Um “tu cá tu lá” com o Nuno Melo

Melo

Nuno Melo, eurodeputado do CDS e putativo sucessor de Paulo Portas, andou a ler o Obeissance Est Morte e acha que descobriu algum segredo no mergulho que deu na descrição que fazemos sobre nós. Posto que Nuno Melo é um homem ocupado e que não terá muito tempo na vida para ler blogues, é naturalmente uma honra o tempo que por aqui gastou a informar-se.

O pretexto para a visita foi a sua dificuldade em lidar com a crítica, pertinente e certeira, do Asere Kiasu, que respondeu e desmontou as boçalidades que a nobre figura escreveu no Económico sobre o Podemos o PCP e as saudades do velho Muro, e que não passavam nenhum exame de história do liceu. As contradições de Nuno Melo são, antes de tudo, um ensaio sobre a cegueira não só do próprio Nuno Melo, mas também da generalidade da casta que nos tem governado ao longo dos anos.

A ignorância tem feito caminho e talvez por isso Nuno Melo tenha a proeza de atribuir a Pablo Iglesias o intervalo de mortos estimado (“330 e 450 mil mortos”) da guerra civil de Espanha sem falar nem de Franco nem dos franquistas, escrever sobre o amor do PCP pelo Muro de Berlim sem falar do seu carinho por Israel e do Muro da vergonha que cerca a Palestina, escrever sobre os perigos do radicalismo dos programas políticos que aproximam os pobres dos ricos sem escrever uma linha sobre a austeridade à qual o seu governo tem aberto caminho.

Não capaz de se colocar em paralelo e de escolher a via do argumento, sabe lá ele o que isso é, Nuno Melo dispara dois vídeos (12) alegadamente escondidos por Pablo Iglesias. Devo, com franqueza, agradecer a divulgação de tal preciosidade que seria impossível de encontrar sem a sua gentiliza. Um deles, pasme-se, está publicado na Tuerka, o canal de televisão do Podemos para as redes sociais, o outro repete várias das políticas com que Pablo Iglesias se celebrizou no La Sexta, o canal aberto que o convidou para o tornar num “bobo das acampadas” e acabou a fazer dele a principal referência nacional do campo da resistência. Como é natural o Podemos e Pablo Iglesias não defendem tudo o que seria necessário, mas defendem um programa de democracia radical muitíssimo mais moderado do que o radicalismo liberal que tem transformado o Estado numa agência de negócios e de malfeitorias que apenas servem a absoluta minoria da população.

Nuno Melo nada sabe do Podemos a não ser que ameaça quebrar com o bipartidarismo – que tanto tem dado ao extremo a que pertence – e que está disposto a libertar a maioria de alguns dos grilhões com que tem vindo a ser amarrada. Sem bipartidarismo, e com ele a sua necessidade ocasional do CDS, não há CDS nem há Nuno Melo. Ele sabe bem disso mas não sabe nada do Podemos.

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Agora e apenas para deixar o Nuno Melo ainda mais nervoso, uma notícia relacionada.

3 thoughts on “Um “tu cá tu lá” com o Nuno Melo

  1. Trotsko-situacionista é forte.. vê lá com quem é que te metes..

    O Nuno Melo já viu o lobo Saint Paul Churches debaixo da pele de cordeiro social-democrata. Haveria que dizer ao Nuno Melo que é assim a realpolitik, e que eles não têm o monopólio da arte. Toda a pedrinha na engrenagem conta.. vamos a ver o que acontece.

    Cumprimentos

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