e o revisionismo combate-se pelo exemplo e elevação no debate. E o bicho morre..

    Cumprimentos

  3. Renato,

    Mas estás a facilitar e a deixar pontas soltas.
    Obviamente que não era o tipógrafo, nem sequer a redação, que tomariam uma decisão de tamanha gravidade como a de bufar os nomes dos camaradas. E até podias atribuir a responsabilidade política a Cunhal, mas mais do que isto não, porque não sabes. Aliás, sabes até que é bem possível que a decisão política tenha sido tomada sem ele, uma vez que não estava cá (e como sabes as comunicações na altura eram um pincel).

    A crítica é esta: nada disto é necessário para provar a tese, e só vem gerar cacofonia – que é o que os reformistas e os revisas querem, para criar a sua cortina de fumo. Para provar a tese basta definir reformismo, ir aos livros de Cunhal, às decisões e orientações do Partido enquanto liderou (durante o fascismo, durante o PREC e após este). Está lá tudo, nos documentos deles. E acabou-se a cacofonia. Às vezes meter um pouco mais de picante, estraga tudo.

    Cumprimentos

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