Quem não pode com o Podemos?

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Depois da Banca do Estado Espanhol e de alguns comentadores da nossa praça, são cada vez mais aqueles que manifestam o seu nervosismo com a possibilidade do Podemos ganhar em Portugal uma expressão organizativa equivalente. Cheios de certezas antes mesmo de se verificar essa possibilidade – no domingo todos os que o ponderem estão convidados a fazer  –  o Daniel Oliveira (aqui e aqui), o Rui Bebiano (aqui) ou a Irene Pimentel (aqui) foram os mais recentes temerosos a juntarem-se à turba de especialistas de Futuros com as pernas bambas.

Seja decretando a sua impossibilidade – Daniel Oliveira comporta-se como um monopolista face à possibilidade de concorrência de um projecto político que ele acha que ocupa a sua largura de banda – seja com o pêlo arrepiado por se falar de novo em leninismo – Rui Bebiano deixa inclusivamente perceber algumas insónias dramatizando a violência política do Podemos – seja com o pânico da Irene Pimentel com aquilo que diz ser “demagógico e populista”, os assomos constituem-se como um bom tónico para aqueles que têm ponderado esse caminho.

Vale quase tudo para reforçar a mistificação e criar uma cortina de fumo dissuasora. Que o Podemos não é possível em Portugal por ser feito de cima para baixo, quando outra coisa não foi feita no Estado Espanhol (o Podemos nasceu de um desafio televisivo do Pablo Iglesias, muito depois da derrota do 15M), e que em Portugal não há movimento social quando se realizaram tantas ou mais manifestações de massa do que no Estado Espanhol e elas até começaram primeiro (Geração à Rasca), são algumas das confusões que lançam para os olhos dos muitos que naturalmente parecem motivados.

É possível prever que a cúpula do Pablo Iglesias, a tal que deu o pontapé de partida de cima para baixo, tenha encontrado mais gente na base do que provavelmente aquelas que estão dispostas a alinhar em Portugal, mas ninguém, com seriedade, tem elementos para o anunciar peremptoriamente. É uma hipótese apenas e como tal deve ser tratada. Se em Rui Bebiano ou em Irene Pimentel é compreensível o medo do radicalismo, nunca, em abono da verdade, estiveram sequer perto de lhe achar piada, em Daniel Oliveira as razões são outras e prendem-se com a evidência de que o Podemos, a funcionar em Portugal, acabará com a expectativa de todos aqueles que acham que basta a televisão para fazer política e acabar eleito em formações fantasma que não têm nenhum trabalho concreto no movimentos social que tanto insistem em anunciar morto.

Eu não sei, como Daniel Oliveira ou Rui Bebiano não sabem, se há ou não condições para haver um Podemos em Portugal – sobre esta matéria é substancialmente mais lúcido o “nim” de Gustavo Cardoso – mas o que todos sabem é que, a haver, só uma parte da esquerda deixará de ter caminho e, curiosamente, é aquela que tanta pressa está a ter em anunciar o fim de algo que ainda nem sequer começou e tão resolvida parece estar em matéria de alternativa a apresentar às próximas eleições.

13 thoughts on “Quem não pode com o Podemos?

  1. A Irene Pimentel outra vez? Começo a ficar farto.

    PODEMOS ou CONSEGUIMOS? Eles até podem ter razão Renato, mas ainda assim sair-lhes o tiro pela culatra, vê bem: Eles conhecem a realidade portuguesa, sabem da dificuldade de mobilização. Sabem que não é difícil explicar o mal, o que é difícil é obter a adesão, é por isso que dizem que não podemos. De facto, nessas condições podemos não poder, porque nem com grandes logísticas se tem conseguido, mas a realidade e a abertura social às propostas é agora outra, e aqui já não é o poder que conta, desta forma, não significa que não tendo ainda capacidade para poder, não se possa conseguir. Simplificando: podemos não poder, mas podemos conseguir.

    1. A grande razão da certeza deles sobre a impossibilidade do Podemos em Portugal explica-se com factores subjectivos. As condições materiais são diferentes mas começo mesmo a achar que não só Podemos como Devemos avançar. Aguardemos por todos os factores, mas a subjectividade de quem não quer concorrência não é factor a ter muito em conta a não ser se for como meio de motivação.

  2. Sempre deve ser um bocadinho, pouco, melhor que aderir ao Estado islâmico!!!! Tudo gente que nunca teve que pagar um salário…. fazer um orçamento…. engraçado…. parece a “guerra do Solnado”…

  3. Os burocratas de serviço e seus amigos que decidiram sair do MJP (estão no seu pleno direito), fizeram-no explícitamente para acabar com o movimento (palavras de NRA). Ou seja, estavam convencidos que o movimento eram eles e eles eram o movimento. Daí terem anunciado aos 4 ventos que a coisa havia acabado. Afinal, eles é que se acabaram a si próprios. Compreende-se assim a enorme raiva e hostilidade permanente com que se referem ao MJP, ao MAS e aos que se empenham em construir um novo movimento, desespero tanto maior quanto constatam que, em vez de morrer, o dito se consolida, se alarga e se organiza num clima muito mais pacífico e mais tolerante do que quando eles pontificavam. Por estas razões (que eles evitam sempre referir) são obrigados a inventar uma série interminável de fantasmas para justificar a sanha destruidora, a cruzada excomungatória a que se dedicam, sempre cada vez mais longe da realidade. Veja-se como acusam o MAS do terrível crime de recolher assinaturas e de coordenar essa iniciativa. Ficamos portanto a saber que, no seu admirável mundo novo (o triunfo dos porcos??), o simples acto de recolher assinaturas será considerado uma grave infracção criminal, podendo ser agravada se incluir a coordenação do mesmo. Neste ponto e só neste, dou razão ao menor: já não há pachorra!!!
    Não esbanjámos………..Não pagamos
    ZM

      1. Se corresse assim tão mal, vocês estariam aos saltos e não a roerem-se como se vê. Nem precisariam de inventar os crimes que inventam. Tudo isso são sinais do vosso desespero. Mais palavras para quê? São artistas portugueses…..<

      2. Eu estive lá, como eu todas as outras assembleias. Não preciso do streaming, mas agradeço a publicidade. A construção do movimento custa assim tanto de admitir? Porquê?

      3. Construção?!? Eu vi ameaças de porrada, mais demissões e discussões infinitas sobre Airesis… Não devo voltar a perder tempo. Nem com pipocas a coisa vai.

      4. As pessoas só veêm o que querem ver e eu lamento que só tenhas visto isso. Aconteceu infinitamente mais do que um simples desentendimento. O facto de só dares importância ao que não tem importância tem o seu significado.
        ZM

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